quinta-feira, 14 de julho de 2022

Apocalipse 11 - Primeira apresentação dos personagens tribulacionais: As 2 testemunhas mártires (Parte 4 - A oposição da Besta)

👉 Quando tiverem, então, concluído o testemunho que devem dar, a besta que surge do abismo pelejará contra elas, e as vencerá, e matará, (Apocalipse 11:7)

a besta

Besta é θηρίον [ thērion ], que era usado para animais selvagens (Apocalipse 6:8), incluindo aqueles que lutaram na arena romana. O termo também é usado para descrever os animais que foram revelados em visões a Daniel (LXX: Daniel 7:3,5-7,11-12,17,19,23). É a forma diminutiva de θήρ [ thēr ], mas equivalente em significado. Deve ser contrastado com o diminutivo de Cordeiro, ἀρνίον [ arnion ].

Este nome "a Besta" contrasta o Anticristo com o verdadeiro Cristo como "o Cordeiro"; e é um fato significativo que, de longe, a grande maioria das passagens onde o Senhor Jesus é assim designado também se encontram aqui em Apocalipse. O “Cordeiro” é o Salvador dos pecadores; a “Besta” é o perseguidor e matador dos santos. O “Cordeiro” chama a atenção para a mansidão de Cristo; a “Besta” fala da ferocidade do Anticristo. Segundo a Lei, os cordeiros eram cerimonialmente limpos e usados ​​em sacrifícios, mas as bestas ferozes eram impuras e impróprias para os sacrifícios. 

O artigo definido (A besta) implica que, mesmo sendo esta a sua primeira introdução no texto por João, que ela é uma figura reconhecida: esta besta não foi mencionada antes, mas ela é apresentada como "a besta", porque já havia sido descrita por Daniel (7:3,11), e ela o é totalmente na parte subsequente do Apocalipse, a saber, Apocalipse 13:1; 17:8. Assim, João imediatamente se apropria das profecias do Antigo Testamento; e também, vendo todo o seu assunto de relance, menciona como coisas familiares (embora ainda não para o leitor) objetos a serem descritos por ele mesmo. É uma prova da unidade que permeia todas as Escrituras.

que surge do abismo, origem sobrenatural?

O aspecto mais controverso do Anticristo se preocupa com sua origem. Claramente ele é capacitado por Satanás (Daniel 8:24; 2 Tessalonicenses 2:9; Apocalipse 13:2,4).

O Abismo nunca está associado a seres humanos, está sempre associado aos anjos caídos, com exceção do Anticristo. Sua ascensão do poço sem fundo sugere uma conexão com anjos caídos que também estão associados ao Abismo.

De acordo com seu título de “Anticristo”, a Besta será um imitador de Cristo (por exemplo, o objeto de adoração, o domínio de todo o mundo, um trono) pois ele é um pupilo de Satanás, que sabemos que tem uma tendência para a imitação, fruto de seu esforço de ser “semelhante ao Altíssimo” (Isaías 14:14)

- Cristo semeia a 'boa semente' (Mateus 13:24), então também lemos sobre o inimigo saindo para semear o seu 'joio' - uma imitação do trigo (Mateus 13:25).

- Lemos sobre 'os filhos de Deus', então também lemos sobre 'os filhos do iníquo' (Mateus 13:38).

- Lemos sobre Deus trabalhando em Seus filhos 'tanto o querer como o efetuar, de acordo com a Sua boa vontade' (Filipenses 2:13), então também somos informados de que o Príncipe do poder do ar é 'o espírito que agora opera nos filhos da desobediência' (Efésios 2:2).

- Lemos sobre o Evangelho de Deus, então também lemos que Satanás tem um evangelho - 'Outro evangelho, que não é outro' (Gálatas 1:6,7).

- Cristo escolheu apóstolos então Satanás também tem seus falsos apóstolos (2 Coríntios 11:13).

- É dito que 'o Espírito esquadrinha até 'as coisas profundas de Deus' (1 Coríntios 2:10), então Satanás também fornece suas 'coisas profundas' (Apocalipse 2:24).

- Somos informados de que Deus, por Seu anjo, vai 'selar' os Seus servos em suas testas (Apocalipse 7:3), então também lemos que Satanás colocará uma marca na testa de seus devotos (Apocalipse 13:16).

