quinta-feira, 18 de fevereiro de 2021

A carta a igreja de Filadélfia

 FILADÉLFIA (amor fraternal)

A cidade foi fundada em 189 a.C. pelo rei Eumenes II de Pérgamo que batizou a cidade em honra do seu irmão, que seria seu sucessor, Átalo II, cuja lealdade lhe valeu o apelido de "Philadelphos", que significa literalmente "alguém que ama seu irmão".

Diz a lenda que Zeus visitou pessoalmente a cidade e foi dito que ele mandou que o povo deveria ser puro, não praticar o engano, o assassinato, o roubo, o adultério e outros tipos de mal.

Daí que Filadélfia se diferenciava das outras cidades do império, predominantemente devassas e o seu povo era hospitaleiro e fraternal, era uma cidade do bem.

Era uma cidade que se preocupava mais com as questões espirituais do que com as questões materiais, tanto que suas divindades estavam ligadas a família, as virtudes e a saúde, como Héstia, a deusa do amor e do lar.

O evangelho foi bem recebido na cidade, pois seus habitantes tinham interesse na vida além-túmulo e na salvação da alma.

A cidade existe até hoje e se chama ALLAH-SHEAR, "a Cidade de Deus".

“Ao anjo da igreja em Filadélfia escreve: Estas coisas diz o santo, o verdadeiro, aquele que tem a chave de Davi, que abre, e ninguém fechará, e que fecha, e ninguém abrirá:” (Apocalipse 3:7)

A ÊNFASE DO TÍTULO ESTÁ NA OPORTUNIDADE.

Aqui vemos a divindade de Cristo na aplicação de um título pelo Filho que é exclusivamente do Pai. Este título é aplicado repetidamente a יהוה (Yahweh) no Antigo Testamento (Levítico 19:2; 2 Reis 19:22; Salmos 22:3; 71:22; 78:41; 89:18; Isaías 1:4; 5:19,24; 6:3; 10:20; 12:6; 17:7; 29:19; 30:11,12,15; 31:1; 37:23; 40:25; 41:14,16,20; 43:3,14,15; 45:11; 47:4; 48:17; 49:7; 54:5; 55:5; 57:15; 60:9,14; Jeremias 50:29; 51:5; Ezequiel 39:7), o Santo de Israel. A santidade de Jesus é um reflexo de sua identificação com o Pai na Divindade. “Eu e Meu Pai somos um” (João 10:30). Hagios caracteriza Jesus como alguém especialmente separado, uma característica exclusiva de Deus (Salmos 16:10; Lucas 1:35; Marcos 1:23; João 6:69; Atos 3:14; 1 Pedro 1:15)

"Com efeito, nos convinha um sumo sacerdote como este, santo, inculpável, sem mácula, separado dos pecadores e feito mais alto do que os céus." (Hebreus 7:26)

Não só isso, Ele é verdadeiro. Ele é verdadeiro em si mesmo. Ele é o autor da verdade. Ele é o revelador da verdade, Ele é a verdade (João 14:6).

Não pode haver santidade sem a Verdade, "Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade." (João 17:17), as duas andam juntas.

Então, porque Jesus Cristo se apresenta a essa igreja sob estes títulos? Jesus escolheu esses termos descritivos porque isso seria um imenso encorajamento para esta igreja: “Eu sou absolutamente santo, e valorizo ​​a verdade, e minha santidade e minha verdade os examinaram, e não há nada para condenar”.

Nesta carta, assim como na carta a Esmirna, não existe censura ou repreensão!

Elas estão no centro da vontade de Deus para a igreja: ou se morre pela Verdade ou se apega e se propaga a verdade. A igreja do Deus vivo é a coluna e o baluarte da verdade. (1 Timóteo 3:15), ou seja, aquela que a sustenta e abriga.

E já que esta igreja é fiel, está dentro da vontade ideal de Deus para a Igreja, e não tem nada que ser repreendido, o que resta é que o Senhor lhe dê oportunidades e autoridade para trabalhar a favor do Reino. E é isso que Ele faz, por isso se apresenta como quem tem a chave.

