👉 Passou o segundo ai. Eis que, sem demora, vem o terceiro ai. E o sétimo anjo tocou a sua trombeta (Apocalipse 11:14,15a)
Aqui a narrativa do livro retoma a sua linearidade cronológica, as seis primeiras trombetas foram anunciadas em Apocalipse 8:7,8,10,12; 9:1 e 13. A sétima é anunciada em Apocalipse 11:15.
Esses versículos poderiam ser Apocalipse 9:22,23...pois os três ais pronunciados pelo ser que voa pelo meio do céu em Apocalipse 8:13 anuncia as três últimas trombetas, que trazem os juízos que afetarão DIRETAMENTE os homens:
- O primeiro ai é a quinta trombeta, que traz dor inimaginável por 5 meses.
- O segundo ai é a sexta trombeta, que traz a morte de um terço da população mundial.
- E o terceiro ai é a sétima trombeta, que traz as 7 tigelas de boca larga, que derramam “o vinho da cólera de Deus, preparado, sem mistura, do cálice da sua ira” (Apocalipse 14:10; 15:7; 16:1) sobre a humanidade absolutamente impenitente e sobre o reino da besta.
♦ E o sétimo anjo tocou a sua trombeta
Esta sétima trombeta é a mesma que é referida em Joel 2:1,2: “Tocai a trombeta em Sião e dai voz de rebate no meu santo monte; perturbem-se todos os moradores da terra, porque o Dia do Senhor vem, já está próximo; dia de escuridade e densas trevas, dia de nuvens e negridão! Como a alva por sobre os montes, assim se difunde um povo grande e poderoso, qual desde o tempo antigo nunca houve, nem depois dele haverá pelos anos adiante, de geração em geração.” (Joel 2:1,2)
O fim do primeiro ai foi anunciado em Apocalipse 9:12, quando os 5 meses de juízo da quinta trombeta terminaram.
Já o fim do segundo ai só é anunciado aqui em Apocalipse 11:14, após um parêntese que vem desde Apocalipse 10:1.
A partir de Apocalipse 12:1 temos o terceiro parêntese do livro (o primeiro foi Apocalipse 7:1-17 e o segundo foi Apocalipse 10:1 a 11:13)
👉 e houve no céu grandes vozes, que diziam: Os reinos do mundo vieram a ser de nosso Senhor e do seu Cristo, e ele reinará para todo o sempre. (Apocalipse 11:15b)
♦ houve no céu grandes vozes
As vozes celestes são altissonantes porque o anúncio que é feito está sendo aguardado há muitos milênios e anunciam a concretização de todo o planejamento divino que envolve muitas coisas, dentre elas a glorificação do Filho, o plano de redenção e a reintegração de posse da criação, que é um dos temas do livro.
♦ Os reinos do mundo vieram a ser
O soar da sétima trombeta proclama a vindoura coroação do legítimo rei da terra, a resposta a oração de todas as idades, 'venha o teu reino' (Mateus 6:10).
Ainda resta serem derramadas as 7 tigelas de boca larga que a sétima trombeta traz consigo, mas o anúncio celestial já vê as coisas como consumadas “vieram a ser”, pois a vontade de Deus é inexorável, pois Ele é Eterno e Todo-Poderoso (“Senhor Deus Todo-Poderoso, que és, e que eras, e que hás de vir, que tomaste o teu grande poder”). Essa forma de apresentar coisas futuras como se já tivessem acontecido é característico de algumas profecias como por exemplo a profecia que foi dada por Enoque, milhares de anos antes até da Primeira Vinda, que é citada em Judas 14 “Quanto a estes foi que também profetizou Enoque, o sétimo depois de Adão, dizendo: Eis que veio o Senhor entre suas santas miríades”.
O verbo grego é ἐγένετο [ egeneto ], singular, aoristo profético. O evento é tão certo no soar do sétimo anjo que é tratado como se já tivesse passado. No entanto, o reino não terá chegado na totalidade até todos os sete julgamentos das tigelas não forem derramadas e o próprio Rei retorne à terra para derrotar os exércitos das nações (Isaías 63:1-6; Zacarias 12:1-9; 14:1-8; Apocalipse 19:11-21). Esse dia é descrito por muitas passagens, das quais uma pequena amostra aparece abaixo:
“Lembrar-se-ão do Senhor e a ele se converterão os confins da terra; perante ele se prostrarão todas as famílias das nações. Pois do Senhor é o reino, é ele quem governa as nações.” (Salmos 22:27,28)
“Domine ele de mar a mar e desde o rio até aos confins da terra. Curvem-se diante dele os habitantes do deserto, e os seus inimigos lambam o pó. Paguem-lhe tributos os reis de Társis e das ilhas; os reis de Sabá e de Sebá lhe ofereçam presentes. E todos os reis se prostrem perante ele; todas as nações o sirvam.” (Salmos 72:8-11)
“para que se aumente o seu governo, e venha paz sem fim sobre o trono de Davi e sobre o seu reino, para o estabelecer e o firmar mediante o juízo e a justiça, desde agora e para sempre. O zelo do Senhor dos Exércitos fará isto.” (Isaías 9:7)
“Mas, nos dias destes reis, o Deus do céu suscitará um reino que não será jamais destruído; este reino não passará a outro povo; esmiuçará e consumirá todos estes reinos, mas ele mesmo subsistirá para sempre,” (Daniel 2:44)
“Foi-lhe dado domínio, e glória, e o reino, para que os povos, nações e homens de todas as línguas o servissem; o seu domínio é domínio eterno, que não passará, e o seu reino jamais será destruído.” (Daniel 7:14)
“O Senhor será Rei sobre toda a terra; naquele dia, um só será o Senhor, e um só será o seu nome. Toda a terra se tornará como a planície de Geba a Rimom, ao sul de Jerusalém; esta será exaltada e habitada no seu lugar, desde a Porta de Benjamim até ao lugar da primeira porta, até à Porta da Esquina e desde a Torre de Hananel até aos lagares do rei. Habitarão nela, e já não haverá maldição, e Jerusalém habitará segura.” (Zacarias 14:9-11)
“Este será grande e será chamado Filho do Altíssimo; Deus, o Senhor, lhe dará o trono de Davi, seu pai; ele reinará para sempre sobre a casa de Jacó, e o seu reinado não terá fim.” (Lucas 1:32,33)
Israel porém, não verá o rei até que peça por ele (Mateus 23:39; Lucas13:35).
