quinta-feira, 18 de fevereiro de 2021

A carta a igreja de Tiatira

 TIATIRA (cheiro suave)

Localizada num vale fértil, por Tiatira passavam várias rotas comerciais e era, por tanto um grande e importante centro comercial para o império. Os produtos têxteis eram o principal produto produzido e comercializado em Tiatira e lá existiam grandes associações comerciais; uma das comerciantes de insumos para a indústria têxtil de lá (púrpura, um tingimento) citada na Bíblia é Lídia (Atos 16:14), que se converteu, foi batizada e deu hospedagem a Paulo e Lucas, provavelmente era uma pessoa de posses.

O sítio da antiga Tiatira é totalmente coberto pela moderna cidade de Akhisar.

“Conheço as tuas obras, o teu amor, a tua fé, o teu serviço, a tua perseverança e as tuas últimas obras, mais numerosas do que as primeiras. Tenho, porém, contra ti o tolerares que essa mulher, Jezabel, não somente ensine, mas ainda seduza os meus servos a praticarem...a idolatria” (Apocalipse 2:19,20a,c)

Obs: resumi o texto "a praticarem a prostituição e a comerem coisas sacrificadas aos ídolos" por “praticarem...a idolatria”, porque tanto as atividades gastronômicas como a prostituição cultual são apenas alguns dos muitos aspectos comerciais que resumem a gama de atividades que estão envolvidas no mercado da idolatria.

Essa igreja era muito ativa nos trabalhos sociais, caridosa, filantrópica e paciente, porém toleravam a idolatria, que é abominável a Deus, ainda mais no seio da própria igreja.

Apesar de tantos elogios nem tudo estava bem em Tiatira, e a esta pequena igreja é endereçada uma das mais severas e a mais longa das sete epístolas.

Nas recomendações da igreja de Esmirna e de Pérgamo, a expressão "tuas obras" não está nos melhores manuscritos, o que enfatiza o fato de que o principal ponto de recomendação em Esmirna foi seu fiel sofrimento e em Pérgamo o lugar em que estavam dando seu testemunho. Em Tiatira, porém, as obras são mencionadas, porque suas obras eram proeminentes, e delas o Cristo onisciente estava plenamente ciente.

É notável que a igreja tenha sido elogiada primeiro por sua caridade ou amor, especialmente quando nenhuma das três igrejas anteriores foi elogiada por essa qualidade. Além disso, é feita menção de seu serviço, sua fé e sua paciência, e do fato de que suas últimas obras foram maiores do que as anteriores, em contraste, por exemplo, com o caso da igreja de Éfeso. Apesar dessas características mais louváveis, a igreja de Tiatira era culpada de pecado terrível.

É dito no texto, como uma repreensão, que a igreja tolera essa mulher Jezabel.

Jezabel, personagem do antigo Testamento, era filha de um monarca sidônio, adoradora de Baal e promotora de seu culto e que, por ser casada com Acabe, o rei das 10 tribos do norte, Israel, introduziu a idolatria e a corrupção religiosa entre o povo de Deus, foi contra isso que Deus levantou o profeta Elias.

Jezabel, portanto é um nefasto símbolo de apostasia e corrupção religiosa aberta e explícita.

Quando Apocalipse cita essa mulher, o faz como uma adjetivação poética, pois ela já havia morrido de forma terrível a mais de 700 anos...

O poder das associações comerciais dos artesãos de Tiatira se devia ao fato de que eles detinham o monopólio da confecção dos produtos de qualidade que eram usados como ornamentos na maioria dos cultos aos ídolos pagãos nos templos.

Pelo fato de lucrarem muito com a venda de seus artigos, esses profissionais tinham uma participação ativa na promoção da idolatria.

E toda essa pressão, associada ao interesse comercial atingia a igreja, formada em seus membros por maioria de artesãos, empresários e terceirizados, que passaram a condescender com a produção idolátrica por questões financeiras e políticas, eles “toleravam” Jezabel.

“Ao anjo da igreja em Tiatira escreve: Estas coisas diz o Filho de Deus” (Apocalipse 2:18a)

A ÊNFASE DO TÍTULO ESTÁ NA EXCLUSIVIDADE.

Filho de Deus (huios tou theou, no grego e ben elohim, no hebraico) é um título que identifica Jesus Cristo como uma das pessoas da Trindade e, portanto, Deus.

Ter declarado isso publicamente foi o grande motivo do ódio dos judeus (João 5:18) e também o motivo para sua acusação e condenação (Marcos 14:61-64; João 19:7).

Mas é uma verdade absoluta, amplamente ensinada nas Escrituras, pois Ele possui os mesmos atributos e caráter de Deus Pai (João 10:30).

Então, diante de uma igreja paganizada e idólatra, que aceita uma mulher como coadjuvante de Deus (como veremos mais adiante), de cara Cristo se apresenta como o Filho de Deus, o único digno de adoração e o personagem central da Igreja e do Evangelho.

O título introdutório é uma reinvindicação de EXCLUSIVIDADE, na igreja não há espaço para adoração ou veneração de si mesmo, ou da “mãe de Deus”, ou do primo, ou de um colaborador, discípulo ou apóstolo...somente do Filho de Deus!

“que tem os olhos como chama de fogo e os pés semelhantes ao bronze polido” (Apocalipse 2:18b)

Essas são as duas figuras de julgamento mais severas na descrição do Cristo glorificado, e que são apresentadas dada a gravidade da situação da igreja de Tiatira.

Os olhos como chama de fogo indicam que seus atributos de conhecimento onisciente (olhos) são muito severos e intensos (como chamas de fogo) e estão em função de seu exame julgador.

E esse exame julgador é duro e forte, como duro e forte é o bronze, e irresistível como o é o bronze aquecido em fornalha.

Na conjunção das informações dos versículos 18 e 19, observamos que o que Cristo está dizendo a essa igreja é que, não adianta as suas obras serem numerosas e elogiáveis, se existe uma tolerância para com a prática da idolatria que, na prática, é uma SUBSTITUIÇÃO do próprio Cristo por outro objeto de adoração, no caso por uma mulher.

