FILADÉLFIA (amor fraternal)
A cidade foi fundada em 189 a.C. pelo rei
Eumenes II de Pérgamo que batizou a cidade em honra do seu irmão, que seria seu
sucessor, Átalo II, cuja lealdade lhe valeu o apelido de
"Philadelphos", que significa literalmente "alguém que ama seu
irmão".
Diz a lenda que Zeus visitou pessoalmente
a cidade e foi dito que ele mandou que o povo deveria ser puro, não praticar o
engano, o assassinato, o roubo, o adultério e outros tipos de mal.
Daí que Filadélfia se diferenciava das
outras cidades do império, predominantemente devassas e o seu povo era
hospitaleiro e fraternal, era uma cidade do bem.
Era uma cidade que se preocupava mais com
as questões espirituais do que com as questões materiais, tanto que suas
divindades estavam ligadas a família, as virtudes e a saúde, como Héstia, a
deusa do amor e do lar.
O evangelho foi bem recebido na cidade,
pois seus habitantes tinham interesse na vida além-túmulo e na salvação da
alma.
A cidade existe até hoje e se chama ALLAH-SHEAR, "a Cidade
de Deus".
“Ao anjo da igreja em Filadélfia escreve:
Estas coisas diz o santo, o verdadeiro, aquele que tem a chave de Davi, que
abre, e ninguém fechará, e que fecha, e ninguém abrirá:” (Apocalipse
3:7)
A ÊNFASE DO TÍTULO ESTÁ NA OPORTUNIDADE.
Aqui vemos a divindade de Cristo
na aplicação de um título pelo Filho que é exclusivamente do Pai.
Este título é aplicado repetidamente a יהוה (Yahweh) no Antigo Testamento (Levítico
19:2; 2 Reis 19:22; Salmos 22:3; 71:22; 78:41; 89:18; Isaías 1:4; 5:19,24; 6:3;
10:20; 12:6; 17:7; 29:19; 30:11,12,15; 31:1; 37:23; 40:25; 41:14,16,20; 43:3,14,15;
45:11; 47:4; 48:17; 49:7; 54:5; 55:5; 57:15; 60:9,14; Jeremias 50:29; 51:5;
Ezequiel 39:7), o Santo de Israel. A santidade de Jesus é um reflexo de sua
identificação com o Pai na Divindade. “Eu e Meu Pai somos um” (João 10:30). Hagios
caracteriza Jesus como alguém especialmente separado, uma característica
exclusiva de Deus (Salmos 16:10; Lucas 1:35; Marcos 1:23; João 6:69; Atos
3:14; 1 Pedro 1:15)
"Com efeito, nos convinha um sumo
sacerdote como este, santo, inculpável, sem mácula, separado dos pecadores e
feito mais alto do que os céus." (Hebreus 7:26)
Não só isso, Ele é verdadeiro. Ele
é verdadeiro em si mesmo. Ele é o autor da verdade. Ele é o revelador
da verdade, Ele é a verdade (João 14:6).
Não pode haver santidade sem a Verdade, "Santifica-os
na verdade; a tua palavra é a verdade." (João 17:17), as duas
andam juntas.
Então, porque Jesus Cristo se
apresenta a essa igreja sob estes títulos? Jesus escolheu esses termos
descritivos porque isso seria um imenso encorajamento para esta igreja:
“Eu sou absolutamente santo, e valorizo a verdade, e minha santidade e minha
verdade os examinaram, e não há nada para condenar”.
Nesta carta, assim como na carta a
Esmirna, não existe censura ou repreensão!
Elas estão no centro da vontade de Deus
para a igreja: ou se morre pela Verdade ou se apega e se propaga a
verdade. A igreja do Deus vivo é a coluna e o baluarte da verdade. (1 Timóteo
3:15),
ou seja, aquela que a sustenta e abriga.
E já que esta igreja é fiel, está dentro
da vontade ideal de Deus para a Igreja, e não tem nada que ser repreendido, o
que resta é que o Senhor lhe dê oportunidades e autoridade para trabalhar a
favor do Reino. E é isso que Ele faz, por isso se apresenta como quem tem a
chave.