- O Pai busca 'adoradores' (João 4:23), o mesmo acontece com Satanás (Apocalipse 13:4).

- Cristo citou as Escrituras, assim também fez Satanás (Mateus 4:6).

- Cristo é a Luz do mundo, então Satanás também se transforma em um 'anjo de luz' (2 Coríntios 11:14).

- Cristo é denominado 'o Leão da tribo de Judá' (Apocalipse 5:5), então o Diabo também é referido como 'um leão que ruge' (1 Pedro 5:6).

- Lemos sobre Cristo e 'Seus anjos' (Mateus 24:31), então também lemos sobre o Diabo e 'seus anjos' (Mateus 25:41; apocalipse 12:7).

- Cristo fez milagres, assim também Satanás (2 Tessalonicenses 2:9).

- Cristo está sentado em um 'trono', assim também Satanás tem um trono (Apocalipse 2:13).

- Cristo tem uma Igreja, então Satanás tem a sua 'sinagoga' (Apocalipse 2:9).

- Cristo tem uma 'noiva', então Satanás tem sua 'prostituta' (Apocalipse 17:16).

- Deus tem uma cidade, a Nova Jerusalém, então Satanás tem uma cidade, Babilônia (Apocalipse 17:5; 18:2).

- Tem o 'mistério da piedade' (1 Timóteo 3:16), então também há um 'mistério de iniquidade' (2 Tessalonicenses 2:7).

- Deus tem um Filho unigênito, então lemos sobre 'o Filho da Perdição' (2 Tessalonicenses 2:3).

- Cristo é chamado de 'a semente da mulher' então o Anticristo será 'a semente da serpente' (Gênesis 3:15).

- É o Filho de Deus também o Filho do Homem, então o filho de Satanás também será o 'Homem do Pecado' (2 Tessalonicenses 2:3).

- Tem a Sagrada Trindade, então há também uma Trindade Maligna (Apocalipse 20:10). Nesta Trindade do Mal, o próprio Satanás é supremo, assim como na Santíssima Trindade o Pai é (governamentalmente) supremo: observe que Satanás é várias vezes referido como pai (João 8:44,). Para seu filho, o Anticristo, Satanás dá sua autoridade e poder para representar e agir por ele (Apocalipse 13:4) assim como o Filho recebeu do Pai "todo o poder no céu e na terra", e os usa para Sua glória. O Dragão (Satanás) e a Besta (Anticristo) são acompanhados por um terceiro, o Falso Profeta, e assim como a terceira pessoa na Santíssima Trindade, o Espírito, testemunha a pessoa e obra de Cristo e O glorifica, assim o fará a terceira pessoa na Trindade Maligna testemunhando a pessoa e obra do Anticristo e glorificando-o (Apocalipse 13:11-14).

A natureza da conexão do Anticristo com Satanás, a sua origem, e seus poderes sobrenaturais, levaram alguns a concluir que a sua origem vai imitar a encarnação de Cristo, mas parece mais provável que a ascensão da besta do Abismo denota o seu reavivamento (ou ressurreição) ao invés de sua concepção.

Sua ascensão do Abismo (Apocalipse 11:717:8) está relacionada como uma, de uma série de eventos relativos à história de Sua vida (Apocalipse 17:8):

1.    A besta “era”.

2.    A besta “não é”.

3.    A besta “está para emergir do abismo sem fundo”.

4.    A besta “caminha para a perdição” (Ap 17:1119:2020:10).

Sendo que a sequência gramatical de Apocalipse 17:8 reflete sua história real, implica que a besta tem existência antes da ferida mortal (“era”), recebe uma ferida que o mata, deixa de existir (“não é”), ascende do Abismo (é ressuscitada) e é finalmente destruída.

