A morte de Jesus Cristo foi um evento absolutamente único, nunca houve e nem haverá outra morte como a Dele, não foi algo inesperado ou que deu errado, não foi uma fatalidade, ou punição, ou martírio...foi uma escolha.
"eu dou a minha vida para a reassumir. Ninguém a tira de mim; pelo contrário, eu espontaneamente a dou" (João 10:17b,18a)
Nós homens não temos como escolher morrer ou não morrer mas, Jesus, não precisava morrer porque, se por um lado, o divino, Ele é a própria vida (João 14:6; Atos 3:15); por outro lado, o humano, Ele não tinha pecado (João 8:46a; 2 Coríntios 5:21; Hebreus 4:15; 7:26; 1 João 3:54; 1 Pedro 2:22), pois Ele não herdou o pecado original, a natureza pecaminosa, e não teve nenhum pecado factual em Sua existência terrena e, sendo a morte, a retribuição pelo pecado (Romanos 6:23), a morte não tinha como reclamá-Lo, tanto é que a morte não pôde rete-Lo (Atos 2:24).
Jesus morreu porque ESCOLHEU morrer (Mateus 20:28; João 10:11,15,17; 15:13; Gálatas 1:4; 2:20; 3:13; Efésios 5:2,25; 1 Timóteo 2:6; Tito 2:14; Hebreus 7:27; 9:14; 1 João 3:16), Ele morreu na cruz, mas não por causa da cruz.
Jesus era absolutamente dono da Sua vida e estava além do alcance da morte e das mãos dos seus inimigos, até que Ele escolheu se submeter a eles.
Muitas vezes ao longo do Seu ministério, lemos nos Evangelhos que tentaram tirar a Sua vida, mas ninguém conseguiu fazê-lo pois, conforme diz a narrativa bíblica, "a sua hora ainda não chegara" (Marcos 11:18; Lucas 4:28-30; 19:47,48; 20:19; 22:53; João 5:16-18 (cp. 19:7); 7:1,6,8,19,25,30,32,44; 8:6,20,37,59; 10:31-33,39; 11:9,16,53,54,57; 12:9-11).
Jesus foi o único homem que NASCEU PARA MORRER: "Agora, está angustiada a minha alma, e que direi eu? Pai, salva-me desta hora? Mas PRECISAMENTE COM ESTE PROPÓSITO VIM PARA ESTA HORA." (João 12:27)
E Ele tinha tudo tão sob controle, que apenas não escolheu morrer, como escolheu até o momento de morrer. (Lucas 22:53; João 13:1; 12:23,27,31; 16:32; 17:1)
Para um homem comum, podemos até escolher um momento também, por suicídio por exemplo, mas, estaríamos apenas antecipando algo, que de qualquer maneira, é inevitável. Para nós, morrer é certo, é só uma questão de quando e como.
Mas, para Jesus Cristo, a morte não era inexorável, pois a morte não tinha poder sobre Ele.
A morte é para nós algo passivo, vem sobre nós, não há como escapar, é uma execução, a penalidade e a consequência alertada da desobediência original:
"E o Senhor Deus lhe deu (a Adão) esta ordem: De toda árvore do jardim comerás livremente, mas da árvore do conhecimento do bem e do mal não comerás; porque, no dia em que dela comeres, certamente morrerás." (Gênesis 2:17)
"por uma só ofensa, veio o juízo sobre todos os homens para condenação...pela desobediência de um só homem, muitos se tornaram pecadores" (Romanos 5:18a, 19a)
"Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado, a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porque todos pecaram." (Romanos 5:12)
Mas para Jesus Cristo, a morte foi algo ativo, Ele foi voluntariamente de encontro a ela, Ele não precisava morrer, mas decidiu morrer, foi uma escolha.
Pois, mesmo como homem, Jesus "tinha o poder da vida sem fim" (Hebreus 7:16), não havia limite de tempo para Sua vida física, assim, Ele estava na posição de escolher morrer e também, o momento em que se permitiria ser morto!
Um detalhe interessante que podemos observar em seu processo de julgamento, é que ninguém pôde provar a Sua culpabilidade, não havia uma falha ou crime para condená-Lo; tanto Pilatos, como sua esposa, o centurião, o ladrão da cruz e, até mesmo Iscariotes, que o traiu, foram unânimes no inequívoco veredito: inocente!
Na realidade, Sua culpa foi estabelecida com base em uma declaração que Ele fez de Si mesmo, na realidade, uma verdade absoluta: "Eu sou o Cristo, o Filho do Deus bendito" (Marcos 14:61-65).
Que Sua morte foi uma decisão voluntária é percebido no texto grego do Evangelho de João: Jesus despediu Seu espírito ou dispensou sua vida física (Tiago 2:26) tão literalmente como Pilatos o despediu ou dispensou de seu palácio, compare os textos:
"Então, Pilatos o dispensou/despediu (paradidomi, no grego) para ser crucificado." (João 19:16)
"Quando, pois, Jesus tomou o vinagre, disse: Está consumado! E, inclinando a cabeça, dispensou/despediu (paradidomi, no grego) o espírito." (João 19:30)
No momento em que Ele completou 100% da vontade do Pai, da obra que tinha para realizar (a palavra traduzida como "está consumado" é tetelestai, que significa "plenamente concluído"), Ele ordenou que Seu espírito humano saisse de seu corpo físico humano, para que este morresse, pois esta é a realidade fisiológica revelada em Tiago 2:26a: "o corpo sem espírito é morto"
Porém, "Deus (O) ressuscitou, rompendo os grilhões da morte; porquanto não era possível fosse Ele (Jesus Cristo) retido por ela." (Atos 2:24), e agora Ele é o único ser humano que pode dizer: "estive morto, mas eis que estou vivo pelos séculos dos séculos e tenho as chaves da morte e do inferno." (Apocalipse 1:18)
E, com amor, Ele deseja compartilhar essa vida eterna com cada um de nós, miseráveis mortais, basta receber o dom da vida:
"Disse Jesus: Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que morra, viverá; e todo o que vive e crê em mim não morrerá, eternamente. Crês isto?" (João 11:25,26)
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