Toda essa atividade não é suficiente para justificar a tolerância para ensinos absurdos e práticas condenáveis.

Os trabalhos realizados em Tiatira não se sustentaram por si mesmos, pois as boas obras são necessárias, mas não suficientes no serviço cristão. O mundo está cheio de organizações que se concentram em trabalhos filantrópicos, mas estes não podem ser a medida de aceitabilidade por Deus porque muitas dessas organizações abraçam crenças e práticas que são diretamente opostas à Palavra de Deus. Portanto, as obras sozinhas nada dizem sobre o relacionamento de uma organização com Deus. É a concordância com o Evangelho de Jesus Cristo que torna o serviço cristão válido.

a si mesma se declara profetiza” (Apocalipse 2:20b)

Tudo que é ensinado e dogmatizado por essa mulher não tem o aval de Cristo e, por tanto das Escrituras, partem de uma iniciativa espúria, pois vem de alguém que se auto declarou autoridade para fazê-lo, sem o comissionamento divino.

Além de ser falsa, ela ainda por cima modificou artigos de fé, alterou doutrinas e trouxe novas revelações e acréscimos à Palavra de Deus, coisas essas que não eram permitidas nem mesmo aos verdadeiros profetas!

As Escrituras são enfáticas que a adulteração da Verdade, por acréscimo ou diminuição, é um erro gravíssimo e intolerável (Deuteronômio 4:2; Apocalipse 22:18,19; 2 João 1:9-11; Gálatas 1:8,9)

O texto diz que esta mulher “ensina e seduz”, seduzir, ou enganar, no grego é planao, que significa “induzir ao erro”, “desencaminhar”, “fazer extraviar”, “desviar do caminho certo”, ou seja, afastar da verdade que liberta e salva.

Quando observamos essa igreja apóstata (afastada da Verdade) como é descrita no texto dessa carta, com essas características de ser volumosamente operante na área social, mas corrompida e corrompedora da Verdade original, pelo acréscimo de tantas tradições, práticas espúrias e encíclicas, que são inseridas com o objetivo de exaltar uma mulher em detrimento do próprio Cristo, não podemos deixar de nos lembrar de um tipo de “cristianismo”, que se curva principalmente diante de uma “virgem casta e que não conheceu desejo ou ao marido”, que no caso é Jezabel (pois este é o significado semítico do nome Jezabel!!!)

Igreja essa que tolerou o ensino desvirtuante que acrescentou os seguintes dogmas e tradições à Revelação divina:

- a celebração da missa (ano 394), que acintosamente afirma ser uma repetição contínua e incruenta do sacrifício de Jesus Cristo! (contraste com os textos de Hebreus 10:12,14 e 9:22b).

A história diz que o culto cristão passou a ser chamado de “missa”, por causa da prática nos primeiros séculos de se pedir para que os cristãos ainda não batizados se retirassem após o louvor e a leitura da Palavra para que não participassem da ceia ou do partir do pão (eucaristia), ao fazer isso eles eram despedidos com a expressão em latim “missio”, que quer dizer “te despeço”, “te envio” ou seja, um “vá”! Por fim, a expressão, que antes se referia apenas a este momento do culto, passou a designar toda a celebração.

O primeiro a usar a palavra Missa no sentido atual foi Santo Ambrósio (em 397) na sua epístola 20,4. Santo Agostinho (em 430) também escreveu: “Eis que após o sermão se faz a missa (= despedida) dos catecúmenos; ficarão apenas os fiéis batizados” (Sermões 49,8).

- a declaração de Maria como a “mãe de Deus, pelo Concílio de Éfeso (ano 431).

Este foi o primeiro dos 4 dogmas marianos instituídos pelo cristianismo tiatirense.

Ao longo da história foram criados 4 dogmas (os dicionários definem dogma como ponto fundamental de uma doutrina religiosa, apresentado como certo e indiscutível) marianos: a maternidade divina (22/07/431); a virgindade perpétua (16/09/681); a imaculada conceição (08/12/1854) e a assunção de Maria (01/11/1950).

Por ocasião da instituição do primeiro dogma mariano, o da maternidade divina, Maria (não a personagem bíblica, a mãe humana do Jesus humano, mas na realidade, uma entidade poeticamente adjetivada como Jezabel pelo texto apocalíptico e que representa a cristandade tiatirense) foi declarada como “mater dei” (em latim) ou “teotóco” (em grego).

Teótoco é composta de duas palavras gregas, Θεός (Deus) e τόκος (parto). Literalmente, isso se traduz como portadora de Deus ou a que dá à luz Deus.

A “mãe de Deus” passou então, a receber dos cristãos a dulia (do grego douleuo, que significa honrar) que era uma devoção à sua honra por causa de seu importante papel desempenhado no plano da redenção. Argumenta-se que ela não recebia a latria (do grego latreuo, que significa adorar), pois esta é devida somente a Deus.

Sendo assim, o cristianismo tiatirense afirmam praticar a idodulia e não a idolatria (que reconhecem ser inaceitável e pecaminoso...)

Mas, com o desenvolvimento dos dogmas, a dulia (veneração) passou a ser dirigida apenas aos “santos” em geral e a “mãe de Deus” passou a receber a hiperdulia, ou seja, uma veneração especial, através do Angelus, do santo rosário, das peregrinações e das festas dedicadas a ela.

Essa história toda de dulia e latria dá a impressão de se estar trocando seis por meia dúzia...

- a doutrina do purgatório, estabelecida por Gregório, o Grande (ano 593).

Não obstante o dogma católico do purgatório ter sido declarado através dos Concílios de Florença (1.431 – 1.438) e de Trento (1.545 – 1.563), sua origem remonta há quase mil anos antes. Foi por meio do papa intitulado: Gregório, o Grande, que a ideia de purgatório começou a ganhar corpo.

- o uso do latim nas missas (ano 600). É de se observar que 1 Coríntios 14:9 fala da inutilidade de se expressar em uma língua que não seja compreendida.

- a reza da Ave Maria (ano 600). Rezada desde os primórdios na liturgia bizantina, a Ave Maria foi adicionada à liturgia latina por São Gregório Magno, o organizador do canto gregoriano, como antífona do ofertório.

