sábado, 21 de novembro de 2020

As 7 cartas as 7 igrejas da Ásia (Apocalipse 2 e 3)

 

Em Apocalipse 1:12-16 vemos Jesus Cristo glorificado VESTIDO PARA JULGAR:

O branco da cabeça e dos cabelos cobram santidade através da voz de muitas águas que indica que o faz com grande autoridade.

Os olhos como chama de fogo e os pés incandescentes como refinados em fornalha, dizem que o Senhor tudo vê e tudo julga.

A espada afiada saindo da boca e o sol na sua força, falam que o julgamento que é feito por meio da Palavra de Deus é irresistível.

Parafraseando, podemos resumir o que João está dizendo as igrejas em linguagem simbólica assim:

As igrejas (candeeiros) devem estar atentas (chamado da trombeta) ao que conosco se identifica (Filho de homem) está ministrando (vestes talares), porque estamos associados com Ele (cinta de ouro) em Sua pureza e santidade (cabeça e cabelos brancos), pois o que está sendo revelado diz respeito a julgamento (pés de bronze refinados em fornalha) ao qual nada passa despercebido (olhos de fogo) e que está revestido de grande autoridade (voz de muitas águas). Este julgamento (espada afiada que sai da boca) começa por aqueles que hão de prestar contas das almas a eles entregues (as estrelas contidas na mão direita) e é irresistível. (o sol brilhando na sua força).

Traduzindo: presta atenção porque o que será revelado é muito sério!

O julgamento começa pela casa de Deus:

“Porque a ocasião de começar o juízo pela casa de Deus é chegada; ora, se primeiro vem por nós, qual será o fim daqueles que não obedecem ao evangelho de Deus?
E, se é com dificuldade que o justo é salvo, onde vai comparecer o ímpio, sim, o pecador?”
(1 Pedro 4:17,18)

e que governe bem a própria casa, criando os filhos sob disciplina, com todo o respeito, pois, se alguém não sabe governar a própria casa, como cuidará da igreja de Deus?” (1 Timóteo 3:4,5)

Fazendo sua obra (andando no meio) de purificação e julgamento disciplinar:

Tenho porém contra ti (2:4)

Arrepende-te senão moverei (2:5)

Tenho contra ti (2:14)

Arrepende-te senão removerei (2:16)

Tenho contra ti (2:20)

Dei-lhe tempo...prostro, GT, matarei (2:21,22)

Arrepende-te senão virei de surpresa (3:3)

Arrepende-te (3:19)

Os níveis de aplicação do conteúdo das 7 cartas:

De acordo com Apocalipse 1:4, o livro foi escrito para sete congregações na Ásia, atual Turquia. Porque uma mensagem tão importante não foi escrita para a igreja de Roma, que era a capital do império? ou de Jerusalém, onde a Igreja nasceu?

A resposta está no fato de que as cartas dos capítulos 2 e 3 têm um propósito representativo, bem como específico. Elas podem na verdade ser lidas com quatro níveis de aplicação.

1) O primeiro nível é histórico. As sete igrejas realmente existiram e cada uma tinha as experiências e os problemas em particular a que o Senhor se refere quando ditou as cartas a João. Estas igrejas existiam nas cidades em que afirmam existir. 

E se você estudar as cartas em detalhes, verá que cada carta se encaixa no contexto histórico, geográfico, sócio cultural e econômico da cidade para qual foi escrita. São cidades literais e históricas.

2) O segundo nível é aplicativo geral, já que todas as igrejas deveriam ler todas as cartas (“João, às sete igrejas que se encontram na Ásia” - Apocalipse 1:4a), elas eram também admoestações para todas as igrejas. A associação com o numeral 7 que fala de completude revela que as cartas são proveitosas não apenas para todas as sete igrejas históricas originais, como também para todas as congregações em qualquer época ou lugar.

Como sabemos que tipo de igreja é uma congregação local?

