segunda-feira, 30 de dezembro de 2019

A Grande Promessa - Parte 2


“Não queremos, porém, irmãos, que sejais ignorantes com respeito aos que dormem, para não vos entristecerdes como os demais, que não têm esperança. Pois, se cremos que Jesus morreu e ressuscitou, assim também Deus, mediante Jesus, trará, em sua companhia, os que dormem. Ora, ainda vos declaramos, por palavra do Senhor, isto: nós, os vivos, os que ficarmos até à vinda do Senhor, de modo algum precederemos os que dormem. Porquanto o Senhor mesmo, dada a sua palavra de ordem, ouvida a voz do arcanjo, e ressoada a trombeta de Deus, descerá dos céus, e os mortos em Cristo ressuscitarão primeiro; depois, nós, os vivos, os que ficarmos, seremos arrebatados juntamente com eles, entre nuvens, para o encontro do Senhor nos ares, e, assim, estaremos para sempre com o Senhor. Consolai-vos, pois, uns aos outros com estas palavras.”

(1 Tessalonicenses 4:13-18)

            Como dito no post anterior, este texto nos dá o detalhamento da GRANDE PROMESSA pessoal do Senhor Jesus Cristo para a Igreja (“voltarei e vos receberei para mim mesmo, para que, onde eu estou, estejais vós também” - João 14:3).

            A primeira, e mais importante coisa a ser observada, é que Ele, não envia um mensageiro ou intermediário, Ele vem buscar a Sua Noiva, PESSOALMENTE: “o Senhor mesmo... descerá dos céus”.

            Um detalhe que nos ajuda a definir que esta vinda pessoal, secreta (pois o mundo não vê e nem percebe) e particular para a Igreja se distingue daquela que acontecerá 7 anos depois, universal e visível para todos os povos da terra (Mateus 24:30) é a revelação de que a Igreja o encontrará “entre nuvens”, enquanto a profecia relativa a Sua Vinda para Israel e todos os outros povos fala que “estarão os seus pés sobre o monte das Oliveiras, que está defronte de Jerusalém para o oriente” (Zacarias 14:1-7).

            Vamos aos detalhes logísticos que estão envolvidos nesse encontro conforme revelados neste texto:

1 – “dada a sua palavra de ordem

            O grego aqui traduzido por palavra de ordem é uma expressão militar (keleusma) que significa comando ou ordem, bem característica e usual na relação comandante e tropas.

            Então, de cara, descobrimos que este texto tem a ver com uma operação militar, uma operação de resgate e extração de alguém dentro de território inimigo!

            As metáforas militares são muito comuns nas Escrituras para descrever alguns aspectos de nossa condição espiritual: O Senhor Jesus Cristo é chamado de o Senhor dos Exércitos (Salmos 24:10; 46:11; 89:8; Isaías 13:4); nós somos chamados de soldados (2 Timóteo 2:4); somos instados a usar uma armadura, pois estamos em guerra e temos uma luta contra um inimigo real que nos arma ciladas (Efésios 6:11-18) e, para isso, temos a nossa disposição poderosas armas de milícia (2 Coríntios 10:3-6), tanto ofensivas como defensivas (2 Coríntios 6:7b), pois o Diabo é o nosso adversário e quer nos destruir. (1 Pedro 5:8b).

            Essa ordem de comando militar (keleusma) só é usada aqui e em Provérbios 30:27 em toda a Bíblia. E esta é uma ordem de subir que é dada a TODA a Igreja (tanto para os vivos como para os mortos): “Sobe para aqui!” (Apocalipse 4:1c).
            Pelo menos em duas ocasiões o Senhor acordou os mortos com um grito ou uma palavra de ordem: “E, tendo dito isto, clamou em alta voz: Lázaro, vem para fora!” (João 11:43) e “Quando, pois, Jesus tomou o vinagre, clamou em alta voz: Está consumado! E, inclinando a cabeça, rendeu o espírito.” / “E Jesus, clamando outra vez com grande voz, entregou o espírito. Eis que o véu do santuário se rasgou em duas partes de alto a baixo; tremeu a terra, fenderam-se as rochas; abriram-se os sepulcros, e muitos corpos de santos, que dormiam, ressuscitaram.” (João 19:30 / Mateus 27:50-52)
            Existe também uma promessa que faz alusão a este modus operandi de Cristo: “Não vos maravilheis disto, porque vem a hora em que todos os que se acham nos túmulos ouvirão a sua voz e sairão.”
2 – “ouvida a voz do Arcanjo