CHAVE nas Escrituras é autoridade, controle, poder. Ele comissiona e capacita:

mas recebereis poder...e sereis minhas testemunhas” (Atos 1:8)

A alusão a Chave de Davi é uma citação de Isaías 22:22, nesse texto, a Escritura fala sobre um homem chamado Eliaquim, filho de Hilquias. que viveu na época em que Ezequias era rei. Ezequias tinha um tesouro guardado em uma casa do tesouro. E Eliaquim, era o guardador da chave desse cofre. Era o tesouro real, então era o tesouro de Davi porque Davi era a linhagem real. E a tesouraria acumulada desde Davi continuou aumentando e aumentando até o tempo de Ezequias (2 Reis 20:17a), quando foi carregada com enormes riquezas. Tão grande era o tesouro, que Ezequias, após ter 15 anos de vida acrescentados, se enfatuou de ostentação e o apresentou aos embaixadores da Babilônia, se gabando (2 Reis 20:12-18).

Eliaquim era o detentor da chave, o que significa que ele tinha a autoridade, o controle do tesouro. Ele poderia abrir suas riquezas, ele poderia fechá-las. A chave de Davi, então, era a autoridade sobre as riquezas reais. E aqui, Jesus diz: “Sou eu que tenho a chave de Davi. Sou eu que posso abrir o tesouro e derramar sobre você as riquezas reais.

Essa chave destranca o acesso ao reino dos céus. Jesus Cristo pode abrir a porta para permitir que qualquer pessoa entre no Reino. Jesus Cristo é soberano, no capítulo 1, versículo 18, tinha as chaves do inferno e da morte. E aqui, Ele tem as chaves para a salvação e bênção. Ele pode enviar pessoas para o inferno ou pode abrir a porta e enviá-las para o céu. Ele pode fechar a casa do tesouro ou pode abri-la. Os tesouros da salvação. Só depende Dele. “Assim, pois, não depende de quem quer ou de quem corre, mas de usar Deus a sua misericórdia. Logo, tem ele misericórdia de quem quer e também endurece a quem lhe apraz.” (Romanos 9:16,18) e “Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, a saber, aos que creem no seu nome; os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus.” (João 1:12,13)

E se Ele abrir, ninguém pode fechar; e se Ele fechar ninguém pode abrir, isso fala de onipotência.

Jesus Cristo está concedendo esse poder, essa autoridade a Filadélfia da mesma forma como Ele dera a Pedro em Mateus 16:19 “Dar-te-ei as chaves do reino dos céus; o que ligares na terra terá sido ligado nos céus; e o que desligares na terra terá sido desligado nos céus.

E, de fato, no período que Filadélfia profeticamente representa (séculos XVIII e XIX) houve uma explosão evangelística e missionária, o maior avivamento espiritual da história da Igreja, bem como o surgimento das Sociedades Bíblicas, que traduziram e levaram as Escrituras a centenas de línguas e culturas, nunca a Bíblia foi tão divulgada!

Nomes como Hudson Taylor, David Livinstone, William Carey, Adoniram Judson, Jonathan Edwards (que pregou o sermão mais famoso da história: "Pecadores nas Mãos de um Deus Irado"), Amy Beatrice Carmichael e muitos, muitos outros.

Foi nesse momento dispensacional também, que se iniciou o estudo mais aprofundado dos livros de Daniel e do Apocalipse, quando o interesse pela escatologia se acentuou e a doutrina dispensacionalista, bem como o método gramático-histórico, se cristalizaram.

Conheço as tuas obras — eis que tenho posto diante de ti uma porta aberta, a qual ninguém pode fechar — que tens pouca força, entretanto, guardaste a minha palavra e não negaste o meu nome. (Apocalipse 3:8)

PORTA significa acesso, permissão, oportunidade. O Senhor abre a porta da fé quando oferece o Evangelho (Atos 14:27; 16:14; Lucas 24:45) dando acesso a salvação e a comunhão; e abre as portas de trabalho para que a Palavra seja divulgada (1 Coríntios 16:9; 2 Coríntios 2:12; Colossenses 4:3).