Sua ascensão do Abismo pode estar conectada com seu reaparecimento no palco da história, e não com sua origem inicial. A Escritura indica que a besta receberá uma ferida grave que resulta em sua morte. Seu milagroso renascimento da ferida contribui para sua adoração:

“Ai do inútil pastor que deixa o rebanho! UMA ESPADA será contra seu braço e contra seu olho direito *; seu braço murchará completamente e seu olho direito ficará totalmente cego.” (Zacarias 11:17)

* Diante da riqueza de detalhes dos eventos que temos a respeito deste indivíduo, deste período e em especial, dos eventos que acontecem no meio da semana, é possível especular um provável atentado de um extremista de direita judeu contra o Anticristo por ocasião da sua profanação do Santo dos Santos do Templo tribulacional, o que seria também um bom pretexto, da parte dele, para o rompimento do acordo com a nação de Israel. Que os judeus são extremamente zelosos com relação as questões religiosas, principalmente quando o assunto é o templo, é bastante sabido pelas guerras dos Macabeus e dos eventos que envolveram Antíoco Epifânio, por exemplo. Nas Escrituras podemos ler a agitação e o tumulto que foi criado pelos judeus, a ponto da cidade de Jerusalém ser considerada amotinada pelos romanos, apenas porque os judeus suspeitaram que Paulo havia introduzido gentios no templo! (Atos 21:27-34).

“E eu vi uma das suas cabeças como se tivesse sido mortalmente ferida *, e seu ferimento mortal foi curado. E todo o mundo maravilhou-se e seguiu a besta.” (Apocalipse 13:3)

* [ ὡς ἐσφαγμένην [ hōs esphagmenēn ], a frase é idêntica a que descreve o "Cordeiro como se tivesse sido morto” (Apocalipse 5:6). É a forma como o grego denota a aparência depois de ter sido morto e trazido de volta à vida. Não há razão para considerar isso apenas uma “ferida” aqui quando descreve o Cordeiro “morto” ali. A Besta passa pela mesma experiência de morte e ressurreição que Cristo; gramaticalmente, ou morreram e ressuscitaram os dois ou, nenhum dos dois!

O que podemos entender é que, assim como "o Espírito... ressuscitou a Jesus dentre os mortos" (Romanos 8:11a), da mesma forma, “um espírito” (do abismo) ressuscitará a Besta dentre os mortos.]

“E ele engana aqueles que habitam na terra por aqueles sinais que lhe foi concedido fazer à vista da besta, dizendo àqueles que habitam na terra para fazerem uma imagem à besta que foi ferida pela espada e sobreviveu.” (Apocalipse13:14)

“A besta que você viu era, e não é, e vai ascender do abismo e irá para a perdição. E aqueles que habitam na terra vão se maravilhar, cujos nomes não estão escritos no Livro da Vida desde a fundação do mundo, quando virem a besta que era, e não é, e ainda é.” (Apocalipse 17:8)

Parece melhor entender a ascensão da besta do Abismo como denotando o meio sobrenatural demoníaco pelo qual ele retorna dos mortos. Sua restauração de uma ferida fatal será uma contrafação da morte e da ressurreição de Cristo dentre os mortos e resultará em uma adoração ainda maior: “E eu vi uma das suas cabeças como se tivesse sido mortalmente ferida, e seu ferimento mortal foi curado. E todo o mundo maravilhou-se e seguiu a besta. Assim, eles adoraram o dragão que deu autoridade para a besta; e eles adoraram a besta, dizendo: 'Quem é como a besta? Quem pode fazer guerra com ela?'” (Apocalipse 13:4).

Como o Cristo ressuscitado que reteve as marcas de identificação de Sua morte, também a Besta revivida reterá as marcas de feridas que causaram sua morte (Zacarias 11:17). Elas servirão para autenticar sua identidade como o líder que foi anteriormente morto.

Após sua morte, ele voltará à vida. Quando ele fizer isso, ele voltará em uma forma demoníaca ao invés de uma forma puramente humana para estabelecer seu domínio mundial. Isso explica porque o abismo, a morada dos demônios (Lucas 8:31; Apocalipse 9:1,2,11) é a sua origem.

Se a restauração da besta deve resultar numa maior impressão sobre a população do mundo *, então parece que sua ferida fatal deve ser testemunhada pelos mesmos indivíduos, e que, tanto sua aparição inicial no palco da história quanto sua subsequente morte e restauração devem ocorrer durante a mesma época.

