sábado, 21 de novembro de 2020

A "homologia" entre Adão e Jesus Cristo

 As Escrituras revelam que existe uma correlação entre as pessoas de Adão e Jesus Cristo:

"Adão prefigurava Aquele que havia de vir" (Romanos 5:14)

"porque, se, pela ofensa de um só (Adão), morreram muitos, muito mais a graça de Deus e o dom pela graça de um só homem, Jesus Cristo, foram abundantes sobre muitos." (Romanos 5:15b) 

"Se, pela ofensa de um e por meio de um só (Adão), reinou a morte, muito mais os que recebem a abundância da graça e o dom da justiça reinarão em vida por meio de um só, a saber, Jesus Cristo.

Pois assim como, por uma só ofensa (de Adão), veio o juízo sobre todos os homens para condenação, assim também, por um só ato de justiça (de Jesus Cristo), veio a graça sobre todos os homens para a justificação que dá vida.

Porque, como, pela desobediência de um só homem (Adão), muitos se tornaram pecadores, assim também, por meio da obediência de um só (de Jesus Cristo), muitos se tornarão justos." (Romanos 5:17-19)

"Pois assim está escrito: O primeiro homem, Adão, foi feito alma vivente. O último Adão (Jesus Cristo), porém, é espírito vivificante.

Mas não é primeiro (Adão) o espiritual, e sim o natural; depois, o espiritual (Jesus Cristo).

O primeiro homem (Adão), formado da terra, é terreno; o segundo homem (Jesus Cristo) é do céu.

Como foi o primeiro homem (Adão), o terreno, tais são também os demais homens terrenos; e, como é o homem celestial (Jesus Cristo), tais também os celestiais.

E, assim como trouxemos a imagem do que é terreno (Adão), devemos trazer também a imagem do celestial (Jesus Cristo)." (1 Coríntios 15:45-49)

Observamos que, neste texto aos coríntios, é estabelecida uma dupla homologia:

- Adão é o primeiro homem, porque é o que dá origem a primeira criação (Atos 17:26);

- Jesus Cristo é o segundo homem, porque é o que dá origem a nova criação (2 Coríntios 5:17).

- Houve o primeiro Adão, como representante e cabeça da raça, através do qual, Deus estabeleceu seus propósitos (Gênesis 1:26-28);

- Jesus Cristo é o último Adão, título que define que não haverá outro através do qual Deus venha a estabelecer os seus propósitos, como o fez através Dele (Efésios 1:9,10). 

O Redentor, então, deve ser um homem homólogo àquele que pretende resgatar, e não um super homem, dotado de qualidades e características alheias ao representado (Adão), se quiser ser um substituto de qualquer um daqueles aos quais se oferece para redimir:

"Visto, pois, que os filhos têm participação comum de carne e sangue, destes também ele, igualmente, participou, para que, por sua morte...livrasse todos que, pelo pavor da morte, estavam sujeitos à escravidão por toda a vida." (Hebreus 2:14a,15)

"Por isso mesmo, convinha que, em todas as coisas, se tornasse semelhante aos irmãos" (Hebreus 2:17)

"Porque não temos sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas; antes, foi ele tentado em todas as coisas, à nossa semelhança, mas sem pecado." (Hebreus 4:15)

"enviando o seu próprio Filho em semelhança de carne pecaminosa" (Romanos 8:3b)

"antes, a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se em semelhança de homens; e, reconhecido em figura humana" (Filipenses 2:7)

Estou ciente de que estes versículos se referem a identificação do redentor com Adão em sua situação pós queda, pois é exatamente para este propósito, o de resgatar da condição caída, que Ele se encarna e realiza Sua obra. Porém, o que mais pretendo destacar em todas estas passagens é a necessidade de identificação.

Somente se Adão tivesse o mesmo potencial fisiológico e espiritual que Jesus Cristo apresentava em Sua encarnação, Jesus Cristo poderia ser um autêntico representante homólogo, apto a desempenhar Suas funções vicárias e substitutivas.

Se o primeiro Adão não possuía o potencial de imortalidade e as qualidades espirituais (genuíno desejo de comunhão e obediência a vontade do Pai, capacidade intelectual e sapiencial, e tudo o mais que Jesus Cristo exibiu como homem em Sua encarnação e ministério) que o último Adão possuía, então a morte substitutiva de Jesus Cristo não poderia resgatar efetivamente a totalidade daquilo que se implica que foi perdido com a queda.

A identificação de Jesus Cristo com o Adão pós queda (*) para desfazer os seus efeitos negativos é tão necessária como a identificação com o Adão pré queda para lhe resgatar o que havia sido perdido (imortalidade, comunhão, obediência, etc).

(*) Julgo ser desnecessário esclarecer que o Homem Jesus Cristo não possuía a natureza pecaminosa (assim como Adão também não a possuía antes da desobediência) e que Ele não incorreu em pecados factuais (assim como Adão também não antes da desobediência). Os textos Escriturísticos a respeito deste assunto são bem claros: "mas sem pecado." (Hebreus 4:15)

Resumindo: Adão, antes da queda, e Jesus Cristo Homem, têm que ser homólogos em todos os sentidos para que o processo redentivo seja válido e eficaz.

"Amados, agora, somos filhos de Deus, e ainda não se manifestou o que haveremos de ser. Sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele, porque haveremos de vê-lo como ele é." (1 João 3:2)

"Porquanto aos que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos." (Romanos 8:29)

Seremos como Jesus Cristo na na Eternidade, porque Jesus Cristo foi o que Adão deixou de ser, e poderia continuar sendo.

No que Jesus Cristo é, no que Adão deixou de ser, e no que um dia seremos, vemos o propósito de Deus para o homem.

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