domingo, 10 de novembro de 2019


"A fé é a certeza de cousas que se esperam, e a convicção de fatos que se não vêem...Pela fé, entendemos que foi o universo formado pela Palavra de Deus, de maneira que o visível veio a existir das cousa que não aparecem." (Hebreus 11:1,3 - Almeida, Revista e atualizada)

"A fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que se não vêem...Pela fé entendemos que os mundos pela palavra de Deus foram criados; de maneira que aquilo que se vê não foi feito do que é aparente." (Hebreus 11:1,3 - Almeida, Corrigida Fiel)

Uma coisa não precisa ser vista para ser real.

Qual o critério para se determinar que algo é real? Passar no teste empírico da materialidade? ou da visibilidade?

Por exemplo, a Bíblia nos fala da existência de um templo judaico terrestre onde eram ministrados os sacrifícios da Lei Mosaica, e que este foi construído segundo um modelo que existe no céu e que fora mostrado a Moisés (Êxodo 25:9,40; 26:30; Atos 7:44).

Isso então implica uma correspondência real de algum tipo entre o Santo dos Santos da aliança mosaica e um Santo dos Santos no céu; caso contrário, onde Jesus iria apresentar seu sangue após a consumação da cruz? Existe, portanto, alguma contrapartida nesse outro mundo que corresponde ao Santo dos Santos no Templo. Qual é o real e qual é a sombra: o terreno ou o celestial? Pois um podemos ver e outro não...

O templo terreno parece tão real, tão tangível, tão objetivo: o celestial parece tão invisível, tão intangível, tão subjetivo. Que critério serviria para nos permitir avaliar a realidade à parte do viés de nossa própria experiência sensorial imediata? A resposta a isso, acredito, está no conceito de permanência. O que é verdadeiramente real é permanente. O que quer que tenha uma certa temporalidade ou impermanência, não é real no mesmo sentido absoluto. O que é duradouro é real.

Mas por quanto tempo uma coisa deve durar para ser real? A questão é interessante e está diretamente relacionada a certos fenômenos da física moderna. Existem partículas subatômicas, por exemplo, que duram apenas algumas frações de segundos. Eles podem ser considerados objetos reais? Enquanto durarem, sim! E se eles durarem apenas uma fração de segundo? Quão grande uma fração? Um bilionésimo de segundo seria suficiente para estabelecer uma existência real? Em que ponto algo tem uma existência tão fugaz a ponto de renunciar a qualquer direito de ser chamado de real?

Começamos a nos deparar com problemas filosóficos quando alcançamos esse nível de temporalidade, e os problemas são reais o suficiente porque agora conhecemos partículas subatômicas que de fato tem uma existência tão fugaz! É chamada de partícula antiomega-minus baryon e tem uma vida de 5×10 −25 segundos...ou, o bóson de Higgs, com uma vida útil média de 10 −22...

            Assim, temos que ajustar nosso pensamento um pouco sobre a natureza da realidade. Vamos ao outro extremo. Não diríamos que um objeto era "mais real" se tivesse uma vida de bilhões de anos? A própria terra, por exemplo? Quando comparada com uma partícula que tem uma existência tão fugaz que só pode ser demonstrada pelos equipamentos científicos mais refinados imagináveis ​​e, mesmo assim, apenas por inferência? Nosso pensamento tende a olhar para a permanência como uma marca da realidade. O que dura muito tempo é mais real do que o que é de curta duração. O que dizer então de algo que é eterno nos céus? Se durar para sempre, mesmo que ainda não podemos realmente vê-lo, não é por este princípio mais real do que a própria terra que passará (Mateus 24:35), embora nós possamos vê-la? Uma coisa não precisa ser vista para ser real.

Creio que temos que olhar novamente para certas passagens da Escritura à luz desse tipo de avaliação da realidade: a realidade da permanência, embora inédita, contra a irrealidade do transitório, embora visível, enquanto durar. Muito depois deste mundo ter passado, aquele outro mundo permanecerá (Hebreus 12:26,27). Qual, então, é o real e qual é a sombra apenas? Acho que devemos concluir que o nosso mundo é a sombra da realidade eterna que está no céu.

A verdade é que tudo o que vemos e tocamos é uma mera extensão do mundo espiritual. É uma cristalização momentânea da realidade espiritual, uma reificação que existe apenas para o que chamamos "o presente". Não será mais necessário quando a realidade eterna ultrapassar a temporal. 

Em resumo, o espiritual é o real, não o físico.

Crer e viver assim é viver pela fé!

"Não atentando nós nas coisas que se vêem, mas nas que se não vêem; porque as que se vêem são temporais, e as que se não vêem são eternas." (2 Coríntios 4:18)
 
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Textos bíblicos citados:

Êxodo 25:9,40: "
Conforme a tudo o que eu te mostrar para modelo do tabernáculo, e para modelo de todos os seus pertences, assim mesmo o fareis...Atenta, pois, que o faças conforme ao seu modelo, que te foi mostrado no monte."

Êxodo 26:30: "Então levantarás o tabernáculo conforme ao modelo que te foi mostrado no monte."

Atos 7:44: "
Estava entre nossos pais no deserto o tabernáculo do testemunho, como ordenara aquele que disse a Moisés que o fizesse segundo o modelo que tinha visto."

Mateus 24:35: "O céu e a terra passarão, mas as minhas palavras não hão de passar."

Hebreus 12:26,27: "
A voz do qual moveu então a terra, mas agora anunciou, dizendo: Ainda uma vez comoverei, não só a terra, senão também o céu.
E esta palavra: Ainda uma vez, mostra a mudança das coisas móveis, como coisas feitas, para que as imóveis permaneçam."

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