A fórmula atual da Ave Maria, que se difundiu lentamente, foi divulgada no breviário publicado em 1568, por ordem do Papa Pio V.

- o estabelecimento do papado (ano 607).

Quando olhamos o mapa e localizamos as sete cidades citadas, percebemos que eram cidades vizinhas, numa área de aproximadamnete 250 km entre as mais distantes (Pérgamo e Laodicéia). A região incluída seria apenas um canto de um estado brasileiro.

O que podemos concluir? Mesmo na época apostólica, Deus não criou nenhum tipo de hierarquia ou sistema de estrutura ligando uma congregação com outras. Jesus não enviou uma carta "ao bispo da Ásia Menor" para corrigir os problemas das várias igrejas, pois não havia nenhuma pessoa na terra governando as diversas congregações. Cada igreja mantinha a sua independência, e cada uma era responsável diretamente a Jesus.

Desde então, os homens têm criado muitos sistemas de organização e de controle centralizado para manter conformidade de doutrina e prática entre igrejas. Tais invenções vêm dos homens, e não de Deus!

"A ninguém sobre a terra chameis vosso pai; porque só um é vosso Pai, aquele que está nos céus." (Mateus 23:9)

No período do cristianismo primitivo, não existia essa questão da primazia papal. A afirmativa de que Pedro exerceu essa primazia sobre todos as igrejas em seu início é absolutamente irreal, pois a mesma Escritura declara em Gálatas 2:7-9 que a influência de Pedro estava circunscrita à circuncisão (isto é, a Jerusalém e aos judeus), na realidade, é provável que Pedro tenha sido martirizado em Roma, ao invés de “governar” o cristianismo mundial a partir de lá.

Uma vez que no século I os termos “presbíteros e bispos” eram sinônimos usados para os líderes da igreja local submetidos a um apóstolo; no final do século I e no século II, a Igreja Romana não possuía uma organização mono episcopal (um só Bispo como chefe da igreja), mas uma forma colegiada de liderança, sendo que o mono episcopado começou somente mais tarde, e assim, originalmente o ministério papal não existia.

Durante os séculos III e IV, ou seja, durante o período das perseguições (Esmirna), simplesmente não existiam condições para uma estruturação organizacional, para estabelecimento de um processo de eleição papal e, menos ainda, para o estabelecimento de um governo eclesiástico central.

Com a publicação da Édito de Milão em 313 foi concedido liberdade para todas as religiões no Império Romano, iniciando-se a Paz na Igreja. Mesmo assim, durante os séculos IV a VI existiam muitas disputas políticas, religiosas e doutrinárias entre os bispos de Roma e de Constantinopla, que buscavam ampliar os seus poderes ao buscar captar a simpatia e conformidade ideológica dos imperadores reinantes. No geral, enquanto no Oriente o poder civil controlou a Igreja e o bispo de Constantinopla baseava seu poder no fato de ser o bispo da capital e por ser um homem de confiança do imperador, no Ocidente o bispo de Roma pôde consolidar a influência e o poder que já possuía por outros meios.

O título de Papa ou Bispo universal, foi dado, pela primeira vez ao bispo de Roma, Gregório I, pelo cruel imperador Flávio Phocas Augusto, com o objetivo de provocar e causar descontentamento ao bispo Ciriacus, de Constantinopla. Phocas o fez como retaliação por ter sido excomungado por Ciriacus por ter matado o seu antecessor, o imperador Mauritius, para assumir o poder.

Gregório recusou o título, por entender que isso acarretaria a perda da vida de oração, sem perturbações, que tinha como monge. Acabou sendo forçado a retornar para o cenário político, algo que, embora amasse, não mais desejava fazer. Quando se tornou Papa, entre seus primeiros atos estava o envio de uma série de cartas repudiando qualquer ambição em relação ao trono de Pedro.

Na época, por diversas razões, a sé de Roma não exercia efetivamente a liderança eclesiástica no ocidente. Os bispos da Gália estavam sob forte influência das poderosas famílias proprietárias de terras na região e se identificavam com elas; na Espanha visigótica, os bispos tinham pouquíssimos contatos com Roma; na Itália, os territórios que de facto estavam sob administração papal estavam ameaçados pelos violentos duques lombardos e pela rivalidade dos judeus no Exarcado de Ravena e no sul.

Foi Bonifácio III quem aceitou assumir pela primeira vez o título de Papa. E apesar do seu pontificado curto (19 de fevereiro a 12 de novembro de 607), teve uma contribuição importante na organização da Igreja católica romana.

Outra ação notável de seu pontificado resultou de suas relações próximas com o imperador Phocas. Buscou e obteve um decreto de Phocas que restaurou a opinião de que o apóstolo Pedro deveria ser o cabeça de todas as igrejas. Isto assegurou que o título de "Bispo Universal" pertencesse exclusivamente ao bispo de Roma e anulou a intenção do patriarca Ciríaco de Constantinopla de atribuir-se este título. Embora algumas fontes indiquem este fato como evidência de que Bonifácio III fundou a Igreja Católica, este decreto simplesmente afirmou uma visão estabelecida muito tempo antes por Justiniano, que havia dado reconhecimento legal à primazia do pontificado romano.

- a declaração da virgindade perpétua de Maria (ano 681). “Virgem antes, durante e depois do parto.”

- o poder temporal do papado (ano 754). Quando Pepino III, soberano francês, imposto ao trono pela influência do Papa Zacarias, guerreou contra os lombardos italianos, atendendo um pedido de socorro do Papa Estevão II. Este desceu com um grande exército, libertou Roma e arrebatou Ravena com outras cidades dos bizantinos, entregando-as ao Papa, para sua independência política (Tratado de Quierzy). Foi a confirmação do Poder Temporal dos Papas e a criação dos Estados Pontifícios.

- a veneração da cruz, das imagens e das relíquias (ano 788).

- o uso da água benta (ano 850).

- os processos de canonização (ano 995) Iniciados pelo Papa João XV.

- as tradições da Quaresma (ano 998).

- a instituição do celibato (ano 1.079). Pelo Papa Gregório VII.