Uma congregação local cairá na classificação de um tipo específico de igreja quando a característica dominante na congregação local é equivalente a característica de uma das sete igrejas.

Por exemplo, quando a influência dominante na congregação local seja ser fria, embora ortodoxa, essa congregação local refletirá um comportamento frio e ortodoxo que é peculiar da Igreja de Éfeso, mesmo que possa haver alguns membros com características de uma das outras seis igrejas (Filadélfia, se for evangelista e fiel; Esmirna, se for sofredor e fiel; Pérgamo, se for mundano, e etc). 

Se a influência dominante na congregação local é ser indiferente para com Deus, sem produção, sem vida, ela é uma igreja morta, assim como a Igreja de Sardes, embora possa haver algumas pessoas que ainda não morreram e que assumem caraterísticas de uma das outras seis.

Qualquer que seja a influência dominante, dá caráter à congregação local se a igreja for marcada por um número dominante de pessoas fiéis passando pela porta aberta e recebendo a Palavra de Deus, ela será marcada como uma igreja fiel assim como Filadélfia...e assim sucessivamente.

Hoje vivemos o último período da Igreja Universal (Hebreus 12:22d,23a), o período de Laodicéia, que começou no início do século XX e prevalecerá até o fim da dispensação.

A Igreja Universal assumiu as características da igreja histórica de Laodicéia (indiferença, mornidão, autossuficiência e expulsão de Cristo de Sua própria Igreja), quando deixou de ter as característica de Filadélfia (fidelidade a Palavra e evangelismo missionário) e passou a se importar mais com as coisas secundárias como os dons do Espírito e a estabilidade material. Tal mudança de característica teve início com o “reavivamento” da Rua Azusa em 1905, ocasião em que a igreja passou a super enfatizar os dons e manifestações espirituais, ainda que muitas vezes às custas da sã doutrina, e quando o Espírito Santo passou a ter destaque nos cultos em detrimento da Pessoa do Filho...

Mas, ainda que estejamos no estágio final da Igreja Universal, Laodicéia, existem espalhadas pelo mundo congregações locais com as características das outras seis igrejas modelo. 

3) O terceiro nível é aplicativo individual, como tanto o desafio quanto a promessa com que cada carta termina são pessoais e não corporativos (“quem tem...ao que vencer...”), as cartas eram para indivíduos assim como para congregações. São igrejas representativas, que servem de modelo, pelas características, qualidades elogiáveis e defeitos, de todas as igrejas em todos os lugares e em todas as épocas da existência da Igreja.

4) O quarto nível é profético, é interessante que as características e os problemas de cada uma, na ordem em que são apresentadas, revelam profeticamente o desenrolar da história da presente dispensação, que começou em Pentecostes e terminará com o Arrebatamento.

Essa dispensação, que alguns chamam de: da Graça, do Espírito, da Igreja ou do Mistério, equivale a segunda seção do livro de Apocalipse, “as coisas que são” (Apocalipse 1:19), estas coisas estavam sendo nos dias de João, ainda o são em nossos dias, e continuarão sendo até a Igreja ser retirada da terra. É um período de tempo de testemunho de Jesus Cristo ressurreto (Atos 1:8) cuja duração não foi determinada profeticamente e que nem foi vista nos escritos do Velho Testamento (Colossenses 1:24-26), pois constitui um mistério, ou seja, algo que ainda não havia sido dado a conhecer. Essa dispensação está encaixada, como um parêntese, entre o término da 69ª semana de Daniel e o futuro início da 70ª semana, quando Deus voltará a tratar particularmente com a nação de Israel, no período chamado de “angústia de Jacó” (Jeremias 30:7).

