PÉRGAMO (exaltada pelo casamento que corrompe)
Quando o Édito de Milão foi expedido,
mais do que reconhecer o cristianismo, o que aconteceu foi que a Igreja se
associou ao Estado, eles se uniram, a igreja passou a fazer parte do mundo, e
isso a contaminou, a igreja se tornou mundial e mundana.
Pérgamo é a igreja mundana.
E sabemos que a Palavra condena a
associação com o mundo, com esse sistema (Tiago 4:4; 1 João 2:15-17; Romanos
12:2), o crente não pertence mais a esse mundo. “Não sois do mundo”,
disse o Senhor em João 15:19, então, o crente não deve se comportar
como se fosse.
A igreja de Pérgamo falhou em seguir as
advertências bíblicas contra o mundanismo. Ela havia chegado a um acordo e
corria o risco de se entrelaçar com o mundo.
“Ao anjo da igreja em Pérgamo escreve:
Estas coisas diz aquele que tem a espada afiada de dois gumes...
arrepende-te; e, se não, venho a ti sem demora e contra eles pelejarei com a
espada da minha boca.” (Apocalipse
2:12,16)
A ÊNFASE DO TÍTULO ESTÁ NA
CONFRONTAÇÃO.
Tiago ensina que “aquele, pois, que
quiser ser amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus”, e é por isso que
Cristo vem ao encontro dessa igreja com uma espada: “o amigo do meu inimigo se
torna o meu inimigo também”, essa descrição de Cristo com a espada O revela
como JUIZ e CARRASCO.
Ele trata com esse tipo de igreja da
mesma forma que trata com a Besta e seus exércitos em Sua Vinda: “Sai da sua
boca uma espada afiada, para com ela ferir as nações; e ele mesmo as regerá com
cetro de ferro e, pessoalmente, pisa o lagar do vinho do furor da ira do Deus
Todo-Poderoso.” (Apocalipse
19:15; 2 Tessalonicenses 2:8)
É uma igreja que precisa ser disciplinada
pela Palavra que sai da boca de Deus, pois a espada é símbolo da Palavra
(Hebreus 4:12; Efésios 6:17)
Conheço o lugar em que habitas, onde está
o trono de satanás (Apocalipse
2:13a)
Pérgamo foi construída em uma grande
colina rochosa cônica elevando-se a 300 metros acima da planície, é um lugar
exaltado, de destaque, como um trono. Dá ao viajante que passa a impressão de
autoridade, de ousadia, de assombro.
E, neste platô, estava o suntuoso templo
de Zeus, o deus maior da mitologia grega (com seu imponente trono de 1.440 m² e
5 metros de altura, uma estrutura impressionante) cuja adoração se associou ao
primeiro templo de adoração ao imperador na Ásia, erigido em homenagem a César
Augusto, em 29 a.C.
A cidade se tornou referência na adoração
aos imperadores e, se em outras cidades do império, os cristãos corriam perigo
em um dia por ano em que eram obrigados a oferecer sacrifícios ao imperador. Em
Pérgamo, eles corriam perigo todos os dias.
Essa identificação da cidade com satanás
era reforçada também pela presença do templo ao deus da cura e da medicina,
Asklepios, para o qual as pessoas vinham de todo o mundo antigo para serem
curadas em seu santuário. Asklepios era representado por uma serpente, e cobras
não venenosas vagavam livremente em seu templo. Devotos em busca de cura se
deitavam no chão do templo, esperando ser picados por uma das cobras para serem
curados. Esse simbolismo sem dúvida lembra os cristãos de Satanás que é chamado
de “a antiga serpente” (Apocalipse 12:9).
Jesus sabia que a igreja de Pérgamo
habitava no olho do furacão e que a pressão do mundo era forte e constante.
A cidade existe até hoje e se chama
BERGAMA.
“e que conservas o meu nome e não
negaste a minha fé, ainda nos dias de Antipas, minha testemunha, meu fiel,
o qual foi morto entre vós, onde Satanás habita. (Apocalipse
2:13b)
Apesar da pressão que suportaram, os
crentes em Pérgamo continuaram a apegar-se ao Nome de Cristo e não negaram a
fé, ela manteve sua fidelidade mesmo nos dias de Antipas, a quem Cristo
descreveu como um mártir fiel.
Antipas provavelmente foi um dos líderes
da igreja de Pérgamo. Segundo a tradição, ele foi assado até a morte dentro de
um touro de latão durante a perseguição do imperador Domiciano.
Antipas pagou o preço final por sua
recusa em transigir com o mundo. Por causa de sua fidelidade, o Senhor ressuscitado
elogiou Antipas com um título usado por Ele mesmo! (Apocalipse 1:5; 3:14 – Fiel
Testemunha). A fidelidade e a coragem de Antipas foram uma repreensão e uma
mensagem de estímulo para aqueles em Pérgamo que foram tentados a se
comprometer com o mundo.
“Tenho, todavia, contra ti algumas
coisas” (Apocalipse 2:14a)
A igreja de Pérgamo permaneceu leal a
Cristo. No entanto, nem tudo estava bem.