- o uso do rosário (ano 1,090).

- a venda de indulgências (ano 1.190). Era o pagamento monetário pelo perdão espiritual dos pecados concedido pela Igreja Católica, foi um mecanismo criado para obter recursos para financiar as Cruzadas. Foi criada por Clemente III para financiar a II Cruzada, conhecida como a Cruzada dos Reis, que fracassou e não reconquistou Jerusalém.

- o dogma da transubstanciação (ano 1.250). Pelo Papa Inocêncio IV.

- a confissão auricular (ano 1.250). Instituída pelo Concílio de Latrão.

- a adoração da hóstia (ano 1.220). Instituída pelo Papa Honório III.

- a proibição da leitura da Bíblia (ano 1.287). Instituída pelo conselho de Valência.

- a proibição de dar vinho aos fiéis (ano 1.414). Pelo Conselho de Constância.

- a criação dos 7 sacramentos (ano 1.439).

- o Conselho de Trento declara que as tradições têm a mesma autoridade que a Bíblia. (ano 1.545)

- a inclusão dos apócrifos (ano 1.546). Pelo Papa Paulo III

- a criação do Credo (ano 1.560). Pelo Papa Pio IV.

- a declaração da imaculada conceição de Maria (ano 1.854). Pelo Papa Pio IX. Declarou que a concepção da própria Virgem foi sem a mancha (macula em latim) do pecado original. Igualando-a a Cristo em sua concepção! A festa é mundialmente celebrada em 8 de dezembro.

- a declaração da infalibilidade papal (ano 1.870). Pelo Papa Pio IX.

- a declaração da assunção de Maria (ano 1.950). Pelo Papa Pio XII, que declarou em sua constituição apostólica Munificentissimus Deus, que a Virgem Maria "tendo completado o curso de sua vida terrestre, foi assumida, de corpo e alma, na glória celeste". Alguns seguimentos defendem que ela não chegou a morrer e outras que morreu, mas foi ressuscitada (a Dormição de Maria). A festa é mundialmente celebrada em 15 de agosto.

Em Tiatira prevalece a doutrina da salvação pelas obras meritórias, sendo por isso tão operosa.

Concluindo: Grande parte das práticas e das tradições da igreja de Tiatira são de origem pagã (sincretismos) e a outra parte são fruto de distorções e más interpretações da Palavra.

Não é à toa que Jesus Cristo declara que seu ensino são “as coisas profundas de Satanás(Apocalipse 2:24), pois são fruto de seu trabalho que tem por objetivo “matar, roubar e destruir” (João 10:10a), pois “se o nosso evangelho ainda está encoberto, é para os que se perdem que está encoberto, nos quais o deus deste século cegou o entendimento dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, o qual é a imagem de Deus." (2 Coríntios 4:3,4)

“Dei-lhe tempo para que se arrependesse; ela, todavia, não quer arrepender-se da sua prostituição.” (Apocalipse 2:21)

“As misericórdias do Senhor são a causa de não sermos consumidos, porque as suas misericórdias não têm fim; renovam-se cada manhã. Grande é a tua fidelidade.” (Lamentações 3:22,23)

“O Senhor é misericordioso e compassivo; longânimo e assaz benigno. Não repreende perpetuamente, nem conserva para sempre a sua ira. Não nos trata segundo os nossos pecados, nem nos retribui consoante as nossas iniquidades. Pois quanto o céu se alteia acima da terra, assim é grande a sua misericórdia para com os que o temem. Quanto dista o Oriente do Ocidente, assim afasta de nós as nossas transgressões. Como um pai se compadece de seus filhos, assim o Senhor se compadece dos que o temem. Pois ele conhece a nossa estrutura e sabe que somos pó.” (Salmos 103:8-14)

"a multidão de suas misericórdias" (Salmos 106:45b - Almeida Atualizada)

"seu imenso amor leal" (Salmos 106:45b - King James Atualizada)

"A sua misericórdia vai de geração em geração sobre os que o temem." (Lucas 1:50)

"Quem, ó Deus, é semelhante a ti, que perdoas a iniquidade e te esqueces da transgressão do restante da tua herança? O Senhor não retém a sua ira para sempre, porque tem prazer na misericórdia." (Miquéias 7:18)

"Ele é longânimo para convosco, não querendo que nenhum pereça, senão que todos cheguem ao arrependimento" (2 Pedro 3:9)

Realmente, quão IMENSA são as multidões de misericórdias do Senhor! A Sua vontade é que sempre haja mudança de comportamento e, para isso, Ele “estica” ao máximo a sua longanimidade (makrothumia - makro = grande + thumos = raiva acalorada, ou seja demora a se irar).

É impressionante que diante de pecados tão graves como esses que a cristandade de Tiatira comete e acumula, Deus tenha esperado tanto para reagir, pois sendo essa igreja a representante profética do maior período histórico da presente dispensação, que vai de 431 a 1517 (1.086 anos) isso evidencia a dimensão da paciência e da misericórdia divina.

Foram mais de mil anos aguardando que Tiatira mudasse o curso de seu comportamento apostatante, mas, ao invés disso, ela se aprofundou mais e mais no pecado, no erro e nas mentiras, a ponto de o Senhor declarar que ela conhecia “as profundezas de Satanás”!

O Senhor declara que ela “não quer arrepender-se da sua prostituição”, a prostituição neste contexto é espiritual *, que é a substituição da verdadeira adoração a Jesus Cristo pela adoração e/ou veneração a outros nomes, a ídolos, em especial a Maria (“mãe de Deus”, ou seja, Jezabel – 2 Coríntios 11:14), que é a ênfase e objeto maior do discurso e dos cerimoniais desta igreja.

(* Nota: As Escrituras usam a expressão “adultério” em Tiago 4:4 ao referir-se ao cristão que dá as costas a Deus e envolve-se com o mundo. A Bíblia usa repetidas vezes expressões que indicam uma prostituição espiritual ao referir-se à corrupção do amor ao Senhor, em especial no caso da idolatria, pois é considerado ídolo toda e qualquer coisa que ocupe o foco legítimo do amor que só é devido a Deus – Jeremias 3:9,10; Ezequiel 16:17; Oséias 4:12)

Não é sem propósito que a ênfase do título com o qual Cristo se apresenta a esta igreja esteja na exclusividade: "Estas coisas diz o Filho de Deus", não o filho de Maria!