CHAVE nas Escrituras é autoridade, controle,
poder. Ele comissiona e capacita:
“mas recebereis poder...e sereis
minhas testemunhas” (Atos 1:8)
A alusão a Chave de Davi é uma citação de
Isaías 22:22, nesse texto, a Escritura fala sobre um homem chamado
Eliaquim, filho de Hilquias. que viveu na época em que Ezequias era rei.
Ezequias tinha um tesouro guardado em uma casa do tesouro. E Eliaquim, era o
guardador da chave desse cofre. Era o tesouro real, então era o tesouro de Davi
porque Davi era a linhagem real. E a tesouraria acumulada desde Davi continuou
aumentando e aumentando até o tempo de Ezequias (2 Reis 20:17a), quando foi
carregada com enormes riquezas. Tão grande era o tesouro, que Ezequias, após
ter 15 anos de vida acrescentados, se enfatuou de ostentação e o apresentou aos
embaixadores da Babilônia, se gabando (2 Reis 20:12-18).
Eliaquim era o detentor da chave, o que
significa que ele tinha a autoridade, o controle do tesouro. Ele poderia abrir
suas riquezas, ele poderia fechá-las. A chave de Davi, então, era a
autoridade sobre as riquezas reais. E aqui, Jesus diz: “Sou eu que tenho a
chave de Davi. Sou eu que posso abrir o tesouro e derramar sobre você as
riquezas reais.
Essa chave destranca o acesso ao reino
dos céus. Jesus Cristo pode abrir a porta para permitir que qualquer
pessoa entre no Reino. Jesus Cristo é soberano, no capítulo 1, versículo 18,
tinha as chaves do inferno e da morte. E aqui, Ele tem as chaves para a salvação
e bênção. Ele pode enviar pessoas para o inferno ou pode abrir a porta e
enviá-las para o céu. Ele pode fechar a casa do tesouro ou pode abri-la. Os
tesouros da salvação. Só depende Dele. “Assim, pois, não depende de quem
quer ou de quem corre, mas de usar Deus a sua misericórdia. Logo, tem ele
misericórdia de quem quer e também endurece a quem lhe apraz.” (Romanos 9:16,18) e “Mas, a todos quantos o receberam,
deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, a saber, aos que creem no seu
nome; os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade
do homem, mas de Deus.” (João 1:12,13)
E se Ele abrir, ninguém pode fechar; e se
Ele fechar ninguém pode abrir, isso fala de onipotência.
Jesus Cristo está concedendo esse poder,
essa autoridade a Filadélfia da mesma forma como Ele dera a Pedro em Mateus
16:19 “Dar-te-ei as chaves do reino dos céus; o que ligares na terra terá
sido ligado nos céus; e o que desligares na terra terá sido desligado nos céus.”
E, de fato, no período que Filadélfia
profeticamente representa (séculos XVIII e XIX) houve uma explosão
evangelística e missionária, o maior avivamento espiritual da história da
Igreja, bem como o surgimento das Sociedades Bíblicas, que traduziram e levaram
as Escrituras a centenas de línguas e culturas, nunca a Bíblia foi tão
divulgada!
Nomes como Hudson Taylor, David
Livinstone, William Carey, Adoniram Judson, Jonathan Edwards (que pregou o
sermão mais famoso da história: "Pecadores nas Mãos de um Deus
Irado"), Amy Beatrice Carmichael e muitos, muitos outros.
Foi nesse momento dispensacional também,
que se iniciou o estudo mais aprofundado dos livros de Daniel e do Apocalipse,
quando o interesse pela escatologia se acentuou e a doutrina
dispensacionalista, bem como o método gramático-histórico, se cristalizaram.
Conheço as tuas obras — eis que tenho posto diante de ti uma
porta aberta, a qual ninguém pode fechar — que tens pouca força, entretanto,
guardaste a minha palavra e não negaste o meu nome. (Apocalipse 3:8)
PORTA significa acesso, permissão,
oportunidade. O Senhor abre a porta da fé quando oferece o
Evangelho (Atos 14:27; 16:14; Lucas 24:45) dando acesso a salvação e a comunhão;
e abre as portas de trabalho para que a Palavra seja divulgada (1
Coríntios 16:9; 2 Coríntios 2:12; Colossenses 4:3).