* Muitos acham improvável essa interpretação argumentando que somente Deus tem o poder para ressuscitar alguém da morte e que, nunca nos casos de ressurreição que estão relatados nas Escrituras, lemos o caso da ressurreição de um perdido. Mas não podemos nos esquecer que estamos em uma época especial em que Deus está tratando judicialmente com uma geração perdida que se recusou a dar ouvidos ao amor da verdade e que está entregue a operação de um ‘forte engano satânico’, o que poderia incluir a permissão para uma ressurreição deste tipo.

“Ora, o aparecimento do iníquo é segundo a eficácia de Satanás, com todo poder, e sinais, e prodígios da mentira, e com todo engano de injustiça aos que perecem, porque não acolheram o amor da verdade para serem salvos. É por este motivo, pois, que Deus lhes manda a operação do erro, para darem crédito à mentira, a fim de serem julgados todos quantos não deram crédito à verdade; antes, pelo contrário, deleitaram-se com a injustiça.” (2 Tessalonicenses 2:9-12) 

Ademais, se o Falso Profeta é capaz de dar fôlego a inanimada imagem da besta (Apocalipse 13:15), então Deus também não poderia permitir Satanás para exercer o necessário poder para ressuscitar um morto?

Quando tiverem, então, concluído

Como temos visto ao longo do livro do Apocalipse, a capacidade das forças do mal que se manifestam durante o tempo do fim está inteiramente dentro da soberania de Deus. Estas duas testemunhas não podem ser mortas até que tenham terminado sua tarefa dada por Deus. Assim como foi com Cristo (João 7:30; 8:20; 17:4) e assim como é com todos os crentes (Lucas 21:16-18; João 21:18-23; Atos 20:24; 23:11; 27:20-24; 2 Timóteo 4:6,7).

o testemunho que devem dar

Estas duas testemunhas estão entre os “pés formosos” que pregam o evangelho da paz (Romanos 10:15) para Israel. Seu ministério envolve toda a terra, mas ocorre em Jerusalém e tem todas as marcas dos profetas judeus do Antigo Testamento. Eles são um elemento-chave no plano do Libertador de “desviar de Jacó a impiedade” (Romanos 11:26) em preparação para o Reino Milenar por vir. O propósito de Deus de salvar a nação de Israel e fazer dela o centro ao redor do qual Ele reunirá todas as nações, não foi frustrado na Primeira Vinda, mas adiado. A pregação das duas testemunhas apresenta os estágios iniciais no desenvolvimento deste glorioso propósito terreno.

pelejará contra elas, e as vencerá, e matará

Uma marca registrada da besta, e do dragão que a fortalece, é sua oposição incessante ao povo de Deus. Além dessas duas testemunhas, ele faz guerra contra os santos em geral (Daniel 7:21,25; Apocalipse 7:9-16; 12:11; 13:7; 20:4), e contra os judeus em particular (Jeremias 30:7; Daniel 7:25; 8:24; 12:1; Apocalipse 12:13,17). 

O martírio das duas testemunhas será o primeiro ato de perseguição da Besta, após ele quebrar sua aliança com os judeus. O governo absoluto da besta só se torna possível pela execução das duas testemunhas pela Besta, pois enquanto as testemunhas exercerem tal poder sobre os homens e a natureza, é impossível para a besta adquirir poder mundial, porque enquanto elas ainda vivem seu poder é questionável, pois seriam uma resposta a pergunta das multidões ‘quem pode pelejar contra a Besta?’...as testemunhas! Mas, com sua morte, o fascínio das multidões é absoluto, pois a habilidade da besta em matá-los é um testemunho de sua invencibilidade. Ele é visto como um "salvador" desses detestáveis profetas e sua derrota sem dúvida elevam seu status perante os habitantes da terra.

👉 e o seu cadáver ficará estirado na praça da grande cidade que, espiritualmente, se chama Sodoma e Egito, onde também o seu Senhor foi crucificado. (Apocalipse 11:8)

e o seu cadáver ficará estirado na praça

A falta de sepultamento é particularmente repugnante para os judeus. Um cadáver permanecer insepulto após o sepultamento, e assim se tornar alimento para os animais predadores, era o clímax da indignidade ou julgamento (1 Reis 14:11; 16:4; 2 Reis 9:37; Salmos 79:3; Jeremias 7:33; 8:1; 16:4,6; 22:19; Ezequiel 29:5; Apocalipse 11:9). A besta e os habitantes da terra propositalmente deixam os corpos das testemunhas insepultas como desonra e insulto intencional (Isaías 14:20; Jeremias 8:2; 14:16). Esta é outra indicação do contexto judaico.

