domingo, 1 de dezembro de 2019

Servo de servos


 “E Noé acordou de seu vinho e soube o que seu
filho mais novo havia lhe feito.
    E ele disse: Maldito seja Canaã; servo de servos será
para seus irmãos.
    E ele disse: Bendito seja o Senhor Deus de Sem, e
Canaã será seu servo.
    Deus aumentará Jafé, e ele habitará nas tendas
de Sem; e Canaã será seu servo.”
(Gênesis 9:24-27)

Lendo um escrito de Arthur C. Cunstance ( “Os três filhos de Noé: história humana em três dimensões” - https://custance.org/Library/Volume1/index.html ) que é uma tese antropológica, etnográfica e histórica absolutamente fantástica e de sólido embasamento bíblico e bibliográfico, descobri que vivi ignorantemente e pré-concebidamente com relação às raças de cores por décadas. E creio ser esta também a condição de muitos Filhos da luz (Lucas 16:8b), haja visto que, vez por outra, outros ignorantes das Escrituras façam publicamente afirmações estapafúrdias como a que foi lançada na mídia via Twitter, por um famoso e polêmico deputado evangélico de que “os africanos são acompanhados por uma maldição dada por Deus desdes os tempos de Noé”, e, para embasar sua afirmativa, citou “fome, tristeza e guerra de etnias e que alguns facínoras foram levantados lá, como Idi Amim, Jonas Savimbi, além do vírus Ebola, da Aids.”...

Não obstante, a maldição que ele pronunciou pelo que parece ser uma ofensa realmente leve, talvez não tenha sido tão severa quanto pensamos ser. Pode ser menos honroso ser um servo do que ser um mestre, embora o Senhor Jesus tenha sugerido que o oposto pode realmente ser o caso (Marcos 10:42-45). No entanto, é verdade que o servo não está acima de seu mestre e, nesse sentido, pode se encontrar em uma posição menos desejável. No caso de Ham e seus descendentes, a história mostra que eles prestaram um serviço extraordinário à humanidade do ponto de vista dos desenvolvimentos físicos da civilização. Todas as civilizações mais antigas dignas de nota foram fundadas e levadas à sua mais alta proficiência técnica pelo povo hamítico. Quase não há uma base de invenção tecnológica que não lhes deve ser atribuída. Nem Sem nem Jafé fizeram qualquer contribuição significativa à tecnologia fundamental da civilização, apesar de todas as aparências em contrário. Esta é uma afirmação ousada, mas não é feita na ignorância dos fatos.

A frase "servo de servos" normalmente não (se é que alguma vez) significa base de servos, mas servo por excelência.

A forma da frase é comum na literatura hebraica e sempre significa que o que é mais alto: Senhor dos Senhores, Cântico dos Cânticos, Santo dos Santos, e assim por diante.

Penso que o julgamento não foi tanto que eles deveriam prestar um serviço tão notável a seus irmãos, mas antes que eles devessem lucrar tão pouco com eles mesmos. Jafé foi ampliado e a maior parte desse alargamento não ocorreu apenas às custas de Ham, mas também devido a uma superioridade técnica que resultou diretamente da construção dos alicerces básicos fornecidos por estes. Historicamente, há pouca ou nenhuma indicação de que Jafé teria alcançado a superioridade técnica que possui se tivesse sido deixado à sua própria sorte.