A situação da cidade explica totalmente
essa citação. Filadélfia ficava na extremidade superior de um longo vale,
que se abre para o mar. Depois de passar pela Filadélfia, a estrada ao
longo deste vale sobe até a terra da Frígia e o grande Planalto Central, a
massa principal da Ásia Menor. Esta estrada era a que conduzia do porto de
Esmirna às partes nordeste da Ásia Menor e ao Oriente em geral, a única rival
da grande rota que conectava Éfeso com o Oriente, e a maior rota comercial
asiática … Filadélfia, portanto, era a guardiã da porta de entrada para o planalto.
“tens pouca força”, Jesus não censura essa igreja, mas diz que ela possui
pouca força, o que não é algo negativo, isso pode estar relacionado ao
fato de ela ser pequena em número ou limitada de recursos. De qualquer maneira,
isso se enquadra dentro do “modus operandi” divino, visto que o poder
do Senhor se torna mais expressivo na fraqueza e na limitação humanas (Juízes
6:14,15; 7:2-7; 2 Reis 6:16; 2 Crônicas 20:12; Joel 3:10; 2 Coríntios 12:9,10;
Filipenses 4:13)
O Senhor não chama os capacitados, mas capacita os chamados!
“guardaste a minha palavra”, esse é o segredo do
sucesso espiritual e da vida, pois quando se é “operoso praticante, esse
será bem-aventurado no que realizar” (Tiago 1:25; Salmos 1:2,3).
E Filadélfia se manteve fiel ao que recebeu, foi mantendo Sua
Palavra - e os mandamentos nele contidos - que a igreja de Filadélfia
demonstrou a profundidade de seu amor por Cristo (João 14:21-24).
Não era fácil viver o evangelho, pregar o
evangelho, defender o evangelho naquele período de tempo no final do primeiro
século: Cristo havia sido rejeitado, os apóstolos foram mortos. João, o
apóstolo final, que realmente era o patriarca dessas igrejas na Ásia Menor,
estava no exílio em Patmos: um homem muito velho, quebrando pedras com o resto
dos prisioneiros até sua morte. A igreja estava sob perseguição e a perseguição
era violenta. E então o que você tem aqui são sete igrejas vivendo em um mundo
hostil sob perseguição e o caráter que se desenvolve nessa situação.
E mesmo diante de tudo isso, Filadélfia (assim como Esmirna),
não cedeu às pressões e manteve o testemunho do Nome de Jesus Cristo
através de obediência (guardaste a minha palavra) e lealdade (não
negaste o meu Nome)!
Eis farei que alguns dos que são da
sinagoga de Satanás, desses que a si mesmos se declaram judeus e não são, mas
mentem, eis que os farei vir e prostrar-se aos teus pés e conhecer que eu te
amei. (Apocalipse 3:9)
Quem são esses judeus? são
a semente natural de Abraão, os judeus incrédulos, que tinham
circuncisão física, mas não tinham a circuncisão do coração:
“Porque não é judeu quem o é apenas exteriormente,
nem é circuncisão a que é somente na carne. Porém judeu é aquele que o é
interiormente, e circuncisão, a que é do coração, no espírito, não segundo
a letra, e cujo louvor não procede dos homens, mas de Deus.” (Romanos 2:28-29)
Esses judeus confiaram em sua descendência
física de Abraão, mas o negaram como pai por suas ações.
João Batista os advertiu “e não pensem
em dizer a si mesmos: Nosso pai é Abraão. Pois vos digo que Deus é capaz de
levantar filhos para Abraão destas pedras.” (Mateus.3:9).
Jesus igualmente: “Se sois filhos de
Abraão, praticai as obras de Abraão.
Mas agora
procurais matar-me, a mim que vos tenho falado a verdade que ouvi de Deus;
assim não procedeu Abraão." (João
8:39b,40)
Paulo observou que apenas um
subconjunto dos judeus eram “o Israel de Deus” (Gálatas 6:16). Este remanescente crente
dentro de Israel, agora inseridos na Igreja, eram os verdadeiros judeus:
“E não pensemos que a palavra de Deus haja falhado, porque
nem todos os de Israel são, de fato, israelitas; nem por serem
descendentes de Abraão são todos seus filhos; mas: Em Isaque será chamada a
tua descendência. Isto é, estes filhos de Deus não são propriamente os da
carne, mas devem ser considerados como descendência os filhos da promessa.”
