sábado, 15 de abril de 2023

Por que Deus permite a existência do mal? (Parte 2)

 

Decretos Positivos e Decretos Permissivos

 

Todos os acontecimentos, de qualquer que seja a natureza, que ocorrem no tempo, foram determinados ou preordenados por Deus desde toda a eternidade para ocorrer, e todos para a final promoção de sua própria glória.

Deve-se, entretanto, notar que há uma diferença a ser sempre observada entre o que tem sido denominado decreto eficaz e decreto permissivo de Deus. 

Os decretos de Deus dividem-se em duas categorias: 

1. Decretos positivos ou eficazes 

2. Decretos permissivos 

Há nos decretos de Deus certas coisas que Ele mesmo exe­cuta. Há outras, no entanto, que Ele não executa, mas permite que suas criaturas racionais executem (TERCEIRIZAÇÃO). 

Mas tanto o que Ele pró­prio executa como o que permite às suas criaturas executar está incluído em seu plano que tudo abrange, e foi, pois, decretado. 

Decretos eficazes são os que determinam ocorrências direta­mente por meio de causas físicas: 

Disse também Deus: Haja luzeiros no firmamento dos céus, para fazerem separação entre o dia e a noite; e sejam eles para sinais, para estações, para dias e anos... Fez Deus os dois grandes luzeiros: o maior para governar o dia, e o menor para governar a noite (Gênesis 1:14,16) 

Enquanto durar a terra, não deixará de haver sementeira e ceifa, frio e calor, verão e inverno, dia e noite. (Gênesis 8:22) 

Quando regulou o peso do vento e fixou a medida das águas; quando determinou leis para a chuva e caminho para o relâmpago dos trovões (Jó 28:25,26) 

Além disso, o Senhor, teu Deus, mandará entre eles vespões, até que pereçam os que ficarem e se esconderem de diante de ti. (Deuteronômio 7:20) 

E de um só sangue fez toda a geração dos homens, para habitar sobre toda a face da terra, determinando os tempos já dantes ordenados, e os limites da sua habitação; para que buscassem ao Senhor, se porventura, tateando, o pudessem achar; ainda que não está longe de cada um de nós; (Atos 17:26,27) 

e de forças espiri­tuais: 

porque Deus é quem efetua em vós tanto o querer como o realizar, segundo a sua boa vontade. (Filipenses 2:13) 

Ele vos deu vida, estando vós mortos nos vossos delitos e pecados, (Efésios 2:1) 

Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus; (Efésios 2:8) 

Pois somos feitura dele, criados em Cristo Jesus para boas obras, as quais Deus de antemão preparou para que andássemos nelas. (Efésios 2:10) 

e vos revistais do novo homem, criado segundo Deus, em justiça e retidão procedentes da verdade. (Efésios 4:24) 

Decretos permissivos são os que concernem ao mal moral ou ao pecado, que Deus decidiu permitir, mas do qual Ele não é a causa ou o autor. 

O Deus eterno é a tua habitação, e por baixo estão os braços eternos; e ele lançará o inimigo de diante de ti, e dirá: Destrói-o. (Deuteronômio 33:27) 

Assim diz o Senhor dos Exércitos: Eu me recordei do que fez Amaleque a Israel; como se lhe opôs no caminho, quando subia do Egito. Vai, pois, agora e fere a Amaleque; e destrói totalmente a tudo o que tiver, e não lhe perdoes; porém matarás desde o homem até à mulher, desde os meninos até aos de peito, desde os bois até às ovelhas, e desde os camelos até aos jumentos. (1 Samuel 15:2,3) 

que digo de Ciro: Ele é meu pastor e cumprirá tudo o que me apraz; que digo também de Jerusalém: Será edificada; e do templo: Será fundado. (Isaías 44:28) 

O Senhor amou a Ciro e executará a sua vontade contra a Babilônia, e o seu braço será contra os caldeus. (Isaías 48:14) 

A Zedequias, rei de Judá, e a seus príncipes, entregá-los-ei nas mãos de seus inimigos e nas mãos dos que procuram a sua morte, nas mãos do exército do rei da Babilônia. (Jeremias 34:21) 

Tu, Babilônia, eras meu martelo e minhas armas de guerra; por meio de ti, despedacei nações e destruí reis; (Jeremias 51:20) 