"Eu sou o Senhor, este é o meu nome; a minha glória, pois, não a darei a outrem, nem a minha honra, às imagens de escultura." (Isaías 42:8)

“Eis que a prostro de cama, bem como em grande tribulação os que com ela adulteram, caso não se arrependam das obras que ela incita.

Matarei os seus filhos, e todas as igrejas conhecerão que eu sou aquele que sonda mentes e corações, e vos darei a cada um segundo as vossas obras. (Apocalipse 2:22,23)

A situação desta igreja, que se diz cristã, é bem complicada, não é sem propósito que é a carta com maior extensão e conteúdo (em nossas versões, são 12 versículos), pois ela tem problemas mais sérios e mais profundos, com os quais Cristo precisa lidar daí, que as consequências são igualmente mais sérias e intensas.

De acordo com os princípios de Mateus 15:3 e 9, essa igreja transgride os mandamentos de Deus pela tradição, o que faz com que sua adoração seja vã, pois ensina doutrinas que são preceitos de homens. Essa é a situação da igreja no geral.

Com relação aos membros em particular, de acordo com o princípio de Apocalipse 18:4, cada um que é despertado e conscientizado do engano que nesta igreja prevalece, se não se retira dela se torna cúmplice e igualmente participante do juízo que há de cair sobre ela.

A igreja, como entidade representativa, se tornará INOPERANTE (o ser prostrado na cama é uma figura bíblica que fala de uma intervenção divina, através da qual Deus põe um fim a certa atividade que Ele não quer que prossiga mais – como foi o caso de alguns personagens da Bíblia, como Acazias em 2 Reis 1:16; Asa em 2 Crônicas 16:12; e Jeorão em 2 Crônicas 21:18,19). O leito de prostituição será transformado em um leito de angústia.

Os seus líderes e doutrinadores, “os que com ela adulteram”, serão lançados dentro do período tribulacional, quando se tornarão colaboradores da Besta, sob a tutela do Falso Profeta, durante a primeira metade da tribulação, até que a grande entidade cristã ecumênica (Jezabel terá se tornado a Grande Meretriz Tribulacional – Apocalipse 17:1,2) seja descartada, espoliada e destruída com o estabelecimento da abominação desoladora (Apocalipse 17:15-18; 2 Tessalonicenses 2:4).

O contexto da carta a Tiatira permite tomar a expressão em seu sentido técnico escatológico, tendo em vista que 2:25 e 26 fazem referência ao Segundo Advento, e também pelo fato de que essa igreja tem uma atuação de longo alcance, pois teve início no século 5, é bastante atuante e abrangente até o século atual e tem um papel a desempenhar no futuro escatológico. A igreja apóstata dos últimos dias, que não participa do Arrebatamento, permanece na terra para entrar na Grande Tribulação, quando vemos qual será o seu destino.

Os filhos* de Tiatira/Jezabel são os seus devotos ou fiéis, suas vítimas/cúmplices, que estão sendo** retribuídos proporcionalmente, até ao ponto da morte, caso não se arrependam...

[* Os filhos são os frutos de seu trabalho de sedução e engano, aqueles que seguem seus ensinamentos espirituais ou seja, aqueles que confiam seu destino eterno na auto-soteria, que é a conquista da salvação pelos méritos próprios ou boas obras, bem como na eficácia da intervenção da “mãe de Deus” junto ao Filho em detrimento da obra consumada do próprio Filho. Como Timóteo era um 'filho' de Paulo (1 Timóteo 1:2) 'na fé', da mesma forma Jezabel ganhou muitos para seu pseudo cristianismo. Deus os eliminará como o foram os filhos de Acabe e Jezabel por Jeú (2 Reis 10:6,7).]

(** a conjugação verbal no grego tem o sentido de “estou matando”)

As igrejas saberão” - O julgamento de Deus muitas vezes serve a dois objetivos: punir ou eliminar o julgado; e servir de aviso para outros que poderiam seguir um caminho semelhante (Deuteronômio 17:13; 19:20; 21:21). Aquele que incitasse os filhos de Israel para adorar outros deuses deveria ser apedrejado de modo que "Todo o Israel ouvirá e temerá, e nunca mais cometerá maldade como esta entre vocês" (Deuteronômio 13:11). Quando o julgamento caiu sobre Ananias e Safira, "grande temor se apoderou de toda a igreja e de todos os que ouviram essas coisas" (Atos 5:11).

"Eu sou aquele que sonda mentes e corações", isso explica o porquê da seleção do título de Cristo na carta para Tiatira, nada escapa ao seu julgamento.

“Digo, todavia, a vós outros, os demais de Tiatira, a tantos quantos não têm essa doutrina e que não conheceram, como eles dizem, as coisas profundas de Satanás: Outra carga não jogarei sobre vós; tão somente conservai o que tendes, até que eu venha.” (Apocalipse 2:24,25)

Como em todas as épocas e situações da história, existe um remanescente que permanece fiel a Deus e a sã doutrina e que não participa da contaminação e da apostasia.

O ensino mais profundo e eficiente que Satanás dispõe em seu arsenal de mentiras, que tem como objetivo afastar o homem eternamente de Deus, é a crença na possibilidade de ser alguma coisa independentemente de Deus (engano esse no qual ele próprio acredita)

Jesus Cristo foi explícito e taxativo quanto a isso: “sem Mim, NADA podeis fazer” (João 15:5b).

Crer que é possível se aproximar de Deus, ou conquistar o que quer que seja, sem ser por meio da obra que Jesus Cristo consumou, é o engano no qual a gigantesca maioria da humanidade acredita e vive. Essa mentira é o clímax do anti evangelho, e descarta Jesus Cristo como necessário. É o raciocínio mais profundo que Satanás conseguiu chegar sozinho.