(Romanos 9:6-8)
Ele advertiu a igreja de Filipos a tomar
cuidado com a "mutilação" (um eufemismo para os judeus incrédulos
circuncidados fisicamente, Gálatas 5:12):
Acautelai-vos dos cães! Acautelai-vos dos maus obreiros!
Acautelai-vos da falsa circuncisão! Porque nós é que somos a circuncisão, nós
que adoramos a Deus no Espírito, e nos gloriamos em Cristo Jesus, e não
confiamos na carne. (Filipenses
3:2,3)
Os judeus incrédulos eram a maior ameaça
à igreja primitiva (Atos 13:50; 14:2,5,19; 17:5).
O próprio Senhor Jesus foi pessoalmente
perseguido por eles: "os quais (os judeus) não somente mataram o
Senhor Jesus e os profetas, como também nos perseguiram, e não agradam a Deus,
e são adversários de todos os homens, a ponto de nos impedirem de falar aos
gentios para que estes sejam salvos, a fim de irem enchendo sempre a medida de
seus pecados. A ira, porém, sobreveio contra eles, definitivamente."
(1 Tessalonicenses 2:15,16)
Esta ameaça foi agravada porque os
cristãos inicialmente desfrutavam de proteção contra Roma por ser considerada
uma seita dentro Judaísmo. Visto que o judaísmo gozava de proteção como
religião reconhecida por Roma, enquanto o cristianismo fosse visto como uma
seita dentro do judaísmo, a perseguição era mínima. Mas a cisão fundamental
entre o judaísmo e o cristianismo acabou gerando perseguição, não apenas dos
judeus, mas também de Roma.
A perseguição pela sinagoga foi algo que
Jesus havia alertado: “Eles vos expulsarão das sinagogas;
mas vem a hora em que todo o que vos matar julgará com isso tributar culto a
Deus. Isto farão porque não conhecem o Pai, nem a mim.” (João 16:2,3; Mateus 23:34; Marcos 13:9; Lucas 21:12)
e Paulo a experimentou intensamente (Atos 9:20-23; 13:45-50; 14:2; 17:5-10; 18:6,28;
19:9; 22:22).
Esta declaração chocante, “sinagoga de
Satanás” afirma que os judeus que odiavam e rejeitavam Jesus Cristo eram
seguidores de Satanás tanto quanto pagãos adoradores de ídolos (João 8:44)
A perseguição pelos judeus incrédulos era
motivada pela crença de que somente eles tinham o verdadeiro entendimento de
Deus.
O termo "sinagoga" tem origem
na palavra grega συναγωγή, composta de σύν (sýn) = “com, junto”, e ἄγω
('ago) = “conduta, educação”, cujo significado seria "assembleia para
aprendizado". Pode se dizer que a sinagoga é uma escola.
Tem como objeto central a Arca da Torá, o
culto envolve leituras da Torá, cujos rolos são retirados da Arca (heikhal) e
transportados até o púlpito (Tebá).
A sinagoga foi um hábito adquirido na
Babilônia devido à inexistência de um templo.
A sinagoga passou a funcionar como um
ponto de encontro dos judeus para as orações e para a leitura das Escrituras.
A sinagoga não se limita ao prédio. As
reuniões religiosas no judaísmo pós-destruição do templo eram feitas em casas
privadas, e ainda há sinagogas que se reúnem em casas privadas até hoje.
Costume esse que foi adotado pelo
cristianismo nascente, já que a maioria dos convertidos, inicialmente eram
judeus. (Atos 5:42; 12:12; Romanos 16:5; Tiago 2:2)
É interessante observar que Satanás use
seus especialistas, seus “profissionais mais qualificados” (a sinagoga de
Satanás), exatamente para lidar com as duas igrejas que são mais prejudiciais
aos seus propósitos: Esmirna e Filadélfia (Apocalipse 2:9b e 3:9a)
Por que? “Ora, todos quantos querem
viver piedosamente em Cristo Jesus serão perseguidos.” (2 Timóteo 3:12)
"eis que os farei vir e
prostrar-se aos teus pés", essa expressão pode parecer estranha, pois
sabemos o quanto a Palavra condena a adoração de homens ou de anjos (Atos
10:25,26; 14:11-18; Apocalipse 19:10; 22:8,9).