Um outro ponto vale a pena mencionar. Quando uma civilização atinge um nível muito alto de desenvolvimento, pode haver um reconhecimento mais claro de que todos os homens são irmãos de sangue. No entanto, em uma comunidade muito pequena e muito unida que luta para se estabelecer, pode haver uma atitude muito diferente. Entre a maioria das pessoas primitivas, o hábito é se referir a elas mesmas (em sua própria língua, é claro) como "verdade verdadeira", referindo-se a todas as outras por algum termo que claramente nega a elas o direito à masculinidade. Assim, os Naskapi se autodenominam "Neneot", que significa "pessoas reais". Os Chukchee dizem que seu nome significa "homens de verdade". Os hotentotes se referem a si mesmos como "Khoi-Khoi", que significa "homens dos homens". Os Yahgan da Terra do Fogo (de todos os lugares) dizem que seu nome significa "homens por excelência". Os andamaneses, um povo que parece não ter sequer os rudimentos da lei, se referem a si mesmos como "Ong", que significa "homens". Todas essas pessoas reservam esses termos apenas para si. É um sinal de um estado cultural baixo quando essa atitude é adotada, mas então, quando um povo mantém a atitude oposta, é provável que seja um sinal de um estado cultural alto. Assim, quando qualquer pessoa alcança um estágio de desenvolvimento intelectual no qual concebe claramente que todos os homens estão relacionados de uma maneira que lhes garante a igualdade de seres humanos, eles são altamente cultos, mesmo que a mecânica de sua civilização possa aparecer em um estágio baixo de desenvolvimento. A partir disso, devemos logicamente entender que o escritor de Gênesis era um indivíduo altamente culto (Atos 7:22). De fato, parece-me que somente com uma alta concepção de Deus seria possível essa concepção do homem e, portanto, Gênesis 10 pareceria dar testemunho de uma ordem muito elevada de fé religiosa. Em última análise, pode-se perguntar se é possível, de alguma maneira, sustentar uma verdadeira concepção da igualdade do homem sem também uma verdadeira concepção da natureza de Deus. O primeiro decorre diretamente do segundo. O único motivo para se ligar a todos os homens num igual nível de valor é o tremendo fato de que todas as almas têm igual valor para Deus. Certamente eles não têm igual valor para a sociedade.

A menos que o padrão último de referência seja o valor que Deus atribui às pessoas, não é realista falar que todos os homens são iguais. Considere o bêbado, chafurdando na sarjeta, envenenando o ar com sua linguagem suja, confundindo totalmente seus filhos, destruindo sua vida familiar, repugnando seus amigos, perturbando toda a sociedade - como pode um homem desse valor ser de igual valor? Por exemplo, um pilar da comunidade cheio de bens vizinhos? Claramente, não há igualdade aqui se a base da avaliação for homem com homem ou homem com sua sociedade.


Qualquer sociedade que avalie seus membros pelo seu valor para si mesma não está atribuindo valor à pessoa individualmente, mas apenas às suas funções. Quando essas funções não servem mais a um propósito útil, o homem deixa de ter algum valor. Essa era a filosofia de Nietzsche - e a de Hitler. É a filosofia lógica de quem vê o homem separado de Deus. É nossa filosofia moderna de educação, enfatizando habilidades e tecnologia, incentivando os homens a fazer bem, em vez de serem bons. Contra essa tendência do homem natural de "desvalorizar" a si mesmo, supondo que ele esteja se exaltando, a Bíblia não poderia fazer outra coisa senão expor em termos claros esses dois fatos complementares: que Deus se preocupa igualmente com todos os homens e que todos os homens pertencem a uma família, unicamente relacionada por meio de Adão ao próprio Deus. O argumento, como afirmado, também é um argumento para a abrangência da Tabela de Gênesis 10:1-32. A menos que seja abrangente, a menos que toda a humanidade esteja em vista aqui, e não apenas as nações que Israel tiveram conhecimento, é um capítulo fora de acordo com seu contexto. A menos que toda a raça seja planejada, o objetivo do capítulo está em dúvida e a mensagem da Bíblia está incompleta (!).

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Textos bíblicos citados:

-  Lucas 16:8b: "porque os filhos deste mundo são mais prudentes na sua geração do que os filhos da luz."

- Marcos 10:42-45: "Mas Jesus, chamando-os a si, disse-lhes: Sabeis que os que julgam ser príncipes dos gentios, deles se assenhoreiam, e os seus grandes usam de autoridade sobre eles; mas entre vós não será assim; antes, qualquer que entre vós quiser ser grande, será vosso serviçal; e qualquer que dentre vós quiser ser o primeiro, será servo de todos. Porque o Filho do homem também não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate de muitos."

- Atos 7:22: "E Moisés foi instruído em toda a ciência dos egípcios; e era poderoso em suas palavras e obras."

quinta-feira, 28 de novembro de 2019

Solidão Cósmica - Parte 4: A solução



O homem sem Cristo está sob a escravidão do pecado e do sistema do mundo, influenciado e controlado por Satanás  (João 8:34; 1 João 3:8a; Efésios 2:2; 2 Timóteo 2:26; João 8:44a).

