quinta-feira, 19 de novembro de 2020

A morte de Jesus Cristo

 A morte de Jesus Cristo foi um evento absolutamente único, nunca houve e nem haverá outra morte como a Dele, não foi algo inesperado ou que deu errado, não foi uma fatalidade, ou punição, ou martírio...foi uma escolha.

"eu dou a minha vida para a reassumir. Ninguém a tira de mim; pelo contrário, eu espontaneamente a dou" (João 10:17b,18a)

Nós homens não temos como escolher morrer ou não morrer mas, Jesus, não precisava morrer porque, se por um lado, o divino, Ele é a própria vida (João 14:6; Atos 3:15); por outro lado, o humano, Ele não tinha pecado (João 8:46a; 2 Coríntios 5:21; Hebreus 4:15; 7:26; 1 João 3:54; 1 Pedro 2:22), pois Ele não herdou o pecado original, a natureza pecaminosa, e não teve nenhum pecado factual em Sua existência terrena e, sendo a morte, a retribuição pelo pecado (Romanos 6:23), a morte não tinha como reclamá-Lo, tanto é que a morte não pôde rete-Lo (Atos 2:24).

Jesus morreu porque ESCOLHEU morrer (Mateus 20:28; João 10:11,15,17; 15:13; Gálatas 1:4; 2:20; 3:13; Efésios 5:2,25; 1 Timóteo 2:6; Tito 2:14; Hebreus 7:27; 9:14; 1 João 3:16), Ele morreu na cruz, mas não por causa da cruz.

Jesus era absolutamente dono da Sua vida e estava além do alcance da morte e das mãos dos seus inimigos, até que Ele escolheu se submeter a eles.

Muitas vezes ao longo do Seu ministério, lemos nos Evangelhos que tentaram tirar a Sua vida, mas ninguém conseguiu fazê-lo pois, conforme diz a narrativa bíblica, "a sua hora ainda não chegara" (Marcos 11:18; Lucas 4:28-30; 19:47,48; 20:19; 22:53; João 5:16-18 (cp. 19:7); 7:1,6,8,19,25,30,32,44; 8:6,20,37,59; 10:31-33,39; 11:9,16,53,54,57; 12:9-11).

Jesus foi o único homem que NASCEU PARA MORRER: "Agora, está angustiada a minha alma, e que direi eu? Pai, salva-me desta hora? Mas PRECISAMENTE COM ESTE PROPÓSITO VIM PARA ESTA HORA." (João 12:27)

E Ele tinha tudo tão sob controle, que apenas não escolheu morrer, como escolheu até o momento de morrer. (Lucas 22:53; João 13:1; 12:23,27,31; 16:32; 17:1)

Para um homem comum, podemos até escolher um momento também, por suicídio por exemplo, mas, estaríamos apenas antecipando algo, que de qualquer maneira, é inevitável. Para nós, morrer é certo, é só uma questão de quando e como.

Mas, para Jesus Cristo, a morte não era inexorável, pois a morte não tinha poder sobre Ele.

A morte é para nós algo passivo, vem sobre nós, não há como escapar, é uma execução, a penalidade e a consequência alertada da desobediência original:

"E o Senhor Deus lhe deu (a Adão) esta ordem: De toda árvore do jardim comerás livremente, mas da árvore do conhecimento do bem e do mal não comerás; porque, no dia em que dela comeres, certamente morrerás." (Gênesis 2:17)

"por uma só ofensa, veio o juízo sobre todos os homens para condenação...pela desobediência de um só homem, muitos se tornaram pecadores" (Romanos 5:18a, 19a)

"Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado, a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porque todos pecaram." (Romanos 5:12)

Mas para Jesus Cristo, a morte foi algo ativo, Ele foi voluntariamente de encontro a ela, Ele não precisava morrer, mas decidiu morrer, foi uma escolha.

Pois, mesmo como homem, Jesus "tinha o poder da vida sem fim" (Hebreus 7:16), não havia limite de tempo para Sua vida física, assim, Ele estava na posição de escolher morrer e também, o momento em que se permitiria ser morto!

Um detalhe interessante que podemos observar em seu processo de julgamento, é que ninguém pôde provar a Sua culpabilidade, não havia uma falha ou crime para condená-Lo; tanto Pilatos, como sua esposa, o centurião, o ladrão da cruz e, até mesmo Iscariotes, que o traiu, foram unânimes no inequívoco veredito: inocente!

Na realidade, Sua culpa foi estabelecida com base em uma declaração que Ele fez de Si mesmo, na realidade, uma verdade absoluta: "Eu sou o Cristo, o Filho do Deus bendito" (Marcos 14:61-65).