Temos que entender o contexto bíblico
deste tipo de manifestação, esta é uma alusão a numerosas passagens do AT que
indicam que no Milênio, gentios virão e se prostrarão diante Israel em
reconhecimento de que Deus está com eles (Isaías 45:15; 49:22-23;
60:14-16). Zacarias descreveu uma época em que os gentios honrarão os
judeus fiéis porque, “ouvimos que Deus é convosco” (Zacarias.8:20-23).
Então, este não é um gesto de adoração,
mas de reconhecimento e honra. Não se está “prostrando a” mas, “diante de”. O
que aconteceu, por exemplo com Daniel depois que ele revelou o significado do
sonho do rei: "Então, o rei Nabucodonosor se inclinou, e se prostrou
rosto em terra perante Daniel, e ordenou que lhe fizessem oferta de manjares e
suaves perfumes. Disse o rei a Daniel: Certamente, o vosso Deus é o Deus dos
deuses, e o Senhor dos reis, e o revelador de mistérios, pois pudeste revelar
este mistério." (Daniel 2:46,47)
Aqui, então, temos uma inversão das
expectativas judaicas, o que os judeus esperavam dos pagãos, e creem que um dia
acontecerá no Milênio com a nação de Israel, eles próprios serão forçados a
render aos seguidores de Jesus.
Jesus está prometendo que a sinagoga (os
judeus incrédulos), que persegue e prejudica esta igreja e seus trabalhos, irá reconhecer
que o verdadeiro Deus (o Deus deles!) ama esta igreja e está no meio dela. Afinal,
este é um dos propósitos para o qual a Igreja foi chamada: deixar os judeus
com ciúmes (Romanos 11:11,14; Deuteronômio 32:21; Isaías 65:1,2; Romanos
10:19-21).
Porque guardaste a palavra da minha
perseverança, também eu te guardarei da hora da provação que há de vir sobre o
mundo inteiro, para experimentar os que habitam sobre a terra. (Apocalipse 3:10)
Essa era uma igreja CARACTERIZADA PELA
OBEDIÊNCIA PACIENTE. Eles guardavam “a palavra da minha perseverança”,
uma expressão bem parecida com aquela que aparece em 1:9 “perseverança em
Jesus”, sem dúvida uma qualidade muitíssimo incentivada pelas Escrituras e
para a qual é prometido grande galardão (Hebreus 10:35,36).
Perseverar é ὑπομονῆς
(hypomonēs, de hupo = sob + meno = ficar, permanecer) é a
característica de não se desviar de seu propósito e de sua lealdade à fé
mesmo diante de obstáculos, provações e sofrimentos.
Filadélfia é a boa terra, onde a semente
produz com perseverança (Lucas 8:15).
“a hora da provação que há de vir
sobre o mundo inteiro, para experimentar os que habitam sobre a terra” fala
da Tribulação escatológica: é futura (“há de vir”), tem uma duração
controlada (“a hora”), será abrangente (“sobre o mundo todo”) e tem
um destinatário específico: os incrédulos, tanto judeus como gentios (“os
que habitam sobre a terra”) e será um momento para que se evidencie, para
que se exponha aquilo que verdadeiramente se é, um julgamento para ver de que você
realmente é feito (“provação...experimentar”).
Evidentemente todos os renascidos que
compõem a verdadeira Igreja serão tirados desse mundo antes dessa hora através
do Arrebatamento, independentemente de estarem se comportando de maneira
perseverante ou não (1 Tessalonicenses 5:9,10), pois este livramento é algo que
foi obtido na cruz através da Obra Consumada.
Mas aqui no caso de Filadélfia, é como se
o Senhor estivesse dizendo: “vocês já passaram com louvor por todos os testes,
foram obedientes, foram leais, mantiveram o testemunho, suportaram as
provações, vocês não precisam provar mais nada...estão dispensados do teste
final...”