Para ele a solidão (e seus derivados: angústia, ansiedade, depressão...) não tem solução efetiva, exceto pela conversão a Jesus Cristo.

Já o nascido de novo está sob o cuidado e proteção de Deus (1 João 5:18; João 10:11,28,29), mas isso não quer dizer que não esteja vulnerável aos matizes da solidão...

Ele precisa lançar mão da PROFILAXIA DIVINA, a Palvra de Deus e Suas promessas.

Sim, a profilaxia Divina para todos os tipos de solidão (e todos os problemas humanos) é a simplicidade do Evangelho.

Simples assim, nós é que complicamos tudo.

O viver singelo da Palavra de Deus é a solução para o problema da solidão, pois ela declara: “Não é bom que o homem esteja só.” (Gênesis 2:18).

Se alimentar todos os dias da Palavra de Deus, que contém muitas promessas do deus fiel e amoroso que nunca mente, dá confiança, segurança, perspectiva, definição de propósito, esperança, direção, alegria, otimismo...(Deuteronômio 28:1-14; Lucas 11:28; Salmos 1:1-3; Mateus 6:33; Josué 1:8; Tiago 1:25).

Outra medida profilática que a Palavra de Deus recomenda é orar sem cessar (1 Tessalonicenses 5:16-18), não algo mecânico ou ritualístico, mas como expressão de um relacionamento franco com o Pai. Orar inibe e afasta a ansiedade (Filipenses 4:6,7).

Evangelizar, de maneira ativa e passiva; direta ou indireta; por confrontação ou por convivência, pela proclamação ou pelo testemunho cotidiano, fornece um senso de valor e de propósito, o que é altamente profilático nos casos de solidão e depressão. (1 Timóteo 4:16)

E, principalmente, congregar. O que dá amor, suporte, companhia e companheirismo. (Eclesiastes 4:9,10; Gálatas 6:2a; Isaías 35:3,4a; Colossences 3:13; Isaías 41:6; 1 Tessalonicenses 5:14,16)
Conclusão

O Homem é um ser social, não foi criado para a solidão.
E, além da necessidade inerente de contato e comunhão, acima de tudo foi criado para se relacionar com Deus.
O homem foi feito para Deus.
Só em comunhão com Deus ele encontra a paz do seu propósito, se sente feliz e realizado. A indefinição acaba, e com ela o perigo da solidão, pois ele finalmente compreende que a solução para todos os problemas, para tudo o que acontece neste mundo caótico e para tudo o que a humanidade busca e anseia é:

“Viver uma vidinha de crente!”...na Igreja.

Nela é possível vivenciar a expressão maior de unidade, comunhão e propósito. Amando e sendo amado por Deus; amando e sendo amado pelos irmãos.

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Textos bíblicos citados:

João 8:34: " Respondeu-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo que todo aquele que comete pecado é servo do pecado."

1 João 3:8a: "Quem comete o pecado é do diabo; porque o diabo peca desde o princípio.”
Efésios 2:2: "Em que noutro tempo andastes segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe das potestades do ar, do espírito que agora opera nos filhos da desobediência."

2 Timóteo 2:26: "E tornarem a despertar, desprendendo-se dos laços do diabo, em que à vontade dele estão presos."

- João 8:44a: "Vós tendes por pai ao diabo, e quereis satisfazer os desejos de vosso pai."

- 1 João 5:18: "
Sabemos que todo aquele que é nascido de Deus não peca (no grego: não tem o pecar como uma característica e uma prática contínua); mas o que de Deus é gerado conserva-se a si mesmo, e o maligno não lhe toca."

- João 10:11,28,29: “Eu sou o bom Pastor; o bom Pastor dá a sua vida pelas ovelhas...E dou-lhes a vida eterna, e nunca hão de perecer, e ninguém as arrebatará da minha mão. Meu Pai, que mas deu, é maior do que todos; e ninguém pode arrebatá-las da mão de meu Pai.”

- Lucas 11:28: “Mas ele disse: Antes bem-aventurados os que ouvem a palavra de Deus e a guardam.”

