sábado, 21 de novembro de 2020

A carta a igreja de Éfeso

 

ÉFESO (desejável, querida, companheira escolhida) – de 29 a 81

A população do império romano na época de Cristo era de 250 milhões de pessoas, e Roma a capital tinha em torno de 2 milhões.

Éfeso era a segunda maior cidade do império com 600 mil pessoas e, era também a capital asiática, sendo Roma a capital européia.

É a única das 7 igrejas que ocupa um lugar triplo na literatura do NT: recebe bastante destaque em Atos (18:19 - 20:1; 16-38); a esta igreja Paulo escreveu uma de suas epístolas; e a ela o Senhor enviou uma das 7 cartas através de João (Apocalipse 2:1-7).

Não é à toa que o Espírito Santo tenha escolhido Éfeso como a cidade onde foi dada o maior investimento missionário e doutrinário, devido a sua importância estratégica e operacional, sendo que ela recebeu investimentos de pessoas de peso:

Paulo visitou essa cidade em sua viagem de Corinto a Jerusalém. Isso ocorreu durante sua segunda viagem missionária, cerca do ano 52 (At 18.19-21). Aí ele deixou Priscila e Áquila (18.19); e aí foi que Apolo pregou com caloroso zelo (18.25).

Em sua terceira viagem missionaria, Paulo passou três anos aí (At 20.31). Seu trabalho foi grandemente abençoado, não só em Éfeso propriamente, mas em toda a região vizinha.

Rumo a Jerusalém, vindo de sua terceira viagem missionária, Paulo se despediu dos presbíteros da Igreja de Éfeso de uma maneira tocante (At 20.17-38). Isso ocorreu por volta do ano 57.

Durante sua primeira prisão, em 60-63, Paulo enviou, de Roma, sua carta aos efésios.

Após sua libertação, o apóstolo parece ter feito mais algumas breves visitas aos efésios, deixando Timóteo encarregado dessa Igreja (1Tm 1.3).

Poucos anos depois, possivelmente logo após o início da guerra judaica, no ano 66, o apóstolo João se mudou para lá onde ministrou por mais de 30 anos. Foi durante o reinado de Domiciano (81-96) que João foi banido para Patmos, uma ilha que era acessível pelo porto de Éfeso. Foi liberto e morreu durante o reinado de Trajano, que foi um imperador muito liberal e que governou de 98 a 117.

A tradição relata que, bem velho e fraco demais para andar, João era carregado para a Igreja onde admoestava os irmãos: "Filhinhos, amai-vos uns aos outros".

Dentre as milhares de cidades que foram evangelizadas nos 70 anos iniciais do cristianismo, foi Éfeso que foi escolhida como a representante do cristianismo do primeiro século. Ademais a cidade era como um desafio ao Evangelho e ao poder de Deus:

“Se, porém, eu expulso demônios pelo Espírito de Deus, certamente é chegado o reino de Deus sobre vós. Ou como pode alguém entrar na casa do valente e roubar-lhe os bens sem primeiro amarrá-lo? E, então, lhe saqueará a casa.” (Mateus 12:28,29)

“Para isto se manifestou o Filho de Deus: para destruir as obras do diabo.” (1 João 3:8)

“para que, por sua morte, destruísse aquele que tem o poder da morte, a saber, o diabo, e livrasse todos que, pelo pavor da morte, estavam sujeitos à escravidão por toda a vida.” (Hebreus 2:14,15)

“Ele nos libertou do império das trevas” (Colossenses 1:13ª)

“para lhes abrires os olhos e os converteres das trevas para a luz e da potestade de Satanás para Deus” (Atos 26:18ª)

“vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz” (1 Pedro 2:9b)

Éfeso era como que ‘o centro mundial’ do paganismo. Ali havia uma das sete maravilhas do velho mundo — o templo da deusa Ártemis/Diana, local de intensa idolatria, onde floresciam a prostituição, as bebedeiras e as orgias. No templo, criminosos achavam asilo. Era um céu para o perverso. Com suas prostitutas, eunucos, dançarinas e cantores, era o esgoto da iniquidade.