A tribulação não é para os crentes, o
verbo tēreō (guardar) é seguido por uma pequena preposição, ek.
que significa “fora de”. Alguns interpretam que o Senhor vai guardar a
Igreja, mesmo ela estando dentro da Tribulação. Mas existe uma preposição no
grego para através (dia) e existe uma preposição no grego
para em (en), o Senhor não usou dia ("Vou
mantê-lo durante essa hora") e nem usou en, (“Vou mantê-lo
nessa hora”). Ele usou ek, "Vou mantê-lo fora dessa hora."
A tribulação não é para os crentes, é
para aqueles que estão enraizados neste sistema, “os que habitam sobre a
terra”, são pessoas que matam os crentes (6:10); são pessoas sob
tripla maldição (8:13); são pessoas que trocam presentes e se alegram
com a morte cruel das testemunhas de Deus (11:10); são pessoas que admiram
e adoram a Besta (13:8,12); são pessoas CUJOS NOMES NEM ESTÃO ESCRITOS
NO LIVRO DA VIDA! (17:8). A explicitude de seus pecados é tão grande, a
gravidade de adorarem o diabo “de olhos abertos” após terem rejeitado
deliberadamente a salvação faz com que Deus permita que eles sejam entregues a
operação erro. (Hebreus 2:3; 2 Tessalonicenses 2:9-12).
Então, quando o teste chegar, alguns se
arrependerão e serão salvos. O evangelho durante aquela hora de teste será
pregado por aquelas duas testemunhas, por 144 mil judeus e por um anjo que voa
no meio do céu. E alguns se arrependerão, acreditarão e passarão no teste (mas
ao custo de suas vidas ou perseverando até o fim, Apocalipse 7:9,14; 13:7;
14:13; 20:4 / Mateus 24:13; 25:34-40; Apocalipse 14:1-5); outros rejeitarão e
serão condenados, pois mesmo diante de tantas demonstrações de juízos da parte
de Deus se recusam a se arrepender (Apocalipse 9:20,21).
É tudo isso que essa hora irá revelar.
"o tempo está próximo. Continue o
injusto fazendo injustiça, continue o imundo ainda sendo imundo; o justo
continue na prática da justiça, e o santo continue a santificar-se."
(Apocalipse 22:10b,11)
Venho sem demora. Conserva o que tens,
para que ninguém tome a tua coroa. (Apocalipse 3:11)
Estou chegando rapidamente! Esta é uma
promessa que se repete por 5 vezes no livro de Apocalipse (2:16; 3:11;
22:7,12,20) e a consequência da Sua volta: “e comigo está o
galardão que tenho para retribuir a cada um segundo as suas obras”,
para os crentes mundanos (como os de Pérgamo), esse retorno significa espada,
julgamento (2:16), mas para os crentes fiéis (como os de Filadélfia) significa
prêmio, glória. E, se para os mundanos a palavra é de advertência, para os
fiéis e de estímulo “conserva o que tens”, ou seja, aguente, não mude,
fique do jeito que você está, continue fazendo o que está fazendo, seja mais
fiel, para não perder nada da recompensa que o Senhor preparou para você,
"aproveitai as oportunidades" (Colossenses 4:5); "remindo
o tempo" (Efésios 5:16); "prega a palavra, insta, quer seja
oportuno, quer não" (2 Timóteo 4:2); "certos de que cada um,
se fizer alguma coisa boa, receberá isso outra vez do Senhor" (Efésios
6:8); "enquanto tivermos oportunidade, façamos o bem" (Gálatas
6:10); "sede firmes, inabaláveis e sempre abundantes na obra do Senhor,
sabendo que, no Senhor, o vosso trabalho não é vão" (1 Coríntios
15:58)
A perseverança e constância dão garantias
de um galardão completo, mas é necessário vigilância para que o foco, propósito
ou motivação não sejam alterados, pelo engano, ao longo do percurso. "Acautelai-vos,
para não perderdes aquilo que temos realizado com esforço, mas para receberdes completo
galardão." (2 João 1:8; Gálatas 4:3,4; 4:10,11; 1 Coríntios 9:25; Filipenses
3:13; 2 Timóteo 2:5; 4:8; Tiago 1:12)
Ao vencedor, fá-lo-ei coluna no santuário
do meu Deus, e daí jamais sairá; gravarei também sobre ele o nome do meu Deus,
o nome da cidade do meu Deus, a nova Jerusalém que desce do céu, vinda da parte
do meu Deus, e o meu novo nome.
Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas. (Apocalipse 3:12,13)
Deus é atento, cuidadoso e solícito com
os temores e necessidades do seu povo. Filadélfia sofreu um devastador
terremoto no ano 17, e a cidade vivia traumaticamente sob o medo de tremores.
COLUNA fala de firmeza, de ser
inabalável, de estar seguro. É isso que Deus está prometendo aqui
aos seus servos de Filadélfia: segurança eterna (“daí jamais sairá”).
Mas não é só isso: "coluna NO
SANTUÁRIO DO MEU DEUS".
Creio que esse versículo é o versículo
MAIS PROFUNDO sobre COMUNHÃO de TODA a Bíblia. Comunhão,
esse é o segredo do sucesso das atividades de Filadélfia, obediência,
fidelidade, testemunho, perseverança, evangelismo, apego a Palavra...tudo. O
segredo e a meta de tudo o que há no cristianismo e na vida pessoal de um
cristão. Na realidade, comunhão com Deus é a meta e a chave, não só do
cristianismo, mas também do judaísmo, da criação do homem, da redenção, da
eternidade...esse é o motor, a motivação divina: comunhão! O homem foi criado
para Deus (1 Coríntios 8:6).
Neste versículo Jesus está prometendo
TUDO o que Ele tem: meu Deus, meu Deus, meu Deus, meu
Deus, Ele não está retendo nada: o santuário, o Nome de Deus, a cidade...até a
Si mesmo.
O paraíso não é um lugar, é uma pessoa.
"para que onde EU ESTIVER, estejais vós também" (João 14:3); "e
assim estaremos para sempre COM O SENHOR" (1 Tessalonicenses 4:17) Esse é
o foco.
O santuário é o local de ENCONTRO
COM a pessoa de Deus.
Gravarei SOBRE ele: associação, apropriação,
assimilação, identificação, comunhão. É uma via de duas
mãos, se você leva sobre si o nome de Deus, isso não quer dizer apenas que
Deus te possui, mas que também você possui Deus, pois você leva o que Ele tem
de mais precioso Seu Nome (Salmos 138:2; Filipenses 2:9).
Mas esse é o ápice, o cúmulo do absurdo
da doação: “gravarei sobre ele O MEU NOVO NOME”!
A Eternidade é uma nova realidade que se desconecta
com tudo aquilo que já foi, que é passado, esse é um princípio de ação
divina (Filipenses 3:13,14; 1 Coríntios 13:11; Salmos 45:10; Lucas 9:62; 17:32;
2 Coríntios 5:16; Hebreus 6:1; 10:38,39; Isaías 65:17; Apocalipse 21:1-5;
Miquéias 7:18,19). É por isso que, a exceção de Deus, todos receberemos um
novo nome, isso é exclusividade, intimidade, cumplicidade, comunhão. (“um
nome novo, o qual ninguém conhece, exceto aquele que o recebe”, Apocalipse
2:17b).
Mas, ELE NOS COMPARTILHA SEU NOVO NOME ["tem
um nome escrito que ninguém conhece, senão ele mesmo" (Apocalipse
19:12b)] ao escreve-Lo sobre nós!
"ao vencedor"
O nascido de novo é declarado "mais do que
vencedor" por estar em Cristo ("por meio Daquele que
nos amou" - Romanos 8:37), pois Cristo é mais do que vencedor, por ter
vencido a morte (1 Coríntios 15:55; Apocalipse 1:18; Atos 2:24), o mundo (João
16:33) e o diabo (1 João 3:8b; Hebreus 2:15b; Marcos 3:27; João 12:31;
Colossenses 2:15).
No contexto das sete cartas, é declarado
vencedor, aquele que atende o chamado ao arrependimento que
é feito em cada situação específica de cada igreja em específico, assim:
Em Filadélfia é declarado vencedor aquele que busca o
máximo galardão, aquele que está focado na fidelidade e na produtividade eterna
e irreversível que a vontade de Deus proporciona.
“prossigo para o alvo, para o prêmio da soberana vocação
de Deus em Cristo Jesus” (Filipenses 3:14)
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