            Em toda a Bíblia Miguel é o único nomeado como arcanjo - no grego é um título de status hierárquico, o maioral ou chefe dos anjos (Judas 9) e, nas vezes em que ele é citado, sempre o é em um contexto de batalha ou luta (Daniel 10:13,20b,21; 12:1; Judas 9; Apocalipse 12:7-9)

            O que se conclui é que por ser um combatente experiente e expert nestes tipos de embates, que lhe é designada a incumbência de abrir uma brecha nos domínios aéreos do Príncipe da potestade do ar (Efésios 2:2; 6:12d) para a passagem segura dos eleitos da Igreja que estão indo ao encontro de Jesus Cristo, já que é uma de suas funções ser defensor.

3 – “ressoada a trombeta de Deus

            A alusão a trombetas é muito frequente nas Escrituras e, dentre as suas muitas finalidades, uma delas é promover a reunião, uma convocação ao ajuntamento, o que parece ser o caso aqui.

            No Velho Testamento, quando Deus desceu para se encontrar com Israel, a reunião foi anunciada por trombetas (Êxodo 19:6,17,19), assim como será na futura reunião de Deus com o mesmo Israel ao final da tribulação (Mateus 24:31).

            A voz do arcanjo e o toque da trobeta são simultâneos, pois esta é uma tática militar que causa confusão e desnorteamento na resistência inimiga, que é o objetivo aqui. (Josué 6:16; Juízes 7:20,21)

4 – “e os mortos em Cristo ressuscitarão
5 – “depois os vivos seremos arrebatados juntamente com eles

            Jesus nunca falou nada por falar, gratuitamente. Tudo o que Ele falou, o fez em consistência harmônica com a Doutrina e o detalhamento do Plano Divino, como por exemplo o preciso “agora” dito em João 18:36.

            Mesmo nas circunstâncias de dor descritas em João 11:21-26, ao consolar Marta pela perda do irmão, Jesus mantém a coerência teológica do programa de ressurreições declarando: “Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que morra, viverá; e todo o que vive e crê em mim não morrerá, eternamente.” Em uma única frase Ele contemplou os dois tipos de condições que um crente Nele pode se encontrar: o morto (que viverá, isto é, ressuscitará, pois Ele é a ressurreição) e o que vive (que não morrerá, eternamente, pois Ele é a vida). Aleluia! Uau!!!

            Paulo, em 1 Coríntios 15:51-54, nos dá os detalhes do processo, do como isto se dará:
            “Eis que vos digo um mistério: nem todos dormiremos, mas transformados seremos todos, num momento, num abrir e fechar de olhos, ao ressoar da última trombeta. A trombeta soará (convocação para reunião, ajuntamento da Igreja), os mortos ressuscitarão incorruptíveis, e nós seremos transformados. Porque é necessário que este corpo corruptível se revista da incorruptibilidade, e que o corpo mortal se revista da imortalidade. E, quando este corpo corruptível se revestir de incorruptibilidade, e o que é mortal se revestir de imortalidade, então, se cumprirá a palavra que está escrita: Tragada foi a morte pela vitória.”
            Novamente, as duas condições, os dois estados: os mortos ressuscitam incorruptíveis (para nunca mais sofrerem corrupção, degradação ou decomposição) e os vivos são transformados e revestidos de imortalidade (dotados de corpos que nunca passarão pela morte)! Uau novamente!!!
            Para que a Igreja, a Noiva, esteja para sempre com o Senhor, é necessário que o corpo corruptível (dos crentes mortos) sejam dotados de incorruptibilidade e que o corpo mortal (dos crentes vivos) sejam dotados de imortalidade. É isso que acontecerá com a Igreja por ocasião do Arrebatamento, “num abrir e fechar de olhos” (no grego, em uma fração de tempo indivisível).