Que Sua morte foi uma decisão voluntária é percebido no texto grego do Evangelho de João: Jesus despediu Seu espírito ou dispensou sua vida física (Tiago 2:26) tão literalmente como Pilatos o despediu ou dispensou de seu palácio, compare os textos:

"Então, Pilatos o dispensou/despediu (paradidomi, no grego) para ser crucificado." (João 19:16)

"Quando, pois, Jesus tomou o vinagre, disse: Está consumado! E, inclinando a cabeça, dispensou/despediu (paradidomi, no grego) o espírito." (João 19:30)

No momento em que Ele completou 100% da vontade do Pai, da obra que tinha para realizar (a palavra traduzida como "está consumado" é tetelestai, que significa "plenamente concluído"), Ele ordenou que Seu espírito humano saisse de seu corpo físico humano, para que este morresse, pois esta é a realidade fisiológica revelada em Tiago 2:26a: "o corpo sem espírito é morto"

Porém, "Deus (O) ressuscitou, rompendo os grilhões da morte; porquanto não era possível fosse Ele (Jesus Cristo) retido por ela." (Atos 2:24), e agora Ele é o único ser humano que pode dizer: "estive morto, mas eis que estou vivo pelos séculos dos séculos e tenho as chaves da morte e do inferno." (Apocalipse 1:18)

E, com amor, Ele deseja compartilhar essa vida eterna com cada um de nós, miseráveis mortais, basta receber o dom da vida:

"Disse Jesus: Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que morra, viverá; e todo o que vive e crê em mim não morrerá, eternamente. Crês isto?" (João 11:25,26)

segunda-feira, 2 de novembro de 2020

2 e 3 João: O equilíbrio entre a verdade e o amor (última parte)

Estudamos sobre Gaio, um cristão exemplar, praticante do amor e cooperador da Verdade e então João nos fala de Diótrefes.

Nesta pessoal nós vemos o oposto do que vemos em Gaio, se Gaio vivia para os outros; Diótrefes queria que as pessoas vivessem para ele, um generoso e altruísta; outro ganancioso e egoísta:

"Escrevi alguma coisa à igreja; mas Diótrefes, que gosta de exercer a primazia entre eles, não nos dá acolhida.

Por isso, se eu for aí, far-lhe-ei lembradas as obras que ele pratica, proferindo contra nós palavras maliciosas. E, não satisfeito com estas coisas, nem ele mesmo acolhe os irmãos, como impede os que querem recebê-los e os expulsa da igreja." (3 João 1:9,10)

Diótrefes significa "alimentado/servido por Júpiter" (o maior deus do panteão grego), pelo nome então, percebemos que se trata de alguém com síndrome de poder, com síndrome de grandeza. Alguém que se considera tão grande e importante que delira que Deus deva ser seu servo, seu lacaio.

Diótrefes "gosta de exercer a primazia", gosta de ser o primeiro, o principal, o que manda, o que controla tudo. No grego primazia é philoproteuo, que significa "amar a preeminência", e o interessante é que o outro lugar onde proteuo aparece no Novo Testamento é em Colossenses 1:18, onde é dito a respeito de Cristo: "Ele é a cabeça do corpo, da igreja. Ele é o princípio, o primogênito de entre os mortos, para em todas as coisas ter a primazia".

Então, aqui está um homem que está competindo com Jesus Cristo, um homem que não apenas quer o lugar que pertence a Cristo na igreja como também quer governar a igreja em Seu lugar!

Essa é uma carta que fala de hospitalidade, sobre como devemos abrir nossos corações e nossa casa aos servos de Cristo e lhes dar suporte e, então, aparece uma pessoa que, por amar ser o primeiro, vê a todos como uma ameaça ao "seu" poder e a sua "posição".

Diótrefes é tão envaidecido que não consegue aceitar que outros possam receber os elogios, a admiração, o amor e o afeto da congregação que ele deseja para si mesmo e que julga ser o único merecedor.

Que coisa horrível é a pessoa egocêntrica, obtusa e iludida pelo poder...na realidade é uma pessoa cega, tacanha e desprezível.

E, para manter o seu pequeno império de poder, o seu "mundinho", ele usa de todos os artifícios: denigre falando mal, fecha as portas, não dá oportunidades e faz ameaças, a ponto de expulsar da igreja aqueles que discordam dele e agem fora de sua permissão. É bem provável que Gaio tenha sido expulso da igreja por Diótrefes, por se importar mais em obedecer a Deus do que aos homens, situação essa que possa ter dado motivo para 3 João ter sido escrita.

Por ser uma pessoa tão controladora ele se colocou em uma posição da qual ele possa filtrar tudo: "Escrevi alguma coisa à igreja, mas Diótrefes..." (3 João 1:9a), diz João. Observe que o apóstolo escreveu para a igreja e não para Diótrefes, mas é provável que esta carta nem tenha chegado ao conhecimento da congregação ou pior, até tenha sido destruída.

Diótrefes não aceita o que João diz, que tem maior autoridade do que ele, alguém que se julga com mais autoridade do que um apóstolo que andou com Jesus Cristo e, então difama o nome de João perante a igreja, Diótrefes se considera A autoridade, afinal, ele sabe o que é melhor para a congregação, pois é ele quem está lá no dia-a-dia. E, se for necessário fazer algo anti-ético, tem como justificativa o bem maior.