“Tenho, porém, contra ti que abandonaste o teu primeiro amor.” (Apocalipse 2:4)

O primeiro amor é o abandono de tudo por um amor que também abandonou tudo.

A Igreja de Éfeso tinha mais de quarenta anos quando Jesus ditou essa carta a João. Outra geração havia surgido. Os filhos não experimentavam aquele entusiasmo intenso, aquela espontaneidade e o ardor que haviam revelado os seus pais quando tiveram o primeiro contacto com o evangelho através de mensageiros tão ilustres

Faltava à geração seguinte a devoção a Cristo. Uma situação semelhante ocorreu em Israel depois dos dias de Josué. (Juízes 2:7-13). A Igreja havia abandonado seu primeiro amor.

O abandono de Deus não acarretou que os crentes de Éfeso cometessem um erro tão grosseiro como foi a geração pós-Josué a ponto de abraçarem ridículas idolatrias. Foi mais sutil, mas foi idolátrico da mesma forma, pois o resultado foi o mesmo: o Senhor foi substituído. No caso de Éfeso o foco que pertence ao Senhor foi ocupado pelo serviço, pelo ardor e rigor doutrinário. Era uma igreja que fazia tudo certinho, mas que se esqueceu de Jesus...a igreja se tornou tão ocupada em seu serviço a Jesus que esqueceu do próprio Jesus! O relacionamento que Ele buscava estava se transformando em outra religião de serviço.

(Apocalipse 2:2,3,6) Conheço:

- as tuas obras

- o teu labor

- a tua perseverança

- não suporta homens maus (não dá espaço para falsos mestres)

- põe a prova os apóstolos mentirosos (verificam “bereanamente” a doutrina)

- tem perseverança nas provações

- suporta provas

- não se deixa esmorecer

 - odeias as obras dos nicolaítas.

Mas, Jesus tem um remédio para a perda do primeiro amor:

LEMBRA – MUDA DE ATITUDE – VOLTA (Apocalipse 2:5a)

É só voltar a fazer agora do jeito que fazia antes: com amor; não mecanicamente, não religiosamente, não rotineiramente, não porque está habituado a fazer ou porque tem que fazer...não com AMOR PELA CAUSA, mas com amor pelo servir, ao Senhor e aos outros.

Jesus não quer militantes, Ele quer discípulos. O discípulo obedece porque ama, ama porque obedece.

“Estas coisas diz aquele que conserva na mão direita as sete estrelas e que anda no meio dos sete candeeiros de ouro” (Apocalipse 2:1)

A ÊNFASE DO TÍTULO ESTÁ NA MOTIVAÇÃO.

Usando este título o Senhor Se identifica como Aquele que veio visitar João, Aquele com autoridade sobre a Igreja para poder estar ministrando o que virá a seguir.

Está descrição de Cristo revela a relação especial que existe entre Ele e as igrejas.

Ele se apresenta a Éfeso como Alguém que tem grande estima e consideração pela igreja, e que dispensa um trabalho de excelência movido por essa grande estima e consideração:

- Ele tem a igreja guardada e segura em um lugar de honra (na mão direita) e,

- anda = se move ativamente, trabalha em função dela, para sua manutenção operacional e preservação.

Por que essa descrição de Cristo?

Porque foi o amor por esse Alguém que tem tanta consideração e que despende tanta dedicação que eles estavam abandonando.

Não que exista troca ou que Jesus esteja esperando reciprocidade, mas porque não prestaríamos obediência e serviço a altura desse que recebemos?

“Servi ao Senhor com alegria, apresentai-vos diante dele com cântico.
Sabei que o Senhor é Deus; foi ele quem nos fez, e dele somos; somos o seu povo e rebanho do seu pastoreio.” (
Salmos 100:2,3)

“Portanto, meus amados irmãos, sede firmes, inabaláveis e sempre abundantes na obra do Senhor, sabendo que, no Senhor, o vosso trabalho não é vão.” (1 Coríntios 15:58)

 

A igreja começa por Eféso que desfoca do Salvador para focar na doutrina da salvação, e termina por Laodicéia que desfoca do Abençoador para focar nas bençãos.