No entanto, as multidões não estão cientes de quão ineficazes suas obras são quando medidas contra os requisitos de um perfeito e Santo Deus. Em vez de reconhecer sua necessidade desesperada da justiça de Cristo, elas continuam confiando em sua própria justiça sem saber que diante de Deus "são como trapos imundos" (Isaías.64:6).

Quando, por fim, tiverem a oportunidade de se apresentarem diante de Deus e serem julgados de acordo com suas obras o resultado será um só: o lago de fogo ... (Apocalipse 20:11-15)

Outra carga não jogarei sobre vós”, a situação já é complexa o suficiente, de maneira que o Senhor não faz nenhuma demanda adicional ao remanescente de Tiatira (como aconselhar a “lembrar, arrepender e voltar”, ou “ser fiel até a morte”, ou “arrepender-se” do mundanismo, ou “vigiar” contra o ladrão, ou “conservar a posse da coroa”), para ser um vencedor na situação de Tiatira basta tão somente guardar o que se tem até Ele voltar.

Ao vencedor, que guardar até ao fim as minhas obras, eu lhe darei autoridade sobre as nações, e com cetro de ferro as regerá e as reduzirá a pedaços como se fossem objetos de barro; assim como também eu recebi de meu Pai, dar-lhe-ei ainda a estrela da manhã. Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas. (Apocalipse 2:26-29)

Jesus tudo vê, e faz distinção absoluta entre os servos de Satanás e seus servos fiéis: para os que insistem em servir ao Diabo, Ele promete tribulação e morte; para os que perseveram em servir ao Senhor, Ele promete a luz da Sua preciosa presença e o privilégio de reinar com Ele sobre os Seus inimigos, ou seja, aos vencedores de Tiatira, Cristo promete privilégios semelhantes aos que Ele mesmo possui (veja 12:5; 19:15; 22:16).

“Eu compartilharei Minha autoridade com você”. Quando Cristo estabelecer o seu governo na terra, o ajudaremos nos julgamentos e no cuidado de Suas coisas. Promessa incrível.

Mas tem mais. Não só teremos o privilégio da autoridade, mas o versículo 28 simplesmente diz “e eu lhe darei a estrela da manhã”. O que é isso? Qual é a estrela da manhã? Bem, nós sabemos a resposta porque em Apocalipse 22:16, “Eu, Jesus, sou a brilhante estrela da manhã.” Então, quando Ele diz isso, Ele está dizendo: “Eu lhes darei Cristo”! Se você está entre os fiéis, eu lhe darei o reino, eu lhe darei o rei. Isso quer dizer tudo o que Deus tem - o reino e o rei.

"ao vencedor"

O nascido de novo é declarado "mais do que vencedor" por estar em Cristo ("por meio Daquele que nos amou" - Romanos 8:37), pois Cristo é mais do que vencedor, por ter vencido a morte (1 Coríntios 15:55; Apocalipse 1:18; Atos 2:24), o mundo (João 16:33) e o diabo (1 João 3:8b; Hebreus 2:15b; Marcos 3:27; João 12:31; Colossenses 2:15).

No contexto das sete cartas, é declarado vencedoraquele que atende o chamado ao arrependimento que é feito em cada situação específica de cada igreja em específico, assim:

Em Tiatira é declarado vencedor aquele que guarda até o fim as obras de Jesus Cristo (produzidas pelo Espírito) e não confia em suas próprias, ou seja, aquele que confia e descansa APENAS na Obra Consumada.

A carta a igreja de Pérgamo

 PÉRGAMO (exaltada pelo casamento que corrompe)

Quando o Édito de Milão foi expedido, mais do que reconhecer o cristianismo, o que aconteceu foi que a Igreja se associou ao Estado, eles se uniram, a igreja passou a fazer parte do mundo, e isso a contaminou, a igreja se tornou mundial e mundana.

Pérgamo é a igreja mundana.

E sabemos que a Palavra condena a associação com o mundo, com esse sistema (Tiago 4:4; 1 João 2:15-17; Romanos 12:2), o crente não pertence mais a esse mundo. “Não sois do mundo”, disse o Senhor em João 15:19, então, o crente não deve se comportar como se fosse.

A igreja de Pérgamo falhou em seguir as advertências bíblicas contra o mundanismo. Ela havia chegado a um acordo e corria o risco de se entrelaçar com o mundo.

“Ao anjo da igreja em Pérgamo escreve: Estas coisas diz aquele que tem a espada afiada de dois gumes... arrepende-te; e, se não, venho a ti sem demora e contra eles pelejarei com a espada da minha boca.” (Apocalipse 2:12,16)

A ÊNFASE DO TÍTULO ESTÁ NA CONFRONTAÇÃO.

Tiago ensina que “aquele, pois, que quiser ser amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus”, e é por isso que Cristo vem ao encontro dessa igreja com uma espada: “o amigo do meu inimigo se torna o meu inimigo também”, essa descrição de Cristo com a espada O revela como JUIZ e CARRASCO.

Ele trata com esse tipo de igreja da mesma forma que trata com a Besta e seus exércitos em Sua Vinda: “Sai da sua boca uma espada afiada, para com ela ferir as nações; e ele mesmo as regerá com cetro de ferro e, pessoalmente, pisa o lagar do vinho do furor da ira do Deus Todo-Poderoso. (Apocalipse 19:15; 2 Tessalonicenses 2:8)

É uma igreja que precisa ser disciplinada pela Palavra que sai da boca de Deus, pois a espada é símbolo da Palavra (Hebreus 4:12; Efésios 6:17)

Conheço o lugar em que habitas, onde está o trono de satanás (Apocalipse 2:13a)

Pérgamo foi construída em uma grande colina rochosa cônica elevando-se a 300 metros acima da planície, é um lugar exaltado, de destaque, como um trono. Dá ao viajante que passa a impressão de autoridade, de ousadia, de assombro.

E, neste platô, estava o suntuoso templo de Zeus, o deus maior da mitologia grega (com seu imponente trono de 1.440 m² e 5 metros de altura, uma estrutura impressionante) cuja adoração se associou ao primeiro templo de adoração ao imperador na Ásia, erigido em homenagem a César Augusto, em 29 a.C.