- Salmos 1:1-3: “Bem-aventurado o homem que não anda segundo o conselho dos ímpios, nem se detém no caminho dos pecadores, nem se assenta na roda dos escarnecedores. Antes tem o seu prazer na lei do Senhor, e na sua lei medita de dia e de noite. Pois será como a árvore plantada junto a ribeiros de águas, a qual dá o seu fruto no seu tempo; as suas folhas não cairão, e tudo quanto fizer prosperará.”

- Mateus 6:33: “Mas, buscai primeiro o reino de Deus, e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas.”

- Josué 1:8: “Não se aparte da tua boca o livro desta lei; antes medita nele dia e noite, para que tenhas cuidado de fazer conforme a tudo quanto nele está escrito; porque então farás prosperar o teu caminho, e serás bem sucedido.”

- Tiago 1:25: “Aquele, porém, que atenta bem para a lei perfeita da liberdade, e nisso persevera, não sendo ouvinte esquecediço, mas fazedor da obra, este tal será bem-aventurado em tudo o que fizer.”

- 1 Tessalonicenses 5:16-18: “Regozijai-vos sempre. Orai sem cessar. Em tudo dai graças, porque esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus para convosco."

- Filipenses 4:6,7: “Não estejais inquietos por coisa alguma; antes as vossas petições sejam em tudo conhecidas diante de Deus pela oração e súplica, com ação de graças. E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os vossos corações e os vossos pensamentos em Cristo Jesus.”

- 1 Timóteo 4:16: “Tem cuidado de ti mesmo e da doutrina. Persevera nestas coisas (ser exemplo dos fiéis, ler exortar e ensinar, fazer uso do dom pessoal, meditar na Palavra – de acordo com o contexto de 12 a 15); porque, fazendo isto, te salvarás, tanto a ti mesmo como aos que te ouvem.”

- Eclesiastes 4:9,10: “Melhor é serem dois do que um, porque têm melhor paga do seu trabalho. Porque se um cair, o outro levanta o seu companheiro; mas ai do que estiver só; pois, caindo, não haverá outro que o levante.”

- Gálatas 6:2a: “Levai as cargas uns dos outros, e assim cumprireis a lei de Cristo.”
- Isaías 35:3,4a: “Fortalecei as mãos fracas, e firmai os joelhos trementes. Dizei aos turbados de coração: Sede fortes, não temais.”

- Colossences 3:13: “Suportando-vos (dai suporte, apoio) uns aos outros, e perdoando-vos uns aos outros, se alguém tiver queixa contra outro; assim como Cristo vos perdoou, assim fazei vós também.”

- Isaías 41:6: “Um ao outro ajudou, e ao seu irmão disse: Esforça-te.”

- 2 Tessalonicenses 5:14: “Rogamo-vos, também, irmãos, que admoesteis os desordeiros, consoleis os de pouco ânimo, sustenteis os fracos, e sejais pacientes para com todos.”

domingo, 24 de novembro de 2019

Solidão Cósmica - Parte 3: A solidão cósmica

A solidão indefinida e existencial que Satanás aprofunda e amplia pode ser chamada de solidão cósmica.

          Cósmica porque, é integrada ao seu sistema corrupto, governado pelo egoísmo, indiferença, ganância, abuso, ódio e morte.

          A palavra grega  kosmos é traduzida em muitos lugares por mundo na Bíblia, como por exemplo em 1 João 2:15 ("Não ameis o mundo, nem o que no mundo há. Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele.") e 5:19 ("Sabemos que somos de Deus, e que todo o mundo está no maligno.")

          Kosmos/mundo não se refere ao mundo físico (que Deus criou) ou ao mundo/pessoas (que Deus amou de tal maneira - João 3:16), mas ao mundo como sistema hostil a Deus, que odeia a Jesus Cristo e aos seus crentes (João 15:18-20; 16:33; 17:14; 2 Timóteo 3:12; 1 João 3:13...)

          Esta palavra deriva do verbo grego kosmeo, que significa ordenar, pôr em ordem, organizar (o oposto de caos que significa desordenado). Isso quer dizer que Satanás arranjou o mundo em um sistema organizado afim de alcançar os seus propósitos homicidas e destrutivos, pois se opõe a Deus (Satanás significa adversário no hebraico) e odeia o homem (feito a imagem de Deus) e, mais ainda, a Jesus Cristo (que é Deus que se fez homem) e a todos que O acreditam e servem ("Meus irmãos, não vos maravilheis, se o mundo vos odeia." - 1 João 3:13; e ainda "Se o mundo vos odeia, sabei que, primeiro do que a vós, me odiou a mim." - João 15:18).

