As pequenas cartas de 2 e 3 João são cartas pessoais, escritas pelo idoso apóstolo a uma senhora e a um cavalheiro respectivamente.
Ambos eram crentes ativos e operosos praticantes do Evangelho e do amor cristão, que se expressava através do serviço de hospedagem que, como veremos, era muito importante naquela época, a ponto de ser veementemente solicitado pelos escritores do Novo Testamento:
"compartilhai as necessidades dos santos; praticai a hospitalidade" (Romanos 12:13)
"É necessário, portanto, que o bispo seja irrepreensível, esposo de uma só mulher, temperante, sóbrio, modesto, hospitaleiro, apto para ensinar" (1 Timóteo 3:2)
"seja recomendada pelo testemunho de boas obras, tenha criado filhos, exercitado hospitalidade, lavado os pés aos santos, socorrido a atribulados, se viveu na prática zelosa de toda boa obra" (1 Timóteo 5:10)
"Não negligencieis a hospitalidade, pois alguns, praticando-a, sem o saber acolheram anjos." (Hebreus 13:2)
"Sede, mutuamente, hospitaleiros, sem murmuração." (1 Pedro 4:9)
No primeiro século, Jesus Cristo criou uma estratégia para divulgar a verdade do Evangelho: PREGADORES ITINERANTES.
Jesus enviou doze, dois a dois, para pregar pela Galiléia e depois enviou setenta para pregar por todo o território de Israel.
E Ele lhes deu instruções (Mateus 10:5-15; Marcos 6:7-13; Lucas 9:1-6 e 10:1-12):
"Não vos provereis de ouro, nem de prata, nem de cobre nos vossos cintos; nem de alforje para o caminho, nem de duas túnicas, nem de sandálias, nem de bordão; porque digno é o trabalhador do seu alimento.
E, em qualquer cidade ou povoado em que entrardes, indagai quem neles é digno; e aí ficai até vos retirardes.
Ao entrardes na casa, saudai-a; se, com efeito, a casa for digna, venha sobre ela a vossa paz; se, porém, não o for, torne para vós outros a vossa paz."
Ou seja, os pregadores itinerantes dependiam da hospitalidade das pessoas.
Mesmo porque, naquela época, as estalagens eram verdadeiros bordéis, onde mulheres ofereciam seus serviços aos viajantes cansados, lugares insalubres e cheios de doenças...inaceitáveis para um pregador do evangelho.
Quando a Igreja foi criada, após a morte e ressurreição de Cristo, o Evangelho passou a ser disseminado pelo mundo através de pregadores itinerantes que saíam em duplas, como Paulo e Barnabé, Paulo e Silas, Barnabé e Marcos, Áquila e Priscila...daí que a prática da hospitalidade pelos lares cristãos era uma questão muito prática e operacional.
Daí o Novo Testamento exortar a respeito da prática da hospitalidade.
Hospitalidade em grego é philoxenos, amor pelo estranho, pelo estrangeiro, servir a estranhos e, os cristãos verdadeiros, movidos pelo espírito Santo, pelo amor aos irmãos e pelo amor ao Evangelho, praticavam essa vocação, o acolhimento de pessoas que não conheciam em seus lares. Se não podiam eles mesmos sair de forma itinerante, que participassem da expansão do Evangelho oferecendo esse suporte, afinal:
"Quem vos recebe a mim me recebe; e quem me recebe, recebe aquele que me enviou. Quem recebe um profeta, no caráter de profeta, receberá o galardão de profeta; quem recebe um justo, no caráter de justo, receberá o galardão de justo.
E quem der a beber, ainda que seja um copo de água fria, a um destes pequeninos, por ser este meu discípulo, em verdade vos digo que de modo algum perderá o seu galardão." (Mateus 10:40-42)
"Portanto, devemos acolher esses irmãos, para nos tornarmos cooperadores da verdade." (3 João 1:8)
A hospitalidade cristã atingiu um nível muito alto de testemunho público, era uma virtude espiritual muito característica, a ponto de ser percebida pela sociedade em geral.
Daí, surgiu um problema:
Essa estruturação "0800" atraiu pessoas mal-intencionadas e falsos mestres, que se apresentavam como verdadeiros pregadores itinerantes, verdadeiros representantes de Deus e, uma vez infiltrados, nas casas e nas igrejas, começavam a ensinar mentiras e a subverter a fé.
Foram essas circunstâncias que deram ensejo a necessidade de que o apóstolo João escrevesse as nossas duas cartinhas, prescrevendo instruções de como exercitar de maneira segura essa prática tão necessária para a divulgação do Evangelho, instruções essas que são válidas não somente naqueles dias, como ainda são nos dias de hoje.
Para isso João vai estabelecer um parâmetro: o equilíbrio entre a verdade e o amor. Com veremos no próximo post.
Maranatha Senhor Jesus!
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