Existem pelo menos duas razões pelas quais o sepultamento é negado no testemunhas:

1) Sensibilidades judaicas - Uma razão pela qual seus corpos permanecerão insepultos é como um insulto intencional às sensibilidades judaicas que consideram a falta de sepultamento uma indicação de ser julgado ou amaldiçoado (1 Reis 21:19; 2 Reis 9:34-37; Ezequiel 32:4,5; 33:27; 39:4,17-20; Apocalipse 19:17-21).

2) Troféus para a Besta - Não apenas seus corpos não serão enterrados, mas parece que eles serão proativamente protegidos de perturbações por necrófagos, como pássaros e cães que normalmente desceriam sobre as carcaças desprotegidas (2 Reis 9:10; Salmos 79:2; Jeremias 7:33; Apocalipse 19:17-18). Eles são impedidos de sepultamento e protegidos de necrófagos porque servem como troféus que testemunham ao poder da besta e a vitória do mundo sobre o tormento que eles trouxeram com sua pregação. Enquanto permanecem inertes na calçada, fornecem uma confirmação visual da superioridade da besta (Apocalipse 13:4).

da grande cidade que, espiritualmente, se chama Sodoma e Egito

πνευματικῶς [ pneumatikōs ] significa "de uma maneira consistente com o Espírito” o que mostra que avaliar as verdadeiras condições espirituais é uma função do Espírito Santo, que foi representado por “sete olhos que são os sete Espíritos de Deus enviados por toda a terra” em Apocalipse 5:8. Nem Sodoma nem Egito é o nome verdadeiro da cidade, mas é neste sentido, visto pelo Espírito, que Jerusalém é chamada de “Sodoma e Egito”.

Tanto Sodoma quanto Egito tipificam cidades e nações que foram contestadas e julgadas por Deus. Sodoma era uma cidade extremamente perversa que foi destruída por seus pecados pelo julgamento de Deus (Gênesis 13:13; 19:24). Egito foi a nação que manteve Israel em cativeiro e foi julgado pelas pragas do Êxodo (Êxodo 1:13-14; 3:7; 20:2).

Jerusalém, em seu estado ímpio, é comparada tanto à cidade perversa quanto à nação perversa, por causa da injustiça e da idolatria bestial com a qual estará envolvida na tribulação.

Sodoma simboliza a injustiça em geral:

“Longe de ti que faças tal coisa, que mates o justo com o ímpio; que o justo seja como o ímpio, longe de ti. Não faria justiça o Juiz de toda a terra? Então disse o Senhor: Se eu em Sodoma achar cinquenta justos dentro da cidade, pouparei a todo o lugar por amor deles.” (Gênesis 18:25,26)

“E entre os profetas de Jerusalém vi também algo horrível: eles cometem adultério e vivem na mentira, e em falsidade. Estimulam os que praticam o mal, para que nenhum deles reflita e se converta de sua impiedade. Para mim são todos como Sodoma; e o povo de Jerusalém é como Gomorra!” (Jeremias 23:14,15)

O Egito simboliza a idolatria:

A comparação com o Egito lembra o idólatra bezerro dourado que Israel fez ao sair do Egito, por causa da familiaridade que eles tinham com a imensa idolatria egípcia: “Ao qual nossos pais não quiseram obedecer, antes o rejeitaram e em seu coração se tornaram ao Egito, dizendo a Arão: Faze-nos deuses que vão adiante de nós; porque a esse Moisés, que nos tirou da terra do Egito, não sabemos o que lhe aconteceu.” (Atos 7:39,40; Êxodo 32:4,24).

onde também o seu Senhor foi crucificado

Apesar de que o método principal de extermínio que o Anticristo vai utilizar será a decapitação (“Vi ainda as almas dos decapitados” - Apocalipse 20:4), ele concede um tratamento especial para esses oponentes tão indigestos e que lhe trouxeram tanto desprazer, desafiando sua autoridade por longos três anos e meio, e os mata com os requintes de crueldade que são possíveis pela crucificação!