          Resumindo, kosmos tem um sentido ético/moral negativo nas Escrituras para descrever tudo que é oposto a Deus.

          A solidão cósmica é o aprofundamento da solidão humana por forças satânicas.

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Textos bíblicos citados:

João 3:16: "Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna."


- João 15:18-20: " Se o mundo vos odeia, sabei que, primeiro do que a vós, me odiou a mimSe vós fôsseis do mundo, o mundo amaria o que era seu, mas porque não sois do mundo, antes eu vos escolhi do mundo, por isso é que o mundo vos odeia. Lembrai-vos da palavra que vos disse: Não é o servo maior do que o seu senhor. Se a mim me perseguiram, também vos perseguirão a vós; se guardaram a minha palavra, também guardarão a vossa."

- João 16:33: "
Tenho-vos dito isto, para que em mim tenhais paz; no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo."

- João 17:14: "
Dei-lhes a tua palavra, e o mundo os odiou, porque não são do mundo, assim como eu não sou do mundo."

- 2 Timóteo 3:12: "E também todos os que piamente querem viver em Cristo Jesus padecerão perseguições."

- 1 João 3:13: "Meus irmãos, não vos maravilheis, se o mundo vos odeia."

Solidão Cósmica - Parte 2: Tipos de solidão

Objetivamente, existe a solidão física, que é estar fisicamente só.

           Subjetivamente, existe a solidão psicológica, que é um sentimento de que mesmo no meio de uma multidão ou na presença de amigos, a pessoa de sente só.

           Porque a pessoa sente que não é importante para ninguém, ou que ninguém a conhece, ou que ninguém a conhece de fato, ou ainda que ninguém se importa com ela ou com o que ela está passando ou com seus problemas...é um tipo de solidão perigosa e deprimente.

           E isso nos afeta pelo fato de que, mesmo sabendo que somos únicos, também somos carentes e dependentes. E precisamos de outros para amar, compartilhar e desenvolver (ninguém é uma ilha...).

           A pessoa se sente só pela falta de solidariedade (que vem de solidus = que dá apoio, suporte, solidez).


Na realidade, o sentimento de solidão é insuperável.

           Mesmo quando atendemos ao anseio primordial e permanente de nos comunicar e integrar ainda ficarão lacunas e insatisfação.

           Considerando que comunicação e integração absolutas são impossíveis, um certo nível de solidão sempre existirá, porque é inerente a todo ser humano.

           Existe ainda um tipo de solidão mais profunda que é a solidão existencial, que se origina na incompreensão da existência.

           É a solidão gerada pela ignorância, o desconhecimento da sua própria origem, do seu porquê e de seu propósito e, pior ainda, da incógnita do pós-morte.

           É a solidão gerada pelo desconhecido, pelo indefinido.

           Essa solidão é irmã e companheira da angústia e da ansiedade indefinida. Uma alimenta a outra.

           É dessa solidão ansiosa que Satanás se aproveita (é claro que ele investe nos outros tipos de solidão, pois cada uma é um estágio da outra, a física leva a psicológica, e esta a existencial...ou o contrário no caminho inverso...).

           Com o objetivo de matar, roubar e destruir Satanás envolve o solitário com seu sistema (o kosmos) e torna essa solidão pior e mais profunda.

           É um sentimento ou estado de ser que vem de suas próprias profundezas, pois ele é o solitário-mor (solidão é algo que ele entende muito bem, pois foi o primeiro que abandonou a Deus, que a todos e tudo completa):

          "Há um só Deus, o Pai, de Quem são todas as coisas e para quem existimos." (1 Coríntios 8:6)

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Solidão Cósmica - Parte 1: Definições


A solidão é um dos mais antigos e comuns problemas do ser humano.

           A palavra portuguesa solidão vem do lati 
solus que significa "si", "si mesmo", "estar apenas consigo mesmo".