A situação da cidade explica totalmente essa citação. Filadélfia ficava na extremidade superior de um longo vale, que se abre para o mar. Depois de passar pela Filadélfia, a estrada ao longo deste vale sobe até a terra da Frígia e o grande Planalto Central, a massa principal da Ásia Menor. Esta estrada era a que conduzia do porto de Esmirna às partes nordeste da Ásia Menor e ao Oriente em geral, a única rival da grande rota que conectava Éfeso com o Oriente, e a maior rota comercial asiática … Filadélfia, portanto, era a guardiã da porta de entrada para o planalto.

“tens pouca força”, Jesus não censura essa igreja, mas diz que ela possui pouca força, o que não é algo negativo, isso pode estar relacionado ao fato de ela ser pequena em número ou limitada de recursos. De qualquer maneira, isso se enquadra dentro do “modus operandi” divino, visto que o poder do Senhor se torna mais expressivo na fraqueza e na limitação humanas (Juízes 6:14,15; 7:2-7; 2 Reis 6:16; 2 Crônicas 20:12; Joel 3:10; 2 Coríntios 12:9,10; Filipenses 4:13)

O Senhor não chama os capacitados, mas capacita os chamados!

guardaste a minha palavra”, esse é o segredo do sucesso espiritual e da vida, pois quando se é “operoso praticante, esse será bem-aventurado no que realizar” (Tiago 1:25; Salmos 1:2,3).

E Filadélfia se manteve fiel ao que recebeu, foi mantendo Sua Palavra - e os mandamentos nele contidos - que a igreja de Filadélfia demonstrou a profundidade de seu amor por Cristo (João 14:21-24).

Não era fácil viver o evangelho, pregar o evangelho, defender o evangelho naquele período de tempo no final do primeiro século: Cristo havia sido rejeitado, os apóstolos foram mortos. João, o apóstolo final, que realmente era o patriarca dessas igrejas na Ásia Menor, estava no exílio em Patmos: um homem muito velho, quebrando pedras com o resto dos prisioneiros até sua morte. A igreja estava sob perseguição e a perseguição era violenta. E então o que você tem aqui são sete igrejas vivendo em um mundo hostil sob perseguição e o caráter que se desenvolve nessa situação.

E mesmo diante de tudo isso, Filadélfia (assim como Esmirna), não cedeu às pressões e manteve o testemunho do Nome de Jesus Cristo através de obediência (guardaste a minha palavra) e lealdade (não negaste o meu Nome)!

Eis farei que alguns dos que são da sinagoga de Satanás, desses que a si mesmos se declaram judeus e não são, mas mentem, eis que os farei vir e prostrar-se aos teus pés e conhecer que eu te amei. (Apocalipse 3:9)

Quem são esses judeus? são a semente natural de Abraão, os judeus incrédulos, que tinham circuncisão física, mas não tinham a circuncisão do coração:

Porque não é judeu quem o é apenas exteriormente, nem é circuncisão a que é somente na carne. Porém judeu é aquele que o é interiormente, e circuncisão, a que é do coração, no espírito, não segundo a letra, e cujo louvor não procede dos homens, mas de Deus.(Romanos 2:28-29)

Esses judeus confiaram em sua descendência física de Abraão, mas o negaram como pai por suas ações.

João Batista os advertiu “e não pensem em dizer a si mesmos: Nosso pai é Abraão. Pois vos digo que Deus é capaz de levantar filhos para Abraão destas pedras.” (Mateus.3:9).

Jesus igualmente: “Se sois filhos de Abraão, praticai as obras de Abraão.
Mas agora procurais matar-me, a mim que vos tenho falado a verdade que ouvi de Deus; assim não procedeu Abraão.
" (João 8:39b,40)

Paulo observou que apenas um subconjunto dos judeus eram o Israel de Deus (Gálatas 6:16). Este remanescente crente dentro de Israel, agora inseridos na Igreja, eram os verdadeiros judeus:

E não pensemos que a palavra de Deus haja falhado, porque nem todos os de Israel são, de fato, israelitas; nem por serem descendentes de Abraão são todos seus filhos; mas: Em Isaque será chamada a tua descendência. Isto é, estes filhos de Deus não são propriamente os da carne, mas devem ser considerados como descendência os filhos da promessa. (Romanos 9:6-8)

Ele advertiu a igreja de Filipos a tomar cuidado com a "mutilação" (um eufemismo para os judeus incrédulos circuncidados fisicamente, Gálatas 5:12):

Acautelai-vos dos cães! Acautelai-vos dos maus obreiros! Acautelai-vos da falsa circuncisão! Porque nós é que somos a circuncisão, nós que adoramos a Deus no Espírito, e nos gloriamos em Cristo Jesus, e não confiamos na carne. (Filipenses 3:2,3)

Os judeus incrédulos eram a maior ameaça à igreja primitiva (Atos 13:50; 14:2,5,19; 17:5).

O próprio Senhor Jesus foi pessoalmente perseguido por eles: "os quais (os judeus) não somente mataram o Senhor Jesus e os profetas, como também nos perseguiram, e não agradam a Deus, e são adversários de todos os homens, a ponto de nos impedirem de falar aos gentios para que estes sejam salvos, a fim de irem enchendo sempre a medida de seus pecados. A ira, porém, sobreveio contra eles, definitivamente." (1 Tessalonicenses 2:15,16)

Esta ameaça foi agravada porque os cristãos inicialmente desfrutavam de proteção contra Roma por ser considerada uma seita dentro Judaísmo. Visto que o judaísmo gozava de proteção como religião reconhecida por Roma, enquanto o cristianismo fosse visto como uma seita dentro do judaísmo, a perseguição era mínima. Mas a cisão fundamental entre o judaísmo e o cristianismo acabou gerando perseguição, não apenas dos judeus, mas também de Roma.

A perseguição pela sinagoga foi algo que Jesus havia alertado: Eles vos expulsarão das sinagogas; mas vem a hora em que todo o que vos matar julgará com isso tributar culto a Deus. Isto farão porque não conhecem o Pai, nem a mim.” (João 16:2,3; Mateus 23:34; Marcos 13:9; Lucas 21:12) e Paulo a experimentou intensamente (Atos 9:20-23; 13:45-50; 14:2; 17:5-10; 18:6,28; 19:9; 22:22).

Esta declaração chocante, “sinagoga de Satanás” afirma que os judeus que odiavam e rejeitavam Jesus Cristo eram seguidores de Satanás tanto quanto pagãos adoradores de ídolos (João 8:44)

 A perseguição pelos judeus incrédulos era motivada pela crença de que somente eles tinham o verdadeiro entendimento de Deus.

O termo "sinagoga" tem origem na palavra grega συναγωγή, composta de σύν (sýn) = “com, junto”, e ἄγω ('ago) = “conduta, educação”, cujo significado seria "assembleia para aprendizado". Pode se dizer que a sinagoga é uma escola.

Tem como objeto central a Arca da Torá, o culto envolve leituras da Torá, cujos rolos são retirados da Arca (heikhal) e transportados até o púlpito (Tebá).

A sinagoga foi um hábito adquirido na Babilônia devido à inexistência de um templo.

A sinagoga passou a funcionar como um ponto de encontro dos judeus para as orações e para a leitura das Escrituras.

A sinagoga não se limita ao prédio. As reuniões religiosas no judaísmo pós-destruição do templo eram feitas em casas privadas, e ainda há sinagogas que se reúnem em casas privadas até hoje.

Costume esse que foi adotado pelo cristianismo nascente, já que a maioria dos convertidos, inicialmente eram judeus. (Atos 5:42; 12:12; Romanos 16:5; Tiago 2:2)

É interessante observar que Satanás use seus especialistas, seus “profissionais mais qualificados” (a sinagoga de Satanás), exatamente para lidar com as duas igrejas que são mais prejudiciais aos seus propósitos: Esmirna e Filadélfia (Apocalipse 2:9b e 3:9a)

Por que? “Ora, todos quantos querem viver piedosamente em Cristo Jesus serão perseguidos.” (2 Timóteo 3:12)

"eis que os farei vir e prostrar-se aos teus pés", essa expressão pode parecer estranha, pois sabemos o quanto a Palavra condena a adoração de homens ou de anjos (Atos 10:25,26; 14:11-18; Apocalipse 19:10; 22:8,9).