👉 E os vinte e quatro anciãos, que estão assentados em seus tronos diante de Deus, prostraram-se sobre seus rostos e adoraram a Deus, dizendo: Graças te damos, Senhor Deus Todo-Poderoso, que és, e que eras, e que hás de vir, que tomaste o teu grande poder, e reinaste. E iraram-se as nações, e veio a tua ira, e o tempo dos mortos, para que sejam julgados, e o tempo de dares o galardão aos profetas, teus servos, e aos santos, e aos que temem o teu nome, a pequenos e a grandes, e o tempo de destruíres os que destroem a terra. (Apocalipse 11:16-18)
A profecia continua falando de coisas que ainda não aconteceram como consumadas: “tomaste o teu grande poder, e reinaste”, o verbo grego ἐβασίλευσας [ ebasileusas ], um aoristo ingressivo, na realidade significa ‘começou a reinar’ .
A ira das nações tem como resposta a ira de Deus, que se expressa pelos juízos tribulacionais e o massacre que ocorre na Segunda Vinda. O que motiva a ira das nações é o desejo de independência de Deus, a recusa a se submeter ao Seu governo (que elas veem como “ataduras” e “grilhões”) e o esforço de impedir a reintegração de posse da criação e a instituição do governo do Filho: “Por que se enfurecem os gentios e os povos imaginam coisas vãs? Os reis da terra se levantam, e os príncipes conspiram contra o Senhor e contra o seu Ungido, dizendo: Rompamos os seus laços e sacudamos de nós as suas algemas. Ri-se aquele que habita nos céus; o Senhor zomba deles. Na sua ira, a seu tempo, lhes há de falar e no seu furor os confundirá. Eu, porém, constituí o meu Rei sobre o meu santo monte Sião.” (Salmos 2:1-6)
É claro que o agente motivador deles é o inferno:
“Então, vi sair da boca do dragão, da boca da besta e da boca do falso profeta três espíritos imundos semelhantes a rãs; porque eles são espíritos de demônios, operadores de sinais, e se dirigem aos reis do mundo inteiro com o fim de ajuntá-los para a peleja do grande Dia do Deus Todo-Poderoso. Então, os ajuntaram no lugar que em hebraico se chama Armagedom.” (Apocalipse 16:13,14,16)
“E vi a besta e os reis da terra, com os seus exércitos, congregados para pelejarem contra aquele que estava montado no cavalo e contra o seu exército.” (Apocalipse 19:19)
É interessante comparar também que na profecia do Salmos 2 a conspiração é contra “o Senhor e contra o seu Ungido” e a resposta em Apocalipse 11:15 é “do Senhor e do seu Cristo”.
O propósito da resposta de Deus à conspiração é expressa resumidamente através de alguns propósitos que serão alcançados com Sua intervenção:
- responder à rebelião humana, “e veio a tua ira”;
- concluir a primeira fase do programa de ressurreições, “o
tempo dos mortos, para que sejam julgados”
- galardoar os santos da Antiguidade e da Tribulação, “o
tempo de dares o galardão aos profetas, teus servos, e aos santos, e aos que
temem o teu nome, a pequenos e a grandes”
- vindicar a má administração da criação que foi confiada ao
homem desde o Éden, “o tempo de destruíres os que destroem a terra”
👉 Abriu-se, então, o santuário de Deus, que se acha no céu, e foi vista a arca da Aliança no seu santuário, e sobrevieram relâmpagos, vozes, trovões, terremoto e grande saraivada. (Apocalipse 11:19)
♦ foi vista a arca da Aliança
Esse desfecho da parte descritiva preliminar da sétima trombeta (que é tocada em Apocalipse 11:15 e que se desdobra em Apocalipse 16:1-21 através das tigelas) é um “gancho” que dá oportunidade para a introdução dos assuntos que serão abordados em Apocalipse 12:1-13:18, que são extremamente pertinentes à nação de Israel. Tanto é que o símbolo maior do judaísmo e da nação (a arca da aliança) é citado.
É interessante observar a conexão entre os dois símbolos máximos de Israel sendo citados antes e depois do parêntese: a arca (em Apocalipse 11:19) e o Monte Sião (em Apocalipse 14:1).
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