Depois de os elogiar Cristo os informou:
“Tenho algumas coisas contra vocês”.
Sua preocupação era que eles tinham
alguns que se apegavam a falsos ensinos. Embora a maioria dos crentes em
Pérgamo fosse fiel à verdade, havia alguns que seguiam doutrinas erradas.
Especificamente, Cristo estava preocupado
com duas heresias.
A primeira estava associada a um
personagem do Antigo Testamento: Balaão;
A segunda estava associada a uma pessoa
do Novo Testamento: Nicolau.
“pois que tens aí os que sustentam a
doutrina de Balaão, o qual ensinava a Balaque a armar ciladas diante dos filhos
de Israel para comerem coisas sacrificadas aos ídolos e praticarem a
prostituição. (Apocalipse 2:14b)
A história de Balaão, um profeta mercenário,
encontra-se em Números 22–25. Temeroso dos israelitas por causa do que haviam
feito aos amorreus, Balaque contratou Balaão para amaldiçoá-los. Depois de
tentar três vezes, sem sucesso, amaldiçoar Israel, Balaão bolou outro plano.
Visto que ele era incapaz de amaldiçoar os israelitas, ele decidiu corrompê-los
ensinando Balaque a tentá-los a comer coisas sacrificadas aos ídolos e a
cometer atos de imoralidade. Ele usou mulheres moabitas para atrair os
israelitas ao comportamento do mundo ímpio ao redor deles, envolvendo
imoralidade sexual e idolatria (Números 25; 31:16).
Essa é a tática: se você não pode
destruir Israel ou a Igreja (Números 23:23; Mateus 16:18), coloque-os como
inimigos de Deus e, Deus mesmo os tratará como juiz e carrasco.
O plano de Balaão deu certo pois essa
união com Satanás e falsos deuses destruiu seu poder espiritual e trouxe o
julgamento de Deus sobre Israel, executando 24.000 pessoas (25:9), incluindo
muitos dos líderes (25:4,5).
Visto que Deus julgou severamente Israel
por sua idolatria, Cristo ameaça fazer o mesmo aqui, por isso os repreende, “Portanto,
arrepende-te (muda de comportamento); se não, venho a ti sem demora e pelejarei
com a com a espada da minha boca”. (Apocalipse
2:16)
Os crentes de Pérgamo acreditavam que alguém poderia
participar das festas pagãs (mundanismo) e ainda se juntar à igreja para adorar
Jesus Cristo ou, que poderiam garantir a preservação das coisas físicas em
detrimento das coisas espirituais e eternas sem ter consequências.
Mas, somente no caso de mudança de atitude e comportamento
Deus os poderia receber novamente:
“Não vos ponhais em jugo desigual com os incrédulos;
porquanto que sociedade pode haver entre a justiça e a iniquidade? Ou que
comunhão, da luz com as trevas?
Que harmonia, entre Cristo e o Maligno? Ou que união, do crente com o
incrédulo?
Que ligação há entre o santuário de Deus e os ídolos? Porque nós somos
santuário do Deus vivente, como ele próprio disse: Habitarei e andarei entre
eles; serei o seu Deus, e eles serão o meu povo.
Por isso, retirai-vos do meio deles, separai-vos, diz o Senhor; não toqueis em
coisas impuras; e eu vos receberei,
serei vosso Pai, e vós sereis para mim filhos e filhas, diz o Senhor
Todo-Poderoso.” (2
Coríntios 6:14-18)
“Outrossim, também tu tens os que da
mesma forma sustentam a doutrina dos nicolaítas.” (Apocalipse
2:15)
O segundo falso ensino tolerado em
Pérgamo envolvia uma figura do Novo Testamento chamada Nicolau.
Nicolau foi um dos sete homens
escolhidos para supervisionar a distribuição de alimentos em Atos 6:5, ele
era um prosélito do judaísmo que se converteu a Cristo. Não se sabe se ele se
rebelou (como alguns dos pais da igreja primitiva acreditavam) ou se seus
seguidores distorceram seus ensinamentos. Mas o fato dele ser o último nome
citado na lista de diáconos (a semelhança de Iscariotes na lista dos doze)
traz uma suposição de desmerecimento...
Abusando da liberdade cristã, os
nicolaítas também ensinaram que os cristãos podiam participar de práticas
sexuais pagãs, e os testemunhos que nos chegaram dos pais da igreja
comentam que eles eram crentes displicentes e indiscretos, indiferentes ao
rigor doutrinário, que optavam pela forma helenística de lidar com o
problema, ou seja, para combater a carne devemos abusar da carne ou, que a
carne nada importa.
Em Apocalipse 2:6, na carta a igreja de
Éfeso é dito que eles odiavam (rejeitavam) AS OBRAS dos nicolaítas. Já
aqui na carta a Pérgamo, aquilo que fora o comportamento de um homem que
era imitado por seguidores, se tornara UM ENSINO, algo divulgado para
ser imitado.
E qual foi a obra (comportamento
habitual) de Nicolau que passou a ser imitado em Éfeso e ensinado em Pérgamo?
