ÉFESO
(desejável,
querida, companheira escolhida) – de 29 a 81
A população do império romano na época de Cristo era de 250
milhões de pessoas, e Roma a capital tinha em torno de 2 milhões.
Éfeso era a segunda maior cidade do
império com 600 mil pessoas e, era também a capital asiática, sendo Roma a
capital européia.
É a única das 7 igrejas que ocupa um lugar
triplo na literatura do NT: recebe bastante destaque em Atos (18:19 - 20:1;
16-38); a esta igreja Paulo escreveu uma de suas epístolas; e a ela o Senhor
enviou uma das 7 cartas através de João (Apocalipse 2:1-7).
Não é à toa que o Espírito Santo tenha
escolhido Éfeso como a cidade onde foi dada o maior investimento missionário
e doutrinário, devido a sua importância estratégica e operacional, sendo
que ela recebeu investimentos de pessoas de peso:
Paulo visitou essa cidade em sua viagem
de Corinto a Jerusalém. Isso ocorreu durante sua segunda viagem missionária,
cerca do ano 52 (At 18.19-21). Aí ele deixou Priscila e Áquila (18.19);
e aí foi que Apolo pregou com caloroso zelo (18.25).
Em sua terceira viagem missionaria, Paulo
passou três anos aí (At 20.31). Seu trabalho foi grandemente abençoado, não
só em Éfeso propriamente, mas em toda a região vizinha.
Rumo a Jerusalém, vindo de sua terceira
viagem missionária, Paulo se despediu dos presbíteros da Igreja de Éfeso de uma
maneira tocante (At 20.17-38). Isso ocorreu por volta do ano 57.
Durante sua primeira prisão, em 60-63,
Paulo enviou, de Roma, sua carta aos efésios.
Após sua libertação, o apóstolo parece
ter feito mais algumas breves visitas aos efésios, deixando Timóteo encarregado
dessa Igreja (1Tm 1.3).
Poucos anos depois, possivelmente logo
após o início da guerra judaica, no ano 66, o apóstolo João se mudou
para lá onde ministrou por mais de 30 anos. Foi durante o reinado de Domiciano
(81-96) que João foi banido para Patmos, uma ilha que era acessível pelo porto
de Éfeso. Foi liberto e morreu durante o reinado de Trajano, que foi um
imperador muito liberal e que governou de 98 a 117.
A tradição relata que, bem velho e fraco
demais para andar, João era carregado para a Igreja onde admoestava os irmãos:
"Filhinhos, amai-vos uns aos outros".
Dentre as milhares de cidades que foram
evangelizadas nos 70 anos iniciais do cristianismo, foi Éfeso que foi escolhida
como a representante do cristianismo do primeiro século. Ademais a cidade era
como um desafio ao Evangelho e ao poder de Deus:
“Se, porém, eu expulso demônios pelo
Espírito de Deus, certamente é chegado o reino de Deus sobre vós. Ou como pode
alguém entrar na casa do valente e roubar-lhe os bens sem primeiro amarrá-lo?
E, então, lhe saqueará a casa.” (Mateus 12:28,29)
“Para isto se manifestou o Filho de Deus:
para destruir as obras do diabo.” (1 João
3:8)
“para que, por sua morte, destruísse
aquele que tem o poder da morte, a saber, o diabo, e livrasse todos que, pelo
pavor da morte, estavam sujeitos à escravidão por toda a vida.” (Hebreus 2:14,15)
“Ele nos libertou do império das trevas”
(Colossenses 1:13ª)
“para lhes abrires os olhos e os
converteres das trevas para a luz e da potestade de Satanás para Deus” (Atos 26:18ª)
“vos chamou das trevas para a sua
maravilhosa luz” (1 Pedro
2:9b)
Éfeso era como que ‘o centro mundial’ do
paganismo. Ali havia uma das sete maravilhas do velho mundo — o templo da deusa
Ártemis/Diana, local de intensa idolatria, onde floresciam a prostituição, as
bebedeiras e as orgias. No templo, criminosos achavam asilo. Era um céu para o
perverso. Com suas prostitutas, eunucos, dançarinas e cantores, era o esgoto da
iniquidade.