Disse o Senhor a Satanás: Eis que ele está em teu poder; mas poupa-lhe a vida. Então, saiu Satanás da presença do Senhor e feriu a Jó de tumores malignos, desde a planta do pé até ao alto da cabeça. (Jó 2:6,7) 

Perguntou o Senhor: Quem enganará a Acabe, para que suba e caia em Ramote-Gileade? Um dizia desta maneira, e outro, de outra. Então, saiu um espírito, e se apresentou diante do Senhor, e disse: Eu o enganarei. Perguntou-lhe o Senhor: Com quê? Respondeu ele: Sairei e serei espírito mentiroso na boca de todos os seus profetas. Disse o Senhor: Tu o enganarás e ainda prevalecerás; sai e faze-o assim. (1 Reis 22:20-22) 

E, para que não me ensoberbecesse com a grandeza das revelações, foi-me posto um espinho na carne, mensageiro de Satanás, para me esbofetear, a fim de que não me exalte. (2 Coríntios 12:7) 

Naturalmente, Deus é o único agente na criação, na providência, na regeneração, na inspiração, etc. 

Todavia os pecados cometi­dos por livres agentes — os anjos e os homens — foram de­cretados apenas permissivamente, porque Deus não pode ser o autor do pecado, e porque nada podia acontecer sem sua permissão. 

porque verdadeiramente se ajuntaram nesta cidade contra o teu santo Servo Jesus, ao qual ungiste, Herodes e Pôncio Pilatos, com gentios e gente de Israel,
para fazerem tudo o que a tua mão e o teu propósito predeterminaram;” (Atos 4:27,28) 

Seus decretos eficazes relacionam-se com tudo quanto é moralmente bom; seus decretos permissivos, com tudo quanto é moralmente mau. 

Sua agência ime­diata nunca se refere ao moralmente mau. 

Ele per­mite que o mal aconteça, e o dirige eficazmente para o bem, para a promoção de sua glória. 

Quando se sabe, com certeza, que uma coisa vai ser feita, a menos que seja impedida, e quando há uma determinação de não a impedir, essa coisa é dada como certa, como se fosse decretada para ser feita por agên­cia positiva. 

Num caso, o evento é dado como certo por agência exercida e, no outro caso, é dado igual­mente como certo por agência recusada. 

É decreto imutável em ambos os casos. 

Os pecados de Judas e dos que crucificaram o Salvador foram tão inalteravelmente decretados, permissivamente, quanto à vin­da de Cristo ao mundo foi decretada positivamente. 

Esta consideração dos decretos permissivos de Deus faz que se levante o problema complexo e embaraçoso da origem e existência do mal moral. 

Temos naturalmente de distinguir entre o mal moral (o pecado) e o mal natural (sofrimentos, perdas, etc). 

Deus não é o autor do primeiro, mas é o agente do segundo. 

Não devemos esquecer, todavia, que o mal natural é uma consequência do mal moral. Deus amaldiçoou a terra em conseqüência do peca­do do homem. (Gênesis 3:17) 

A desventura persegue os pecadores” (Provérbios13:21), isto é, o mal natural é resultado do mal moral, de acordo com as leis de Deus, como vemos em Gálatas 6:7, “Aquilo que o homem semear, isto também ceifará”. 

Eu formo a luz, e crio as trevas; faço a paz e crio o mal (calamidade no heb.); eu o Senhor faço todas estas coisas.” (Isaías 45:7). 

 Eis que estou forjando mal e formo um plano contra vós outros; convertei-vos, pois, agora, cada um do seu mau proceder” (Jeremias18:11). O mal natural que Deus ia formar seria o resultado do mal moral deles. 

Porque o Senhor dos Exércitos, que te plantou, pronunciou contra ti o mal, pela maldade que a casa de Israel e a casa de Judá para si mesmas fizeram, pois me provocaram à ira, queimando incenso a Baal.” (Jeremias 11:17) 

Assim diz o Senhor dos Exércitos, o Deus de Israel: Eis que trarei sobre esta cidade e sobre todas as suas vilas todo o mal que pronunciei contra ela, porque endureceram a cerviz, para não ouvirem as minhas palavras.” (Jeremias 19:15)

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