Segundo alguns testemunhos da época, Nicolau após ser sido acusado de ser
ciumento em excesso e de considerar a esposa como tendo mais valor do que o
próprio Cristo (por ter uma esposa de beleza excepcionalmente admirável) passou
a dar permissão para qualquer um que quisesse se unir sexualmente a ela, pois
ele via nisso uma forma de “arrancar um olho ou uma mão” que era causa de
tropeço (Marcos 9:43-48) e, que ele não podia servir a dois senhores, pois sua
mulher havia se lhe tornado um ídolo...
O ensino dos nicolaítas era um
tratamento mais flexível com as questões relacionadas a sexualidade
A maioria dos crentes de Pérgamo não
participou dos erros desses dois grupos, pois o texto fala deles como “tens aí os
que”. Ainda assim, ao tolerar os grupos e se recusar a exercer a disciplina
da igreja, eles compartilharam sua culpa.
A igreja não pode tolerar o mal. Paulo
escreveu aos coríntios, que toleravam um homem culpado de incesto: “Sua
vanglória não é boa. Não sabes que um pouco de fermento leveda toda a massa?
Lançai fora o velho fermento, para que sejais nova massa, como sois, de fato,
sem fermento” (1 Coríntios 5:6–7).
“Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito
diz às igrejas: Ao vencedor, dar-lhe-ei do maná escondido, bem como lhe darei
uma pedrinha branca, e sobre essa pedrinha escrito um nome novo, o qual ninguém
conhece, exceto aquele que o recebe.” (Apocalipse
2:17)
Cristo promete três coisas aos membros
fiéis da igreja de Pérgamo.
1. O maná escondido. O maná era um
pão com sabor de mel que Deus usou para alimentar os israelitas durante seus
anos de peregrinação pelo deserto (Êxodo 16). De acordo com Êxodo 16:33, os
israelitas deviam se lembrar da provisão de Deus mantendo um jarro de maná
dentro da arca da aliança durante suas viagens. O maná escondido representa
Jesus Cristo, o Pão da Vida que desceu do céu (João 6:48–51). Ele fornece
sustento espiritual para aqueles que colocam sua fé Nele. O maná escondido
simboliza todas as bênçãos e benefícios de conhecer a Cristo (Efésios 1:
3).
2. A pedra branca. Era um costume
romano conceder pedras brancas aos vencedores em competições atléticas.
Uma pedra branca, gravada com o nome do atleta, servia como seu ingresso para
um banquete de premiação especial. Assim, Cristo promete aos vencedores a
entrada para a celebração da vitória eterna no céu.
3. Um nome novo. Como texto
indica, não podemos saber qual é esse novo nome até que o recebamos. A
palavra grega aqui traduzida como “novo” não significa novo em contraste com o
antigo, mas novo no sentido de uma qualidade diferente. Isso refletirá uma
certa exclusividade no amor especial de Deus por cada um de Seus filhos.
O Senhor deseja que busquemos o nosso
sustento (maná) e celebração (pedra branca) Nele, e em mais nada ou ninguém; e
que O tenhamos com exclusividade (nome novo).
“Eu sou o Senhor, este é o meu nome; a
minha glória, pois, não a darei a outrem, nem a minha honra aos ídolos.” (Isaías
42:8)
A igreja de Pérgamo enfrentou a mesma
escolha que todas as igrejas enfrentam hoje, e que cada crente em particular
também enfrenta.
Pérgamo estava tentada a adorar o
imperador romano, tirando Cristo do Seu lugar exclusivo de honra colocando
satanás no trono do próprio coração. Seja algo grotesco como “outras
divindades”, ou sejam coisas mais sutis, como pessoas, coisas materiais,
profissão e carreira, ou qualquer outra coisa que venha a ocupar o coração do
crente e se tornar a sua prioridade, não será aprovado e nem tolerado por Deus,
pelo contrário, Ele lutará contra isso.
Podemos nos arrepender de
nossas associações indevidas com as coisas deste mundo e receber bênçãos especiais
na vida eterna.
Ou podemos nos recusar a se arrepender e
enfrentar a terrível realidade de ter Cristo nos declarando guerra através das
consequências que podemos colher por desafiar a Sua Palavra (a espada).
“aquilo que o homem semear, isso também
ceifará.
Porque o que semeia para a sua própria carne da carne colherá corrupção; mas o
que semeia para o Espírito do Espírito colherá vida eterna.” (Gálatas
6:7b,8)
"ao vencedor"
O nascido de novo é declarado "mais do que
vencedor" por estar em Cristo ("por meio Daquele que
nos amou" - Romanos 8:37), pois Cristo é mais do que vencedor, por ter
vencido a morte (1 Coríntios 15:55; Apocalipse 1:18; Atos 2:24), o mundo (João
16:33) e o diabo (1 João 3:8b; Hebreus 2:15b; Marcos 3:27; João 12:31;
Colossenses 2:15).
No contexto das sete cartas, é declarado
vencedor, aquele que atende o chamado ao arrependimento que
é feito em cada situação específica de cada igreja em específico, assim:
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