Sumário das igrejas e sua principal característica:

ÉFESO - Ortodoxa mas fria - anos 29 a 81(de Pentecostes até ascensão de Domiciano)

SMIRNA – Perseguida - anos 81 a 313 (da ascensão de Domiciano até ao Édito de Milão)

PÉRGAMO – Mundana - anos 313 a 431 (do Édito de Milão até a proclamação da Virgem Maria como teótoco)

TIATIRA - Tolerante com o pecado - anos 431 a 1517 (da proclamação da Virgem Maria como teótoco até a afixação das 95 teses por Lutero)

SARDES – Morta (nada acontecendo, sem vida, sem crescimento, sem produtividade, sem frutos, sem alegria) - anos 1517 a 1800 (da afixação das 95 teses por Lutero até o ano da caminhada da galesa Mary Jones que levou a criação das sociedades bíblicas)

FILADÉLFIA - Fiel e evangelística - anos 1803 a 1906 (do ano da caminhada da galesa Mary Jones até o avivamento da Rua Azusa)

LAODICÉIA – Indiferente, liberal e ocupada com o enriquecimento material (gananciosa, consumista e auto promotora de si mesma, um reflexo da sociedade na qual está inserida...) - anos 1906 a 2029? (do avivamento da Rua Azusa até o arrebatamento)

Satanás está ativo na presente dispensação:

duas vezes lemos "a sinagoga de Satanás" (2:9; 3:9);

em Pérgamo estava "o trono de Satanás" (2:13);

na carta a Tiatira menciona-se "as profundezas de Satanás" (2:24);

em relação a Esmirna, adverte-se que o diabo lançaria alguns deles na prisão.

Além disso, encontramos referências aos odiosos nicolaítas (2:6,15), a presença dos perniciosos ensinamentos de Balaão (2:14), e a repreensão feita a Tiatira por suportar a presença de uma profetiza chamada Jezabel (2:20).

O Senhor começa cada carta com alguns dos 24 títulos diferentes que são usados para descrevê-Lo no livro do Apocalipse, e o título que Ele escolhe dá direcionamento para o tema que será abordado na carta, pois lhe é pertinente.

O significado do nome de cada Igreja também é pertinente com as características que cada igreja possui.

Cada carta pode ser dividida em sete partes, o título do Senhor (1) a menção honrosa (2), a crítica (3), a admoestação (4), o chamado (5), o desafio (6) e a promessa (7).

Duas das sete cartas, Sardes e Laodicéia, não contêm menção honrosa, pois uma é morta e a outra repulsiva e imprestável.

Em duas outras, Esmirna e Filadélfia, nenhuma crítica é feita, pois são igrejas que chegam bem próximo daquilo que Cristo espera da Igreja, ambas são fiéis, uma sofredora até a morte e outra que é fiel em guardar a Palavra. Diria que Esmirna é a igreja que se galardoa com ouro (que é símbolo da manifestação da glória divina, pois a fidelidade até ao ponto de morte cria um impacto e testemunho que impressiona), e Filadélfia é a igreja que se galardoa com prata (que é símbolo de trabalho redentor, pois a fidelidade a Palavra e ao testemunho que se aproveita de oportunidades, portas abertas, é exatamente o propósito para o qual a Igreja se destina).

Pérgamo não recebe admoestação, mas tem duas críticas. Nas últimas quatro cartas o desafio e a promessa estão invertidos.

Tiatira é, de longe, a igreja que tem os problemas mais sérios: tolera Jezabel que ensina e seduz a igreja a praticar prostituição e idolatria e por isso, está envolvida com “as coisas profundas de satanás”, daí que o Senhor se apresenta a ela da forma mais intensa e contundente, “olhos como chama de fogo e os pés semelhantes ao bronze polido”, que expressa um julgamento bem abrangente e pesado e, também faz repreensões que podem acarretar consequências muito devastadoras: “prostrar de cama”, “colocar em grande tribulação” e “matar os filhos”. Profeticamente, é a igreja de mais longa duração, mil anos (do século V ao XV), o que revela a imensa longanimidade do Senhor (“Dei-lhe tempo para que se arrependesse)

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