sábado, 15 de abril de 2023

Por que Deus permite a existência do mal? (Parte1)

Três fatos a respeito do problema do mal

 

Existem pelo menos três fatos que são inegáveis e que todos os teístas admitem: 

       1. A existência do mal, 

2. O fato de Deus não poder ser o autor do mal, e 

3.   O fato de Deus permitir que o mal exista. 

O primeiro fato que todos temos de reconhecer é a existência do mal ou pecado no mundo.

Os sofrimentos a que todos estamos sujeitos; o egoísmo que caracteriza todos os ho­mens; os inúmeros atos maus que têm sido cometidos por todos os membros da raça humana através das eras; a existência de pecados como o ódio, a cobiça, os ciúmes, as menti­ras, a lascívia e um sem número de pecados semelhantes, pecados que nós mesmos experimentamos, e pecados que vemos ao nosso redor, em nosso próximo. Todos estes fatos conspiram em provar o triste, mas incontestável fato de que o mal existe no mundo. Já se disse que a história da humanidade tem sido escrita com sangue, porque é a história de suas guer­ras.

Não podemos negar a realidade do mal, não só porque sabemos de sua existência por nossa pró­pria experiência, mas especialmente porque a revelação de Deus a afirma. 

A realidade do mal é tão evidente que os pagãos foram levados a pensar que existem no mundo duas forças eternas e opostas entre si, as quais têm estado e estarão em luta constan­te para todo o sempre. 

Nós, que cremos num Deus eterno e onipotente, não podemos concordar com essa teoria. Não cre­mos nesse dualismo. 

Sabemos que o bem é eterno, porque tem sua fonte em Deus, que não teve princípio nem terá ja­mais fim; mas o mal é transitório, porque começou no tempo, com os seres criados, e acabará no tempo marcado por Deus, depois de ter realizado seu propósito. 

E assim, na eternidade o bem reinará supremo e o mal não existirá. Nunca mais haverá qualquer maldição. (Apocalipse 22:3)

O segundo fato que todos temos de admitir é que Deus não é o autor do mal. 

O Deus em quem cremos é infinita­mente bom e perfeito. Não podia ser o originador do mal. Todas as Escrituras ensinam que Deus é infinitamente santo e por isso, não podia ser o autor de algo que é exatamente o oposto de sua natureza. O conceito do mal por si mesmo nega a possibilidade de se atribuir sua origem a Deus. O mal em sua essência opõe-se, é contrário a Deus e suas perfeições, em su­ma, viola suas leis.

As figuras da luz e das trevas, empregada pela Bíblia para designar a Deus e a Satanás, respectivamente, revelam essa impossibilidade: 

Deus é luz, e não há nele treva ne­nhuma (1João1:5). 

Mas o reino de Satanás é o reino das tre­vas (Efésios 6:12; Atos 26:18; Colossenses 1:12,13). 

As trevas são a ausência da luz. Assim, pois, o mal é a ausência de Deus, de quem procede todo o bem. 

Portanto, Ele não pode ser o originador do mal, visto como não pode contradizer-se a si mesmo. Não pode ser ao mesmo tempo luz e trevas. Esta é a razão pela qual Tiago declara em sua epístola: “Deus não pode ser tentado pelo mal” (Tiago 1:13). 

É o mal uma tendência impessoal, ou se originou numa pessoa?

O mal não pode ser uma tendência impessoal, porque neste caso teríamos de admitir uma das duas:

ou Deus é o seu autor, ou existem duas forças opostas entre si no universo.

Nou­tros termos, se o mal fosse uma tendência, ou seria ele criado por Deus (o que importaria em negar a santidade divina), ou o dualismo seria uma verdade. 

A única explicação possível da origem do mal é a existên­cia de um ser moral que, tendo sido feito livre, podia opor-se a Deus. 

No momento em que Deus criou um ser moral, inteligente, livre e responsável, dotado de vontade que podia opor-se à sua, ele criou a possibilidade de se desobede­cer a essa sua vontade e, portanto, criou a possibilidade do pe­cado que, como já vimos, é algo contrário a Deus ou é o afasta­mento de Deus. 

Ser moral é o que é livre e responsável, e, portanto, tem o direito de obedecer ou de desobedecer a Deus. 

Além do que, não há valor algum na obediência que não seja acompanhada da possibilidade de desobedecer. 

Visto como Deus não se pode contradizer a si mesmo, não podia negar a um agente livre o direito de desobedecer-lhe; ou, noutras palavras, não podia tirar-lhe o que ele próprio lhe houvera dado — a liberdade. 