6 – “para o encontro

            Este comentário a seguir é bastante clássico entre os dispensacionalistas, mas é sempre salutar repeti-lo, por ser interessante e por ser a verdade: a palavra grega que é traduzida por encontro aqui, é a mesma que aparece em Atos 28:15 e que descreve os irmãos de Roma tendo notícias de que o prisioneiro e apóstolo Paulo vai chegar e, tomam a inciativa de sair da cidade para encontra-lo no porto, onde desembarcou, para depois retornarem à cidade, agora em companhia do recém-chegado apóstolo.

            Este é o sentido da palavra encontro aqui, ‘sair para receber e retornar para onde se estava’, e, é isto que Cristo fará conosco, Ele descerá dos céus, virá ao nosso encontro, e então retornará aos céus, agora por nós acompanhado. Que esperança! Que privilégio! Que grande promessa!

“Consolai-vos, pois, uns aos outros com estas palavras.”

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Textos bíblicos citados:

- Mateus 24:30: “Então, aparecerá no céu o sinal do Filho do Homem; todos os povos da terra se lamentarão e verão o Filho do Homem vindo sobre as nuvens do céu, com poder e muita glória.”

- Zacarias 14:1-7: “Eis que vem o Dia do SENHOR, em que os teus despojos se repartirão no meio de ti. Porque eu ajuntarei todas as nações para a peleja contra Jerusalém; (compare Apocalipse 19:19; 6:15-17) e a cidade será tomada, e as casas serão saqueadas, e as mulheres, forçadas; metade da cidade sairá para o cativeiro, mas o restante do povo não será expulso da cidade. Então, sairá o SENHOR e pelejará contra essas nações, como pelejou no dia da batalha. (compare Apocalipse 19:15a,17,21) Naquele dia, estarão os seus pés sobre o monte das Oliveiras, que está defronte de Jerusalém para o oriente; o monte das Oliveiras será fendido pelo meio, para o oriente e para o ocidente, e haverá um vale muito grande; [observe que este evento cria o espaço necessário para o julgamento pós-tribulacional de Mateus 25:31-33 (dos povos) e Ezequiel 34:11-31(de Israel)] metade do monte se apartará para o norte, e a outra metade, para o sul. Fugireis pelo vale dos meus montes, porque o vale dos montes chegará até Azal; sim, fugireis como fugistes do terremoto nos dias de Uzias, rei de Judá; então, virá o SENHOR, meu Deus, e todos os santos, com ele. (compare Apocalipse 19:11-16; Judas 14; Isaías 40:10; Daniel 7:13; 2 Tessalonicenses 1:7,8; Mateus 25:31; Romanos 11:26,27; Ezequiel 36:24-38) Acontecerá, naquele dia, que não haverá luz, mas frio e gelo. Mas será um dia singular conhecido do SENHOR; não será nem dia nem noite, mas haverá luz à tarde.” (vide o porque em Mateus 24:29; Marcos 13:25; Lucas 21:25; Isaías 13:10; 34:4; Ezequiel 32:7; Joel 2:31; Apocalipse 6:12-14)

- Isaías 13:4b: “O SENHOR dos Exércitos passa revista às tropas de guerra.”

- 2 Timóteo 2:4: “Nenhum soldado em serviço se envolve em negócios desta vida, porque o seu objetivo é satisfazer àquele que o arregimentou.”