A cidade se tornou referência na adoração aos imperadores e, se em outras cidades do império, os cristãos corriam perigo em um dia por ano em que eram obrigados a oferecer sacrifícios ao imperador. Em Pérgamo, eles corriam perigo todos os dias.

Essa identificação da cidade com satanás era reforçada também pela presença do templo ao deus da cura e da medicina, Asklepios, para o qual as pessoas vinham de todo o mundo antigo para serem curadas em seu santuário. Asklepios era representado por uma serpente, e cobras não venenosas vagavam livremente em seu templo. Devotos em busca de cura se deitavam no chão do templo, esperando ser picados por uma das cobras para serem curados. Esse simbolismo sem dúvida lembra os cristãos de Satanás que é chamado de “a antiga serpente” (Apocalipse 12:9).

Jesus sabia que a igreja de Pérgamo habitava no olho do furacão e que a pressão do mundo era forte e constante.

A cidade existe até hoje e se chama BERGAMA.

“e que conservas o meu nome e não negaste a minha fé, ainda nos dias de Antipas, minha testemunha, meu fiel, o qual foi morto entre vós, onde Satanás habita. (Apocalipse 2:13b)

Apesar da pressão que suportaram, os crentes em Pérgamo continuaram a apegar-se ao Nome de Cristo e não negaram a fé, ela manteve sua fidelidade mesmo nos dias de Antipas, a quem Cristo descreveu como um mártir fiel.

Antipas provavelmente foi um dos líderes da igreja de Pérgamo. Segundo a tradição, ele foi assado até a morte dentro de um touro de latão durante a perseguição do imperador Domiciano.

Antipas pagou o preço final por sua recusa em transigir com o mundo. Por causa de sua fidelidade, o Senhor ressuscitado elogiou Antipas com um título usado por Ele mesmo! (Apocalipse 1:5; 3:14 – Fiel Testemunha). A fidelidade e a coragem de Antipas foram uma repreensão e uma mensagem de estímulo para aqueles em Pérgamo que foram tentados a se comprometer com o mundo.

“Tenho, todavia, contra ti algumas coisas” (Apocalipse 2:14a)

A igreja de Pérgamo permaneceu leal a Cristo. No entanto, nem tudo estava bem.

Depois de os elogiar Cristo os informou: “Tenho algumas coisas contra vocês”.

Sua preocupação era que eles tinham alguns que se apegavam a falsos ensinos. Embora a maioria dos crentes em Pérgamo fosse fiel à verdade, havia alguns que seguiam doutrinas erradas.

Especificamente, Cristo estava preocupado com duas heresias.

A primeira estava associada a um personagem do Antigo Testamento: Balaão;

A segunda estava associada a uma pessoa do Novo Testamento: Nicolau.

“pois que tens aí os que sustentam a doutrina de Balaão, o qual ensinava a Balaque a armar ciladas diante dos filhos de Israel para comerem coisas sacrificadas aos ídolos e praticarem a prostituição. (Apocalipse 2:14b)

A história de Balaão, um profeta mercenário, encontra-se em Números 22–25. Temeroso dos israelitas por causa do que haviam feito aos amorreus, Balaque contratou Balaão para amaldiçoá-los. Depois de tentar três vezes, sem sucesso, amaldiçoar Israel, Balaão bolou outro plano. Visto que ele era incapaz de amaldiçoar os israelitas, ele decidiu corrompê-los ensinando Balaque a tentá-los a comer coisas sacrificadas aos ídolos e a cometer atos de imoralidade. Ele usou mulheres moabitas para atrair os israelitas ao comportamento do mundo ímpio ao redor deles, envolvendo imoralidade sexual e idolatria (Números 25; 31:16).

Essa é a tática: se você não pode destruir Israel ou a Igreja (Números 23:23; Mateus 16:18), coloque-os como inimigos de Deus e, Deus mesmo os tratará como juiz e carrasco.

O plano de Balaão deu certo pois essa união com Satanás e falsos deuses destruiu seu poder espiritual e trouxe o julgamento de Deus sobre Israel, executando 24.000 pessoas (25:9), incluindo muitos dos líderes (25:4,5).

Visto que Deus julgou severamente Israel por sua idolatria, Cristo ameaça fazer o mesmo aqui, por isso os repreende, “Portanto, arrepende-te (muda de comportamento); se não, venho a ti sem demora e pelejarei com a com a espada da minha boca”. (Apocalipse 2:16)

Os crentes de Pérgamo acreditavam que alguém poderia participar das festas pagãs (mundanismo) e ainda se juntar à igreja para adorar Jesus Cristo ou, que poderiam garantir a preservação das coisas físicas em detrimento das coisas espirituais e eternas sem ter consequências.

Mas, somente no caso de mudança de atitude e comportamento Deus os poderia receber novamente:

“Não vos ponhais em jugo desigual com os incrédulos; porquanto que sociedade pode haver entre a justiça e a iniquidade? Ou que comunhão, da luz com as trevas?
Que harmonia, entre Cristo e o Maligno? Ou que união, do crente com o incrédulo?
Que ligação há entre o santuário de Deus e os ídolos? Porque nós somos santuário do Deus vivente, como ele próprio disse: Habitarei e andarei entre eles; serei o seu Deus, e eles serão o meu povo.
Por isso, retirai-vos do meio deles, separai-vos, diz o Senhor; não toqueis em coisas impuras; e eu vos receberei,
serei vosso Pai, e vós sereis para mim filhos e filhas, diz o Senhor Todo-Poderoso.”
(2 Coríntios 6:14-18)

“Outrossim, também tu tens os que da mesma forma sustentam a doutrina dos nicolaítas.” (Apocalipse 2:15)

O segundo falso ensino tolerado em Pérgamo envolvia uma figura do Novo Testamento chamada Nicolau.

Nicolau foi um dos sete homens escolhidos para supervisionar a distribuição de alimentos em Atos 6:5, ele era um prosélito do judaísmo que se converteu a Cristo. Não se sabe se ele se rebelou (como alguns dos pais da igreja primitiva acreditavam) ou se seus seguidores distorceram seus ensinamentos. Mas o fato dele ser o último nome citado na lista de diáconos (a semelhança de Iscariotes na lista dos doze) traz uma suposição de desmerecimento...