Temos que entender o contexto bíblico deste tipo de manifestação, esta é uma alusão a numerosas passagens do AT que indicam que no Milênio, gentios virão e se prostrarão diante Israel em reconhecimento de que Deus está com eles (Isaías 45:15; 49:22-23; 60:14-16). Zacarias descreveu uma época em que os gentios honrarão os judeus fiéis porque, “ouvimos que Deus é convosco” (Zacarias.8:20-23).

Então, este não é um gesto de adoração, mas de reconhecimento e honra. Não se está “prostrando a” mas, “diante de”. O que aconteceu, por exemplo com Daniel depois que ele revelou o significado do sonho do rei: "Então, o rei Nabucodonosor se inclinou, e se prostrou rosto em terra perante Daniel, e ordenou que lhe fizessem oferta de manjares e suaves perfumes. Disse o rei a Daniel: Certamente, o vosso Deus é o Deus dos deuses, e o Senhor dos reis, e o revelador de mistérios, pois pudeste revelar este mistério." (Daniel 2:46,47)

Aqui, então, temos uma inversão das expectativas judaicas, o que os judeus esperavam dos pagãos, e creem que um dia acontecerá no Milênio com a nação de Israel, eles próprios serão forçados a render aos seguidores de Jesus.

Jesus está prometendo que a sinagoga (os judeus incrédulos), que persegue e prejudica esta igreja e seus trabalhos, irá reconhecer que o verdadeiro Deus (o Deus deles!) ama esta igreja e está no meio dela. Afinal, este é um dos propósitos para o qual a Igreja foi chamada: deixar os judeus com ciúmes (Romanos 11:11,14; Deuteronômio 32:21; Isaías 65:1,2; Romanos 10:19-21).

Porque guardaste a palavra da minha perseverança, também eu te guardarei da hora da provação que há de vir sobre o mundo inteiro, para experimentar os que habitam sobre a terra. (Apocalipse 3:10)

Essa era uma igreja CARACTERIZADA PELA OBEDIÊNCIA PACIENTE. Eles guardavam “a palavra da minha perseverança”, uma expressão bem parecida com aquela que aparece em 1:9 “perseverança em Jesus”, sem dúvida uma qualidade muitíssimo incentivada pelas Escrituras e para a qual é prometido grande galardão (Hebreus 10:35,36).

Perseverar é ὑπομονῆς (hypomonēs, de hupo = sob + meno = ficar, permanecer) é a característica de não se desviar de seu propósito e de sua lealdade à fé mesmo diante de obstáculos, provações e sofrimentos.

Filadélfia é a boa terra, onde a semente produz com perseverança (Lucas 8:15).

a hora da provação que há de vir sobre o mundo inteiro, para experimentar os que habitam sobre a terra” fala da Tribulação escatológica: é futura (“há de vir”), tem uma duração controlada (“a hora”), será abrangente (“sobre o mundo todo”) e tem um destinatário específico: os incrédulos, tanto judeus como gentios (“os que habitam sobre a terra”) e será um momento para que se evidencie, para que se exponha aquilo que verdadeiramente se é, um julgamento para ver de que você realmente é feito (“provação...experimentar”).

Evidentemente todos os renascidos que compõem a verdadeira Igreja serão tirados desse mundo antes dessa hora através do Arrebatamento, independentemente de estarem se comportando de maneira perseverante ou não (1 Tessalonicenses 5:9,10), pois este livramento é algo que foi obtido na cruz através da Obra Consumada.

Mas aqui no caso de Filadélfia, é como se o Senhor estivesse dizendo: “vocês já passaram com louvor por todos os testes, foram obedientes, foram leais, mantiveram o testemunho, suportaram as provações, vocês não precisam provar mais nada...estão dispensados do teste final...”