“Tenho, porém, contra ti que abandonaste o teu primeiro
amor.” (Apocalipse 2:4)
O primeiro amor é o abandono de
tudo por um amor que também abandonou tudo.
A Igreja de Éfeso tinha mais de
quarenta anos quando Jesus ditou essa carta a João. Outra geração havia
surgido. Os filhos não experimentavam aquele entusiasmo intenso, aquela
espontaneidade e o ardor que haviam revelado os seus pais quando tiveram o
primeiro contacto com o evangelho através de mensageiros tão ilustres
Faltava à geração seguinte a devoção a
Cristo. Uma situação semelhante ocorreu em Israel depois dos dias de Josué. (Juízes
2:7-13). A Igreja havia abandonado seu primeiro amor.
O
abandono de Deus não acarretou que os crentes de Éfeso cometessem um erro tão
grosseiro como foi a geração pós-Josué a ponto de abraçarem ridículas
idolatrias. Foi mais sutil, mas foi idolátrico da mesma forma, pois o resultado
foi o mesmo: o Senhor foi substituído. No caso de Éfeso o foco que pertence ao
Senhor foi ocupado pelo serviço, pelo ardor e rigor doutrinário. Era uma igreja
que fazia tudo certinho, mas que se esqueceu de Jesus...a igreja se tornou tão ocupada em seu serviço a Jesus que esqueceu do
próprio Jesus! O relacionamento que Ele buscava estava se transformando em
outra religião de serviço.
(Apocalipse 2:2,3,6) Conheço:
- as tuas obras
- o teu labor
- a tua perseverança
- não suporta homens maus (não dá espaço
para falsos mestres)
- põe a prova os apóstolos mentirosos
(verificam “bereanamente” a doutrina)
- tem perseverança nas provações
- suporta provas
- não se deixa esmorecer
- odeias as obras dos
nicolaítas.
Mas, Jesus tem um remédio para a perda
do primeiro amor:
LEMBRA – MUDA DE ATITUDE – VOLTA (Apocalipse
2:5a)
É só voltar a fazer agora do jeito que
fazia antes: com amor; não mecanicamente, não religiosamente, não
rotineiramente, não porque está habituado a fazer ou porque tem que fazer...não
com AMOR PELA CAUSA, mas com amor pelo servir, ao Senhor e aos outros.
Jesus não quer militantes, Ele quer
discípulos. O discípulo obedece porque ama, ama porque obedece.
“Estas coisas diz aquele que conserva na mão direita
as sete estrelas e que anda no meio dos sete candeeiros de ouro” (Apocalipse
2:1)
A ÊNFASE DO TÍTULO ESTÁ
NA MOTIVAÇÃO.
Usando este título o Senhor Se identifica como Aquele que
veio visitar João, Aquele com autoridade sobre a Igreja para poder estar
ministrando o que virá a seguir.
Está descrição de Cristo revela a relação especial que
existe entre Ele e as igrejas.
Ele se apresenta a Éfeso como Alguém que tem grande estima
e consideração pela igreja, e que dispensa um trabalho de excelência
movido por essa grande estima e consideração:
- Ele tem a igreja guardada e segura em um lugar de honra
(na mão direita) e,
- anda = se move ativamente, trabalha em função
dela, para sua manutenção operacional e preservação.
Por que essa descrição de Cristo?
Porque foi o amor por esse Alguém que tem tanta consideração
e que despende tanta dedicação que eles estavam abandonando.
Não que exista troca ou que Jesus esteja esperando
reciprocidade, mas porque não prestaríamos obediência e serviço a altura desse que
recebemos?
“Servi ao Senhor com alegria, apresentai-vos diante dele com
cântico.
Sabei que o Senhor é Deus; foi ele quem nos fez, e dele somos; somos o seu povo
e rebanho do seu pastoreio.” (Salmos 100:2,3)
“Portanto, meus amados irmãos, sede firmes, inabaláveis e
sempre abundantes na obra do Senhor, sabendo que, no Senhor, o vosso trabalho
não é vão.” (1 Coríntios 15:58)
A igreja começa por Eféso que desfoca do Salvador para focar
na doutrina da salvação, e termina por Laodicéia que desfoca do Abençoador para
focar nas bençãos.