A Bíblia revela que toda vez que Deus criou um ser moral, submeteu-o a uma prova para ver se lhe obedecia ou não, dando-lhe uma oportunidade de decidir ser a favor ou contra Deus. (Deuteronômio 8:2; 2 Crônicas 32:31) 

Foi este o caso dos anjos, e foi igualmente o caso do homem, no princípio.

O mesmo aconteceu até com o homem Jesus Cristo, quando o Espírito o impeliu ao deserto para ser tentado pelo diabo. Apesar de ser Filho, precisou aprender a obediência através de seus sofrimentos (Hebreus 5:8). 

Quando Deus criou o homem, o mal já existia, visto como, antes da queda, proibiu-lhe comer do fruto da árvore da ciên­cia do bem e do mal. 

Penso que esta é a razão por que Deus proveu redenção para o homem, porém não para Satanás e seus anjos. 

Não foi o homem que originou o espírito de revolta contra Deus, e de certo modo foi vítima do grande adversário de Deus. 

Note-se que o inferno não foi feito para o homem, mas foi “preparado para o diabo e seus anjos” (Mateus 25:4l). 

Concluímos, pois, que o mal começou com a desobediência de um ser moral, que se rebelou contra Deus e levou o homem a lhe seguir as pegadas. 

Depois de começar com um ato de desobediência, o mal tornou-se uma tendência nos seres desobedientes. (Romanos 5:19a) 

Temos aí por que todos os descendentes de Adão nascem com uma natureza pecaminosa, como o decla­rou Davi: “Eu nasci na iniquidade, e em pecado me concebeu minha mãe” (Salmos 51:5). 

Deus é o único que pode modificar e extinguir essa tendência mediante uma completa transforma­ção chamada nas Escrituras novo nascimento. 

O terceiro fato que precisamos admitir, com referên­cia a este assunto, é que Deus decidiu permitir o mal, permitir que o pecado entrasse no mundo.

Admitir a santidade de Deus é reconhecer que Ele não podia ser o originador do mal. Mas, por outro lado, crer em sua onipotência é reco­nhecer que o mal não podia vir a existir sem que Ele o permi­tisse. 

Ele decidiu, por algumas razões não plenamente revela­das*, permitir que o mal penetrasse no mundo. Todavia não devemos esquecer que, permitindo a existência do mal, Deus é capaz de controlá-lo e também de extingui-lo no devido tempo. 

* Uma leve sugestão de porque pode ser encontrada em Filemom 1:15,16: “Pois acredito que ele veio a ser afastado de ti temporariamente, a fim de que o recebas para sempre, não como escravo; antes, muito acima de escravo, como irmão caríssimo. 

Que Deus tem controle do mal nos homens e nos seres malignos vemo-lo no fato de Satanás não poder fazer qualquer mal a Jó, enquanto Deus não lho permitiu, e ainda assim somente até onde Deus permitiu. 

Mesmo para entrar nos porcos, os demônios precisa­ram pedir que Cristo o permitisse (Mateus 8:31,32). 

Algumas vezes Deus coíbe as ações dos ho­mens, como no caso de Abimeleque, a quem Ele disse: “Daí o ter impedido eu de pecares contra mim, e não te permiti que a tocasses” (Gênesis 20:6). 

Outras vezes Deus não coíbe, “Mas Amazias não quis atendê-lo; porque isto vinha de Deus, para entregá-los nas mãos dos seus inimigos, porquanto buscaram os deuses dos edomitas.” (2 Crônicas 25:20) 

O rei, pois, não deu ouvidos ao povo, porque isto vinha de Deus, para que o Senhor confirmasse a palavra que tinha dito por intermédio de Aías, o silonita, a Jeroboão, filho de Nebate.” (2 Crônicas 10:15) 

sendo este entregue pelo determinado desígnio e presciência de Deus, vós o matastes, crucificando-o por mãos de iníquos;” (Atos 2:23) 

Que Deus é capaz de dominar até os desejos dos homens vem declarado em Êxodo 34:24, onde lemos: “Ninguém cobiçará a tua terra, quando subires para compare­cer na presença do Senhor teu Deus três vezes no ano”. 

Ou­tras vezes, no entanto, Deus permite que os homens procedam como querem, abandonando-os às suas próprias tendências e de­sejos. Por exemplo: “nas gerações passadas, Deus permitiu que todos os povos andassem nos seus próprios cami­nhos” (Atos14:16). 

Lemos também que “lhes fez o que deseja­vam” (Salmos 78:29). 

Ainda lemos em Romanos 1:24,28 que, por cau­sa do orgulho, da ingratidão e da vaidade dos homens, Deus “os entregou à imundícia, pelas concupiscências de seus pró­prios corações”.

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