Do latim temos também as palavras solitas e solitudo que significam:

- "eu", "indivíduo", "único";

- "solitário", "sozinho";

- "abandonado", "isolado", "em solidão";

- "ermo", "deserto" (usada na Vulgata em Oséias 2:14: "Portanto, eis que Eu a atrairei, e a levarei para o deserto, e lhe falarei ao coração.").

Somos ESSENCIALMENTE sós.

-  Viemos sós, únicos como indivíduos a este mundo e dele assim partimos;

- Cada um de nós possui uma individualidade única, impenetrável e insondável (exceto para Aquele que tudo sonda, Salmos 139:23, Provérbios 21:2, Hebreus 4:13, Apocalipse 2:23) - 1 Coríntios 2:11a;

-   E, na eternidade, cada um responderá por si mesmo perante Deus. - Romanos 14:12, Apocalipse 20:13b.

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Textos bíblicos citados:

Salmos 139:23: "Sonda-me, ó Deus, e conhece o meu coração; prova-me, e conhece os meus pensamentos."

- Provérbios 21:2: "Todo caminho do homem é reto aos seus olhos, mas o Senhor sonda os corações."

- Hebreus 4:13: "E não há criatura alguma encoberta diante dele; antes, todas as coisas estão nuas e patentes aos olhos daquele com quem temos de tratar."

- Apocalipse 2:23 b,c: "e todas as igrejas saberão que eu sou aquele que sonda os rins e os corações. E darei a cada um de vós segundo as vossas obras."

1 Coríntios 2:11 a: "Porque, qual dos homens sabe as coisas do homem, senão o espírito do homem, que nele está?"

Romanos 14:12:"De maneira que cada um de nós dará conta de si mesmo a Deus."

domingo, 10 de novembro de 2019

A humanidade de Jesus Cristo



Nos círculos teológicos ao longo dos séculos há um considerável debate sobre se o corpo do Senhor era idêntico ao nosso ou apenas semelhante. Argumenta-se que, se seu corpo era apenas semelhante, então Ele não era um verdadeiro representante do homem. Contra esse argumento, pode-se dizer, por contraste, que nós mesmos, em nosso presente estado caído, não somos verdadeiramente homens, e que o homem verdadeiro deve ser encontrado apenas em Adão antes dele cair. Como a Queda causou danos irreparáveis ​​e fatais ao seu corpo, um dano compartilhado por todos os seus descendentes natos, então qualquer ser humano que possua um corpo como o que temos agora não é um verdadeiro representante da humanidade como originalmente constituído por Deus.


A questão da encarnação e da humanidade de Cristo é um ponto ABSOLUTAMENTE SINE QUA NON para a determinação de que se o cristianismo que é crido e praticado é aceito ou verdadeiro.

A Cristologia e, em especial essa questão, é a pedra de toque de TODA a doutrina cristã. Se ela não é bíblica, ou seja, não está de acordo com as Escrituras, então não é sadia ou autêntica, e o que se crê e pratica é, nada mais nada menos, que uma forma de engano ou falsificação, uma heresia, uma corrupção do Evangelho...como por exemplo o apolinarismo, o nestorianismo, o monofisismo, o docetismo e, especialmente, o arianismo.

Romanos 8:3 declara de maneira muito específica que Deus enviou seu Filho somente "à semelhança da carne pecaminosa", mas não de fato na carne do pecado que é nossa desde a Queda. O grego é inequívoco, diz: en homoiomati sarkos hamartias. A palavra crucial aqui é homoiomati, que significa muito precisamente "semelhante a" mas não "idêntico a". A primeira parte desta palavra é homoi- que deve ser cuidadosamente distinguida de homo-.

A diferença reside apenas na letra i (iota em grego) que embora aparentemente leve, faz toda a diferença do mundo.

O verbo homoioo é regularmente usado para introduzir parábolas, por exemplo, "o reino dos céus é semelhante a..."

Aqui Paulo está enfatizando que Cristo era realmente homem. Ele carregava um corpo físico, moldado de acordo com o corpo humano que está infectado pelo pecado. Na forma externa Ele não era de forma nenhuma diferente de outros homens. Mas Paulo não diz que ele veio em sarki hamartias [ie, Ele não veio em carne pecaminosa, mas apenas à semelhança da carne pecaminosa]. Com suas palavras en homoiomati, Paulo está mostrando que, apesar de toda a semelhança entre o corpo físico de Cristo e o dos outros homens, há uma diferença essencial entre Cristo e os homens...Ele se tornou homem sem entrar no nexo [o fluxo real] do pecado humano.