Ainda assim, isso está perfeitamente de acordo com o planejamento divino, que é despertar a nação de Israel a respeito do equívoco histórico que cometeram há dois mil anos: terem matado o Messias.

E a injusta crucificação das duas testemunhas completa uma analogia que aponta diretamente para o personagem que o judeu desprezou por tanto tempo:

- Um ministério de 3 anos e meio.

- Muitas demonstrações de poder divino endossados pela diretriz da Palavra (a Lei e os Profetas).

- A morte por crucificação.

- O vilipêndio público.

- A ressurreição após 3 dias.

- Subir ao céu numa nuvem.

- O terremoto.

👉 Então, muitos dentre os povos, tribos, línguas e nações contemplam os cadáveres das duas testemunhas, por três dias e meio, e não permitem que esses cadáveres sejam sepultados. (Apocalipse 11:9)

povos, tribos, línguas e nações

Quatro é o número da TOTALIDADE GLOBAL, há os quatro cantos da terra (Ezequiel 7:2; Apocalipse 7:1), aos quais Satanás viaja para reunir os oponentes de deus para a batalha final (Apocalipse 20:8), os quatro ventos da terra (Ezequiel 37:9; Mateus 24:31; Apocalipse 7:1), os quatro anjos junto ao grande Rio Eufrates (Apocalipse 9:14), que era um dos quatros rios originais do Éden (Gênesis 2:10-14). Para não falar dos quatro elementos, os quatro pontos cardeais e as quatro estações, que não são citados sumariamente nas Escrituras.

As quatro criaturas vivas, emblemas de toda a vida das criaturas (Apocalipse 4:6), e cada uma destas com quatro faces e quatro asas (Ezequiel 1:5-6). Os quatro cavaleiros que saem por toda a terra. As quatro primeiras trombetas, que afetam todo o ecossistema e, indiretamente o homem. As quatro bestas da visão de Daniel 7 que correspondem aos quatro metais que compõem a estátua de Nabucodonosor, e que representa todo o poder gentílico a dominar sobre a nação de Israel. E, por fim, os quatro evangelhos, que se destina a todos os homens de toda a terra.

Povos, tribos, línguas e nações é uma designação quádrupla que indica o escopo global - todos os povos da terra. Esta é a comunidade global para a qual João foi dito que “deve profetizar novamente sobre” (Apocalipse 10:11), da qual uma multidão inumerável é salva durante a tribulação (Apocalipse 7:9), pois o Cordeiro os comprou com Seu sangue (Apocalipse 5:9), a qual um anjo prega o Evangelho Eterno (Apocalipse 14:6), sobre a qual a besta é concedida autoridade (Apocalipse 13:7), e sobre a qual a prostituta senta (Apocalipse 17:2,15).

contemplam

Essa contemplação a nível global era impossível até a meros 100 anos atrás...hoje, isso é facilmente realizável com a tecnologia que a humanidade tem disponibilizada. Não é difícil de imaginar as pessoas eufóricas disputando um espaço junto aos cadáveres para tirar uma “selfie” a fim de compartilhá-la pelas mídias digitais...

não permitem que esses cadáveres sejam sepultados

Sepultura é μνῆμα [ mnēma ] que tem o propósito de ser como um sinal de lembrança. Mas em vez de ter seu próprio memorial particular, eles servem como um memorial público à vitória da besta, e isto por iniciativa dos admiradores da besta.

Essas atitudes de eufórica contemplação e de vilipêndio de dois pregadores da Palavra de Deus martirizados brutalmente, dá um indício do grau de banalização do mal e da dessensibilização das consciências desta geração.