O desvio de foco a princípio é mais nobre e sutil, e por fim é mais torpe e grotesco. Nobre por que se tratava da doutrina, torpe porque se trata de dinheiro.

Aprendemos em 2&3 João que a verdade não deve ser entregue em detrimento do amor. Aqui na carta a Eféso aprendemos que o amor não deve ser entregue em detrimento da verdade, as duas coisas têm que andar juntas, pois têm igual importância.

Paulo ensinou isso aos efésios:

“Mas, seguindo a verdade em amor, cresçamos em tudo naquele que é a cabeça, Cristo” (Efésios 4:15).

O amor foi um tema importante e bem enfatizado no ensino de Paulo aos efésios (1:4,15; 2:4; 3:1,17,19; 4:2,15,16; 5:2; 6:23), é possível defender a verdade sem deixar de praticar o amor.

Caso não atendamos a sua admoestação de retornar ao primeiro amor, existe o risco de, tão satisfeitos com nossos trabalhos e esforços “para o Senhor” e tão auto suficientes com nosso desempenho e sucesso terminemos como a última igreja: com um Jesus excluído de Sua própria Igreja, batendo a porta...(Apocalipse 3:20)!

Lembra-te, pois, de onde caíste: Não foram as alfarrobas dos porcos que levaram o filho pródigo ao arrependimento; foi a lembrança da casa do pai. Para os efésios se arrependerem, teriam que lembrar da comunhão com Deus que deixaram para trás. Para permanecermos fiéis, a presença de Deus precisa ser a coisa mais preciosa na nossa vida. Uma vez que caímos, é necessário desenvolvermos novamente o amor para com Ele.

“Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas: Ao vencedor, dar-lhe-ei que se alimente da árvore da vida que se encontra no paraíso de Deus.” (Apocalipse 2:7)

Porque Jesus promete como recompensa a árvore da vida, o paraíso de Deus?

Jesus aqui descreve COMUNHÃO, comunhão com Deus em termos que nos lembram do Jardim do Éden, onde Deus andava lado a lado com Adão antes da Queda.

Jesus faz essa referência porque é isso que está faltando a Éfeso: comunhão verdadeira, transparência, franqueza, sinceridade, amizade, cumplicidade, companheirismo, intimidade, franqueza, relacionamento, se importar um com o outro, reciprocidade...comunhão, ter as coisas em comum...andar juntos.

Aqueles que andam com Deus têm a esperança da vida no paraíso do Senhor.

“se não, venho a ti e moverei do seu lugar o teu candeeiro, caso não te arrependas.” (Apocalipse 2:5b)

A cidade foi destruída em 263 pelos godos, uma tribo germânica e, apesar de ter sido reconstruída, a importância da cidade como um centro comercial declinou conforme o porto foi lentamente assentado acima pelo Rio Caístro. A cidade foi parcialmente destruída novamente por um terremoto no ano de 614. Hoje só existem ruínas...

"ao vencedor"

O nascido de novo é declarado "mais do que vencedor" por estar em Cristo ("por meio Daquele que nos amou" - Romanos 8:37), pois Cristo é mais do que vencedor, por ter vencido a morte (1 Coríntios 15:55; Apocalipse 1:18; Atos 2:24), o mundo (João 16:33) e o diabo (1 João 3:8b; Hebreus 2:15b; Marcos 3:27; João 12:31; Colossenses 2:15).

No contexto das sete cartas, é declarado vencedor, aquele que atende o chamado ao arrependimento que é feito em cada situação específica de cada igreja em específico, assim:

Em Éfeso, é declarado vencedor, aquele que se lembra, muda de comportamento (arrepender no grego é metanoia que significa mudança diametral de comportamento) e volta a prática das primeiras obras, ou seja, volta a laborar com a motivação correta, que é por amor a Cristo.

Aliás, pode-se dizer que o principal objetivo de cada uma das cartas é CORRIGIR A MOTIVAÇÃO.

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