A tribulação não é para os crentes, o verbo tēreō (guardar) é seguido por uma pequena preposição, ek. que significa “fora de”. Alguns interpretam que o Senhor vai guardar a Igreja, mesmo ela estando dentro da Tribulação. Mas existe uma preposição no grego para através (dia) e existe uma preposição no grego para em (en), o Senhor não usou dia ("Vou mantê-lo durante essa hora") e nem usou en, (“Vou mantê-lo nessa hora”). Ele usou ek, "Vou mantê-lo fora dessa hora."

A tribulação não é para os crentes, é para aqueles que estão enraizados neste sistema, “os que habitam sobre a terra”, são pessoas que matam os crentes (6:10); são pessoas sob tripla maldição (8:13); são pessoas que trocam presentes e se alegram com a morte cruel das testemunhas de Deus (11:10); são pessoas que admiram e adoram a Besta (13:8,12); são pessoas CUJOS NOMES NEM ESTÃO ESCRITOS NO LIVRO DA VIDA! (17:8). A explicitude de seus pecados é tão grande, a gravidade de adorarem o diabo “de olhos abertos” após terem rejeitado deliberadamente a salvação faz com que Deus permita que eles sejam entregues a operação erro. (Hebreus 2:3; 2 Tessalonicenses 2:9-12).

Então, quando o teste chegar, alguns se arrependerão e serão salvos. O evangelho durante aquela hora de teste será pregado por aquelas duas testemunhas, por 144 mil judeus e por um anjo que voa no meio do céu. E alguns se arrependerão, acreditarão e passarão no teste (mas ao custo de suas vidas ou perseverando até o fim, Apocalipse 7:9,14; 13:7; 14:13; 20:4 / Mateus 24:13; 25:34-40; Apocalipse 14:1-5); outros rejeitarão e serão condenados, pois mesmo diante de tantas demonstrações de juízos da parte de Deus se recusam a se arrepender (Apocalipse 9:20,21).

É tudo isso que essa hora irá revelar.

"o tempo está próximo. Continue o injusto fazendo injustiça, continue o imundo ainda sendo imundo; o justo continue na prática da justiça, e o santo continue a santificar-se." (Apocalipse 22:10b,11)

Venho sem demora. Conserva o que tens, para que ninguém tome a tua coroa. (Apocalipse 3:11)

Estou chegando rapidamente! Esta é uma promessa que se repete por 5 vezes no livro de Apocalipse (2:16; 3:11; 22:7,12,20) e a consequência da Sua volta: “e comigo está o galardão que tenho para retribuir a cada um segundo as suas obras”, para os crentes mundanos (como os de Pérgamo), esse retorno significa espada, julgamento (2:16), mas para os crentes fiéis (como os de Filadélfia) significa prêmio, glória. E, se para os mundanos a palavra é de advertência, para os fiéis e de estímulo “conserva o que tens”, ou seja, aguente, não mude, fique do jeito que você está, continue fazendo o que está fazendo, seja mais fiel, para não perder nada da recompensa que o Senhor preparou para você, "aproveitai as oportunidades" (Colossenses 4:5); "remindo o tempo" (Efésios 5:16); "prega a palavra, insta, quer seja oportuno, quer não" (2 Timóteo 4:2); "certos de que cada um, se fizer alguma coisa boa, receberá isso outra vez do Senhor" (Efésios 6:8); "enquanto tivermos oportunidade, façamos o bem" (Gálatas 6:10); "sede firmes, inabaláveis e sempre abundantes na obra do Senhor, sabendo que, no Senhor, o vosso trabalho não é vão" (1 Coríntios 15:58)

A perseverança e constância dão garantias de um galardão completo, mas é necessário vigilância para que o foco, propósito ou motivação não sejam alterados, pelo engano, ao longo do percurso. "Acautelai-vos, para não perderdes aquilo que temos realizado com esforço, mas para receberdes completo galardão." (2 João 1:8; Gálatas 4:3,4; 4:10,11; 1 Coríntios 9:25; Filipenses 3:13; 2 Timóteo 2:5; 4:8; Tiago 1:12)

Ao vencedor, fá-lo-ei coluna no santuário do meu Deus, e daí jamais sairá; gravarei também sobre ele o nome do meu Deus, o nome da cidade do meu Deus, a nova Jerusalém que desce do céu, vinda da parte do meu Deus, e o meu novo nome.
Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas. (
Apocalipse 3:12,13)

Deus é atento, cuidadoso e solícito com os temores e necessidades do seu povo. Filadélfia sofreu um devastador terremoto no ano 17, e a cidade vivia traumaticamente sob o medo de tremores.