A distinção entre as palavras prefixados por homo e homoi  é universalmente reconhecida pelos estudiosos, e tomando nota cuidadosa desses usos distintos no Novo Testamento, muitas verdades maravilhosas tornam-se aparentes. Por exemplo, que o Senhor foi tentado em todos os pontos como nós somos, significa (de acordo com o grego) "de maneira semelhante", mas não "de maneira idêntica" (Hebreus 4:15). O Senhor "foi feito à semelhança dos homens", mas não idêntico a nós como criaturas caídas (Filipenses 2:7). Nós fomos "plantados juntos na imensidão de sua morte", mas obviamente não exatamente da mesma maneira (Romanos 6:5). Neste verso "a imagem (ou semelhança) de sua morte é como seu objeto mas não equivalente (é algo semelhante em outra forma). Novamente, "convinha que ele fosse feito semelhante a seus irmãos em todas as coisas, para que ele fosse um sumo sacerdote misericordioso e fiel" (Hebreus 2:17), mas manifestamente não deve ser feito exatamente como seus irmãos são, pois senão Ele nunca poderia ter se tornado nosso Sumo Sacerdote na presença de Deus.

Estudantes da História da Igreja reconhecem a importância da distinção entre as palavras homo-ousias (da mesma substância) e homoi-ousias (de substância semelhante) na formulação do Credo Niceno (325 a 374). A Igreja Oriental favoreceu a visão de que o Senhor Jesus era apenas de substância semelhante com o Pai, enquanto a Igreja Ocidental mantinha a opinião de que Ele era da mesma substância ("de uma substância") com o Pai. O resultado foi uma ruptura final entre os ramos oriental e ocidental da Igreja, que permanece oficialmente até hoje. Essa divisão fundamental era mais do que uma diferença entre homo e homoi. No entanto, esse IOTA foi crucial para a preservação da fé cristã! É interessante que o Senhor tenha dito "nem um jota (o iota grego)...passará da lei até que tudo seja cumprido" (Mateus 5:18).

Dessa maneira, no tocante a provar a fé dos líderes cristãos, homo-ousias se tornou o teste crucial da ortodoxia e foi feita a "palavra de ordem" como um baluarte no Credo Niceno contra o arianismo favorecido pela Igreja Oriental na época.
 
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Textos bíblicos citados:

Hebreus 4:15: "Porque não temos um sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas; porém, um que, como nós, em tudo foi tentado, mas sem pecado."

Filipenses 2:7: "Mas esvaziou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens."


"A fé é a certeza de cousas que se esperam, e a convicção de fatos que se não vêem...Pela fé, entendemos que foi o universo formado pela Palavra de Deus, de maneira que o visível veio a existir das cousa que não aparecem." (Hebreus 11:1,3 - Almeida, Revista e atualizada)

"A fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que se não vêem...Pela fé entendemos que os mundos pela palavra de Deus foram criados; de maneira que aquilo que se vê não foi feito do que é aparente." (Hebreus 11:1,3 - Almeida, Corrigida Fiel)

Uma coisa não precisa ser vista para ser real.

Qual o critério para se determinar que algo é real? Passar no teste empírico da materialidade? ou da visibilidade?

Por exemplo, a Bíblia nos fala da existência de um templo judaico terrestre onde eram ministrados os sacrifícios da Lei Mosaica, e que este foi construído segundo um modelo que existe no céu e que fora mostrado a Moisés (Êxodo 25:9,40; 26:30; Atos 7:44).

Isso então implica uma correspondência real de algum tipo entre o Santo dos Santos da aliança mosaica e um Santo dos Santos no céu; caso contrário, onde Jesus iria apresentar seu sangue após a consumação da cruz? Existe, portanto, alguma contrapartida nesse outro mundo que corresponde ao Santo dos Santos no Templo. Qual é o real e qual é a sombra: o terreno ou o celestial? Pois um podemos ver e outro não...