- Efésios 6:11-18: “Revesti-vos de toda a armadura de Deus, para poderdes ficar firmes contra as ciladas do diabo; porque a nossa luta (pale, no grego, de onde vem polemos, literalmente traduzido por guerra em Mateus 24:6; Lucas 14:31; 1 Coríntios 14:8 e em outros 14 lugares do Novo Testamento) não é contra o sangue e a carne, e sim contra os principados e potestades, contra os dominadores deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal, nas regiões celestes. Portanto, tomai toda a armadura de Deus, para que possais resistir no dia mau e, depois de terdes vencido tudo, permanecer inabaláveis. Estai, pois, firmes, cingindo-vos com a verdade e vestindo-vos da couraça da justiça. Calçai os pés com a preparação do evangelho da paz; embraçando sempre o escudo da fé, com o qual podereis apagar todos os dardos inflamados do Maligno. Tomai também o capacete da salvação e a espada do Espírito, que é a palavra de Deus; com toda oração e súplica, orando em todo tempo no Espírito e para isto vigiando com toda perseverança e súplica por todos os santos.”

- 2 Coríntios 10:3-6: “Porque, embora andando na carne, não militamos segundo a carne. Porque as armas da nossa milícia não são carnais, e sim poderosas em Deus, para destruir fortalezas, anulando nós sofismas e toda altivez que se levante contra o conhecimento de Deus, e levando cativo todo pensamento à obediência de Cristo, e estando prontos para punir toda desobediência, uma vez completa a vossa submissão.”

- 2 Coríntios 6:7b: “no poder de Deus, pelas armas da justiça, quer ofensivas, quer defensivas

- 1 Pedro 5:8b: “O diabo, vosso adversário

- Provérbios 30:27: “Os gafanhotos não tem rei, contudo marcham todos sob ordens, em bandos.”

- Daniel 10:13: "Mas o príncipe do reino da Pérsia me resistiu por vinte e um dias; porém Miguel, um dos primeiros príncipes, veio para ajudar-me, e eu obtive vitória sobre os reis da Pérsia."

- Daniel 10:20b,21: “Eu tornarei a pelejar contra o príncipe dos persas; e, saindo eu, eis que virá o príncipe da Grécia. Mas eu te declararei o que está expresso na escritura da verdade; e ninguém há que esteja ao meu lado contra aqueles, a não ser Miguel, vosso príncipe.”

- Daniel 12:1: “Nesse tempo, se levantará Miguel, o grande príncipe, o defensor dos filhos do teu povo, e haverá tempo de angústia, qual nunca houve, desde que houve nação até àquele tempo.”

- Judas 9: “Contudo, o arcanjo Miguel, quando contendia com o diabo e disputava a respeito do corpo de Moisés, não se atreveu a proferir juízo infamatório contra ele; pelo contrário, disse: O Senhor te repreenda!”

- Apocalipse 12:7-9: “Houve peleja no céu. Miguel e os seus anjos pelejaram contra o dragão. Também pelejaram o dragão e seus anjos; todavia, não prevaleceram; nem mais se achou no céu o lugar deles. E foi expulso o grande dragão, a antiga serpente, que se chama diabo e Satanás, o sedutor de todo o mundo, sim, foi atirado para a terra, e, com ele, os seus anjos."

- Josué 6:16: “E sucedeu que, na sétima vez, quando os sacerdotes tocavam as trombetas, disse Josué ao povo: Gritai, porque o SENHOR vos entregou a cidade!”

- Juízes 7:20,21: “Assim, tocaram as três companhias as trombetas e despedaçaram os cântaros; e seguravam na mão esquerda as tochas e na mão direita, as trombetas que tocavam; e gritaram: Espada pelo SENHOR e por Gideão! E permaneceu cada um no seu lugar ao redor do arraial, que todo deitou a correr, e a gritar, e a fugir.”

- João 18:33,36: “Tornou Pilatos a entrar no pretório, chamou Jesus e perguntou-lhe: És tu o rei dos judeus?...Respondeu Jesus: O meu reino não é deste mundo. Se o meu reino fosse deste mundo, os meus ministros se empenhariam por mim, para que não fosse eu entregue aos judeus; mas agora o meu reino não é daqui. (haverá um dia em que será, após a tribulação! – Mateus 24:29-31, 25:31; 19:28; Apocalipse 19:6, 20:4,6)

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