COLUNA fala de firmeza, de ser inabalável, de estar seguro. É isso que Deus está prometendo aqui aos seus servos de Filadélfia: segurança eterna (“daí jamais sairá”).

Mas não é só isso: "coluna NO SANTUÁRIO DO MEU DEUS".

Creio que esse versículo é o versículo MAIS PROFUNDO sobre COMUNHÃO de TODA a Bíblia. Comunhão, esse é o segredo do sucesso das atividades de Filadélfia, obediência, fidelidade, testemunho, perseverança, evangelismo, apego a Palavra...tudo. O segredo e a meta de tudo o que há no cristianismo e na vida pessoal de um cristão. Na realidade, comunhão com Deus é a meta e a chave, não só do cristianismo, mas também do judaísmo, da criação do homem, da redenção, da eternidade...esse é o motor, a motivação divina: comunhão! O homem foi criado para Deus (1 Coríntios 8:6).

Neste versículo Jesus está prometendo TUDO o que Ele tem: meu Deus, meu Deus, meu Deus, meu Deus, Ele não está retendo nada: o santuário, o Nome de Deus, a cidade...até a Si mesmo.

O paraíso não é um lugar, é uma pessoa. "para que onde EU ESTIVER, estejais vós também" (João 14:3); "e assim estaremos para sempre COM O SENHOR" (1 Tessalonicenses 4:17) Esse é o foco.

O santuário é o local de ENCONTRO COM a pessoa de Deus.

Gravarei SOBRE ele: associação, apropriação, assimilação, identificação, comunhão. É uma via de duas mãos, se você leva sobre si o nome de Deus, isso não quer dizer apenas que Deus te possui, mas que também você possui Deus, pois você leva o que Ele tem de mais precioso Seu Nome (Salmos 138:2; Filipenses 2:9).

Mas esse é o ápice, o cúmulo do absurdo da doação: “gravarei sobre ele O MEU NOVO NOME!

A Eternidade é uma nova realidade que se desconecta com tudo aquilo que já foi, que é passado, esse é um princípio de ação divina (Filipenses 3:13,14; 1 Coríntios 13:11; Salmos 45:10; Lucas 9:62; 17:32; 2 Coríntios 5:16; Hebreus 6:1; 10:38,39; Isaías 65:17; Apocalipse 21:1-5; Miquéias 7:18,19). É por isso que, a exceção de Deus, todos receberemos um novo nome, isso é exclusividade, intimidade, cumplicidade, comunhão. (“um nome novo, o qual ninguém conhece, exceto aquele que o recebe”, Apocalipse 2:17b).

Mas, ELE NOS COMPARTILHA SEU NOVO NOME ["tem um nome escrito que ninguém conhece, senão ele mesmo" (Apocalipse 19:12b)] ao escreve-Lo sobre nós!

"ao vencedor"

O nascido de novo é declarado "mais do que vencedor" por estar em Cristo ("por meio Daquele que nos amou" - Romanos 8:37), pois Cristo é mais do que vencedor, por ter vencido a morte (1 Coríntios 15:55; Apocalipse 1:18; Atos 2:24), o mundo (João 16:33) e o diabo (1 João 3:8b; Hebreus 2:15b; Marcos 3:27; João 12:31; Colossenses 2:15).

No contexto das sete cartas, é declarado vencedoraquele que atende o chamado ao arrependimento que é feito em cada situação específica de cada igreja em específico, assim:

Em Filadélfia é declarado vencedor aquele que busca o máximo galardão, aquele que está focado na fidelidade e na produtividade eterna e irreversível que a vontade de Deus proporciona.

“prossigo para o alvo, para o prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus” (Filipenses 3:14)

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