O templo terreno parece tão real, tão tangível, tão objetivo: o celestial parece tão invisível, tão intangível, tão subjetivo. Que critério serviria para nos permitir avaliar a realidade à parte do viés de nossa própria experiência sensorial imediata? A resposta a isso, acredito, está no conceito de permanência. O que é verdadeiramente real é permanente. O que quer que tenha uma certa temporalidade ou impermanência, não é real no mesmo sentido absoluto. O que é duradouro é real.

Mas por quanto tempo uma coisa deve durar para ser real? A questão é interessante e está diretamente relacionada a certos fenômenos da física moderna. Existem partículas subatômicas, por exemplo, que duram apenas algumas frações de segundos. Eles podem ser considerados objetos reais? Enquanto durarem, sim! E se eles durarem apenas uma fração de segundo? Quão grande uma fração? Um bilionésimo de segundo seria suficiente para estabelecer uma existência real? Em que ponto algo tem uma existência tão fugaz a ponto de renunciar a qualquer direito de ser chamado de real?

Começamos a nos deparar com problemas filosóficos quando alcançamos esse nível de temporalidade, e os problemas são reais o suficiente porque agora conhecemos partículas subatômicas que de fato tem uma existência tão fugaz! É chamada de partícula antiomega-minus baryon e tem uma vida de 5×10 −25 segundos...ou, o bóson de Higgs, com uma vida útil média de 10 −22...

            Assim, temos que ajustar nosso pensamento um pouco sobre a natureza da realidade. Vamos ao outro extremo. Não diríamos que um objeto era "mais real" se tivesse uma vida de bilhões de anos? A própria terra, por exemplo? Quando comparada com uma partícula que tem uma existência tão fugaz que só pode ser demonstrada pelos equipamentos científicos mais refinados imagináveis ​​e, mesmo assim, apenas por inferência? Nosso pensamento tende a olhar para a permanência como uma marca da realidade. O que dura muito tempo é mais real do que o que é de curta duração. O que dizer então de algo que é eterno nos céus? Se durar para sempre, mesmo que ainda não podemos realmente vê-lo, não é por este princípio mais real do que a própria terra que passará (Mateus 24:35), embora nós possamos vê-la? Uma coisa não precisa ser vista para ser real.

Creio que temos que olhar novamente para certas passagens da Escritura à luz desse tipo de avaliação da realidade: a realidade da permanência, embora inédita, contra a irrealidade do transitório, embora visível, enquanto durar. Muito depois deste mundo ter passado, aquele outro mundo permanecerá (Hebreus 12:26,27). Qual, então, é o real e qual é a sombra apenas? Acho que devemos concluir que o nosso mundo é a sombra da realidade eterna que está no céu.

A verdade é que tudo o que vemos e tocamos é uma mera extensão do mundo espiritual. É uma cristalização momentânea da realidade espiritual, uma reificação que existe apenas para o que chamamos "o presente". Não será mais necessário quando a realidade eterna ultrapassar a temporal. 

Em resumo, o espiritual é o real, não o físico.

Crer e viver assim é viver pela fé!

"Não atentando nós nas coisas que se vêem, mas nas que se não vêem; porque as que se vêem são temporais, e as que se não vêem são eternas." (2 Coríntios 4:18)
 
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Textos bíblicos citados:

Êxodo 25:9,40: "
Conforme a tudo o que eu te mostrar para modelo do tabernáculo, e para modelo de todos os seus pertences, assim mesmo o fareis...Atenta, pois, que o faças conforme ao seu modelo, que te foi mostrado no monte."

Êxodo 26:30: "Então levantarás o tabernáculo conforme ao modelo que te foi mostrado no monte."

Atos 7:44: "
Estava entre nossos pais no deserto o tabernáculo do testemunho, como ordenara aquele que disse a Moisés que o fizesse segundo o modelo que tinha visto."

Mateus 24:35: "O céu e a terra passarão, mas as minhas palavras não hão de passar."

Hebreus 12:26,27: "
A voz do qual moveu então a terra, mas agora anunciou, dizendo: Ainda uma vez comoverei, não só a terra, senão também o céu.
E esta palavra: Ainda uma vez, mostra a mudança das coisas móveis, como coisas feitas, para que as imóveis permaneçam."