👉 Os que habitam sobre a terra se alegram por causa deles, realizarão festas e enviarão presentes uns aos outros, porquanto esses dois profetas atormentaram os que moram sobre a terra. (Apocalipse 11:10)

Os que habitam sobre a terra

Esta expressão técnica denota a população global do tempo do fim que consistentemente se opõe a Deus por causa de sua impenitência (Apocalipse 9:20,21), persegue e mata os crentes da tribulação (Apocalipse 6:10), se alegra com a morte das duas testemunhas de Deus (Apocalipse 11:10), faz uma imagem a besta (Apocalipse 13:14), adora a besta (Apocalipse 13:8), ou seja, rejeita as coisas do céu em favor das coisas da terra. Eles são aqueles para quem o tempo de teste é propositalmente projetado (Apocalipse 3:10), consequentemente, não têm os seus nomes escritos no Livro da Vida (Apocalipse 17:8). É sobre eles que lamentos angélicos são dirigidos, por causa de sua condição e dos juízos que irão sofrer (Apocalipse 8:13; 9:12; 11:14; 12:12).

se alegram por causa deles, realizarão festas e enviarão presentes uns aos outros

εὐφραίνονται [ euphrainontai ], a mesma palavra descreve o “coma, beba e divirta-se”  de Lucas12:19. É usada no sentido de alegrar-se, celebrar, exultar, jubilar (Atos 2:26).

Embora o tempo do fim seja caracterizado por guerras, rupturas e inimizades odiosas, os inimigos do mundo se unirão em seu ódio por essas duas testemunhas e se juntarão regozijando-se em sua morte, da mesma forma que Pilatos e Herodes, antes inimigos, se reconciliaram por ocasião da morte de Jesus (Lucas 23:12), mas embora eles se alegrem por alguns dias, sua celebração hedionda será de curta duração, assim como a alegria do inferno o foi naquela outra ocasião (Jó 20:4,5).

👉 Mas, depois dos três dias e meio, um espírito de vida, vindo da parte de Deus, neles penetrou, e eles se ergueram sobre os pés, e àqueles que os viram sobreveio grande medo; (Apocalipse 11:11)

três dias e meio

Três é o número da VIDA. Em associação com o número três, observamos que nos seis dias de criação, Deus pronuncia o trabalho de cada dia como "bom", com exceção do dia dois (Gênesis 1:6-8). Parece que o pronunciamento esperado para o segundo dia é retido até o terceiro dia. Assim, o terceiro dia é declarado "bom" duas vezes (Gênesis 1:10,12). Alguns chamam o terceiro dia, o “dia da bênção dobrada". Parece que nossa atenção é atraída para o terceiro dia e é pronunciado como “duplamente” bom porque o terceiro dia é o dia em que a vida aparece pela primeira vez. Não apenas a vida aparece pela primeira vez no terceiro dia da semana da criação, mas Jesus ressuscita no terceiro dia. O levantamento das duas testemunhas no terceiro dia (Apocalipse 11:11) correlaciona-se com esta associação de vida ou ressurreição com o terceiro dia.

👉 e as duas testemunhas ouviram grande voz vinda do céu, dizendo-lhes: Subi para aqui. E subiram ao céu numa nuvem, e os seus inimigos as contemplaram. (Apocalipse 11:12)

subiram ao céu numa nuvem

Sua ascensão ao céu é intencionalmente muito parecida com a de Jesus após Sua ressurreição (Atos 1:9Apocalipse 12:5), bem como da Igreja no Arrebatamento (1 Tessalonicenses 4:17), pois a nuvem fala da presença divina e, é para ela que eles são chamados.

Com certeza, sua ressurreição é o maior momento de seu ministério, uma vez que manifestam o poder de Deus e se sobrepõem a contrafação realizada por satanás ao trazer a Besta do Abismo. Este maior e último testemunho, não é ineficaz, pois contribui para criar temor em quem sobrevive ao terremoto que se segue, e resulta na única rendição de glória e de reconhecimento de Deus pelos incrédulos tribulacionais que o livro narra...um primeiro passo em direção a libertação e salvação da nação de Israel.

👉 Naquela hora, houve grande terremoto, e ruiu a décima parte da cidade, e morreram, nesse terremoto, sete mil pessoas, ao passo que as outras ficaram sobremodo aterrorizadas e deram glória ao Deus do céu. (Apocalipse 11:13)

Essa é uma profecia muito específica: um terremoto que afeta a décima parte de Jerusalém e que mata sete mil pessoas. Com certeza o livro do Apocalipse será um poderoso instrumento que os santos da tribulação usarão em seu evangelismo (Daniel 12:13), que poderão usa-lo para apresentar por antecipação eventos tão específicos a fim de gerar fé.

 

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