O desvio de foco a princípio é mais nobre e sutil, e por fim
é mais torpe e grotesco. Nobre por que se tratava da doutrina, torpe porque se
trata de dinheiro.
Aprendemos em 2&3 João que a verdade não deve ser
entregue em detrimento do amor. Aqui na carta a Eféso aprendemos que o amor não
deve ser entregue em detrimento da verdade, as duas coisas têm que andar
juntas, pois têm igual importância.
Paulo ensinou isso aos efésios:
“Mas, seguindo a verdade em amor, cresçamos em tudo
naquele que é a cabeça, Cristo” (Efésios 4:15).
O amor foi um tema importante e bem enfatizado no ensino de
Paulo aos efésios (1:4,15; 2:4; 3:1,17,19; 4:2,15,16; 5:2; 6:23), é possível
defender a verdade sem deixar de praticar o amor.
Caso não atendamos a sua admoestação de retornar ao primeiro
amor, existe o risco de, tão satisfeitos com nossos trabalhos e esforços “para
o Senhor” e tão auto suficientes com nosso desempenho e sucesso terminemos como
a última igreja: com um Jesus excluído de Sua própria Igreja, batendo a
porta...(Apocalipse 3:20)!
Lembra-te, pois, de onde caíste: Não foram as alfarrobas dos
porcos que levaram o filho pródigo ao arrependimento; foi a lembrança da casa
do pai. Para os efésios se arrependerem, teriam que lembrar da comunhão com
Deus que deixaram para trás. Para permanecermos fiéis, a presença de Deus
precisa ser a coisa mais preciosa na nossa vida. Uma vez que caímos, é
necessário desenvolvermos novamente o amor para com Ele.
“Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas: Ao
vencedor, dar-lhe-ei que se alimente da árvore da vida que se encontra no
paraíso de Deus.” (Apocalipse
2:7)
Porque Jesus promete como recompensa a árvore da vida, o
paraíso de Deus?
Jesus aqui descreve COMUNHÃO, comunhão com Deus em termos que
nos lembram do Jardim do Éden, onde Deus andava lado a lado com Adão antes da
Queda.
Jesus faz essa referência porque é isso que está faltando a
Éfeso: comunhão verdadeira, transparência, franqueza, sinceridade, amizade,
cumplicidade, companheirismo, intimidade, franqueza, relacionamento, se
importar um com o outro, reciprocidade...comunhão, ter as coisas em
comum...andar juntos.
Aqueles que andam com Deus têm a esperança da vida no paraíso
do Senhor.
“se não, venho a ti e moverei do seu lugar o teu candeeiro,
caso não te arrependas.” (Apocalipse
2:5b)
A cidade foi destruída em 263 pelos godos, uma tribo
germânica e, apesar de ter sido reconstruída, a importância da cidade como um
centro comercial declinou conforme o porto foi lentamente assentado acima pelo
Rio Caístro. A cidade foi parcialmente destruída novamente por um terremoto no
ano de 614. Hoje só existem ruínas...
"ao vencedor"
O nascido de novo é declarado "mais do que vencedor" por estar em Cristo ("por meio Daquele que nos amou" - Romanos 8:37), pois Cristo é mais do que vencedor, por ter vencido a morte (1 Coríntios 15:55; Apocalipse 1:18; Atos 2:24), o mundo (João 16:33) e o diabo (1 João 3:8b; Hebreus 2:15b; Marcos 3:27; João 12:31; Colossenses 2:15).
No contexto das sete cartas, é declarado vencedor, aquele que atende o chamado ao arrependimento que é feito em cada situação específica de cada igreja em específico, assim:
Em Éfeso, é declarado vencedor, aquele que se lembra, muda de comportamento (arrepender no grego é metanoia que significa mudança diametral de comportamento) e volta a prática das primeiras obras, ou seja, volta a laborar com a motivação correta, que é por amor a Cristo.
Aliás, pode-se dizer que o principal objetivo de cada uma das cartas é CORRIGIR A MOTIVAÇÃO.
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