Abusando da liberdade cristã, os nicolaítas também ensinaram que os cristãos podiam participar de práticas sexuais pagãs, e os testemunhos que nos chegaram dos pais da igreja comentam que eles eram crentes displicentes e indiscretos, indiferentes ao rigor doutrinário, que optavam pela forma helenística de lidar com o problema, ou seja, para combater a carne devemos abusar da carne ou, que a carne nada importa.

Em Apocalipse 2:6, na carta a igreja de Éfeso é dito que eles odiavam (rejeitavam) AS OBRAS dos nicolaítas. Já aqui na carta a Pérgamo, aquilo que fora o comportamento de um homem que era imitado por seguidores, se tornara UM ENSINO, algo divulgado para ser imitado.

E qual foi a obra (comportamento habitual) de Nicolau que passou a ser imitado em Éfeso e ensinado em Pérgamo? Segundo alguns testemunhos da época, Nicolau após ser sido acusado de ser ciumento em excesso e de considerar a esposa como tendo mais valor do que o próprio Cristo (por ter uma esposa de beleza excepcionalmente admirável) passou a dar permissão para qualquer um que quisesse se unir sexualmente a ela, pois ele via nisso uma forma de “arrancar um olho ou uma mão” que era causa de tropeço (Marcos 9:43-48) e, que ele não podia servir a dois senhores, pois sua mulher havia se lhe tornado um ídolo...

O ensino dos nicolaítas era um tratamento mais flexível com as questões relacionadas a sexualidade

A maioria dos crentes de Pérgamo não participou dos erros desses dois grupos, pois o texto fala deles como “tens aí os que”. Ainda assim, ao tolerar os grupos e se recusar a exercer a disciplina da igreja, eles compartilharam sua culpa.

A igreja não pode tolerar o mal. Paulo escreveu aos coríntios, que toleravam um homem culpado de incesto: “Sua vanglória não é boa. Não sabes que um pouco de fermento leveda toda a massa? Lançai fora o velho fermento, para que sejais nova massa, como sois, de fato, sem fermento” (1 Coríntios 5:6–7).

“Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas: Ao vencedor, dar-lhe-ei do maná escondido, bem como lhe darei uma pedrinha branca, e sobre essa pedrinha escrito um nome novo, o qual ninguém conhece, exceto aquele que o recebe.” (Apocalipse 2:17)

Cristo promete três coisas aos membros fiéis da igreja de Pérgamo.

1. O maná escondido. O maná era um pão com sabor de mel que Deus usou para alimentar os israelitas durante seus anos de peregrinação pelo deserto (Êxodo 16). De acordo com Êxodo 16:33, os israelitas deviam se lembrar da provisão de Deus mantendo um jarro de maná dentro da arca da aliança durante suas viagens. O maná escondido representa Jesus Cristo, o Pão da Vida que desceu do céu (João 6:48–51). Ele fornece sustento espiritual para aqueles que colocam sua fé Nele. O maná escondido simboliza todas as bênçãos e benefícios de conhecer a Cristo (Efésios 1: 3).

2. A pedra branca. Era um costume romano conceder pedras brancas aos vencedores em competições atléticas. Uma pedra branca, gravada com o nome do atleta, servia como seu ingresso para um banquete de premiação especial. Assim, Cristo promete aos vencedores a entrada para a celebração da vitória eterna no céu.

3. Um nome novo. Como texto indica, não podemos saber qual é esse novo nome até que o recebamos. A palavra grega aqui traduzida como “novo” não significa novo em contraste com o antigo, mas novo no sentido de uma qualidade diferente. Isso refletirá uma certa exclusividade no amor especial de Deus por cada um de Seus filhos.

O Senhor deseja que busquemos o nosso sustento (maná) e celebração (pedra branca) Nele, e em mais nada ou ninguém; e que O tenhamos com exclusividade (nome novo).

“Eu sou o Senhor, este é o meu nome; a minha glória, pois, não a darei a outrem, nem a minha honra aos ídolos.” (Isaías 42:8)

A igreja de Pérgamo enfrentou a mesma escolha que todas as igrejas enfrentam hoje, e que cada crente em particular também enfrenta.

Pérgamo estava tentada a adorar o imperador romano, tirando Cristo do Seu lugar exclusivo de honra colocando satanás no trono do próprio coração. Seja algo grotesco como “outras divindades”, ou sejam coisas mais sutis, como pessoas, coisas materiais, profissão e carreira, ou qualquer outra coisa que venha a ocupar o coração do crente e se tornar a sua prioridade, não será aprovado e nem tolerado por Deus, pelo contrário, Ele lutará contra isso.

Podemos nos arrepender de nossas associações indevidas com as coisas deste mundo e receber bênçãos especiais na vida eterna.

Ou podemos nos recusar a se arrepender e enfrentar a terrível realidade de ter Cristo nos declarando guerra através das consequências que podemos colher por desafiar a Sua Palavra (a espada).

“aquilo que o homem semear, isso também ceifará.
Porque o que semeia para a sua própria carne da carne colherá corrupção; mas o que semeia para o Espírito do Espírito colherá vida eterna.” (
Gálatas 6:7b,8)

"ao vencedor"

O nascido de novo é declarado "mais do que vencedor" por estar em Cristo ("por meio Daquele que nos amou" - Romanos 8:37), pois Cristo é mais do que vencedor, por ter vencido a morte (1 Coríntios 15:55; Apocalipse 1:18; Atos 2:24), o mundo (João 16:33) e o diabo (1 João 3:8b; Hebreus 2:15b; Marcos 3:27; João 12:31; Colossenses 2:15).

No contexto das sete cartas, é declarado vencedoraquele que atende o chamado ao arrependimento que é feito em cada situação específica de cada igreja em específico, assim:

Em Pérgamo é declarado vencedor aquele que muda de comportamento com relação a sua participação das coisas do mundo em concomitância com a verdadeira adoração (sustentar a doutrina de Balaão) e com relação a flexibilidade dada as questões morais (sustentar o ensino dos nicolaítas).