Absolutista e intransigente, para ele ninguém é cooperador, mas rival e, "ou é do meu jeito ou não é de jeito nenhum!"

A atitude de Diótrefes está na contramão da orientação que Deus dá para aqueles que se encontram na posição de liderança: "Se alguém quer ser o primeiro, será o último e servo de todos." (Marcos 9:35)

Que o Senhor nos livre de líderes assim em nossas congregações. (1 Pero 5:1-4)

A posição que o Espírito Santo permitiu que essas duas cartinhas ocupassem nas Bíblias como as conhecemos hoje é bastante estratégica:

- temos 2 e 3 João chamando para viver a verdade com um criterioso equilíbrio entre a verdade e o amor;

- em seguida temos Judas nos alertando sobre os mentirosos infiltrados;

- e então temos Apocalipse, prometendo que Jesus voltará em breve.

É como se o plano do espírito Santo fosse nos lembrar de viver a verdade e nos apegar a ela, alertas contra as mentiras, até Jesus voltar.

É assim que o Novo Testamento termina, com uma instrução precisa.

E é interessante que o Espírito Santo usa João para nos dizer, em ambas as cartinhas, antes que a Revelação de Deus pelas Escrituras termine:

"Ainda tinha muitas coisas que vos escrever; não quis fazê-lo com papel e tinta, pois espero ir ter convosco, e conversaremos de viva voz, para que a nossa alegria seja completa." (2 João 1:12)

"Muitas coisas tinha que te escrever; todavia, não quis fazê-lo com tinta e pena, pois, em breve, espero ver-te. Então, conversaremos de viva voz." (3 João 1:13,14)

Uau!!!

Que promessa! Em breve o Senhor virá ter conosco:

"E, quando eu for e vos preparar lugar, voltarei e vos receberei para mim mesmo, para que, onde eu estou, estejais vós também." - João 14:3

"seremos arrebatados...entre nuvens, para o encontro do Senhor nos ares, e, assim, estaremos para sempre com o Senhor." - 1 Tessalonicenses 4:17)

Então, teremos tanta coisa para conversar, tanto "tempo" para trocarmos palavras de amor eterno!

2 e 3 João: O equilíbrio entre a verdade e o amor (quinta parte)

Temos visto que Gaio (a quem João dirige a sua terceira epístola) era um cristão exemplar, amoroso e hospitaleiro, a ponto de ser conhecido pela comunidade como Gaio, o amado.

E João o estimula a continuar assim: "Amado, procedes fielmente naquilo que praticas para com os irmãos, e isto fazes mesmo quando são estranhos." (3 João 1:5)

Não importa se o irmão é um desconhecido, a união pela Verdade cria o elo e o compromisso de amar e servir.

Gaio abriu suas portas porque, apesar de estranhos, eram fiéis a Verdade. E o testemunho do seu amor e serviço chegava a igreja, e chegou a João: "os quais, perante a igreja, deram testemunho do teu amor" (3 João 1:6a)

João faz elogios e estimula Gaio a continuar a fazer o que está fazendo, mas também dá um conselho, pois com Deus sempre existe espaço para aprimorar e crescer (Provérbios 4:18; 2 Coríntios 3:18; 1 Tessalonicenses 4:1): "Bem farás encaminhando-os em sua jornada por modo digno de Deus" (3 João 1:6b)

O que João está dizendo a Gaio?

"Você fez tudo direitinho, foi fiel aos irmãos, mesmo sendo estranhos, e o testemunho foi bom, mas...isso ainda não é tudo...melhor ainda podes fazer se ao despedires der suporte para a próxima etapa de suas jornadas, ou seja, provisões ou até dinheiro...conclua o bom trabalho."

E João não está sugerindo uma ajuda qualquer, é por modo digno de Deus. O padrão aqui é alto: trate-os da maneira como você sabe que Deus mesmo os trataria, de forma generosa.

Qual é a forma que Deus dá: 

"dar-se-vos-á; boa medida, recalcada, sacudida, transbordante, generosamente vos darão" (Lucas 6:38a)

"segundo a riqueza da sua graça, que Deus derramou abundantemente sobre nós em toda a sabedoria e prudência" (Efésios 1:7,8)

"que ele derramou sobre nós ricamente, por meio de Jesus Cristo, nosso Salvador" (Tito 3:6)

Ou seja, tudo o que eles precisassem, e mais!

Se você não pode ser um missionário, dê generoso suporte aqueles que são! e no julgamento galardoador das nossas obras (Tribunal de Cristo) você será premiado como se houvera sido. (Mateus 10:40; Lucas 16:9; Mateus 6:19,20)

Por que esses pregadores itinerantes deveriam ser objeto de tanta generosidade?  "pois por causa do Nome foi que saíram" (3 João 1:7a) - a causa e a motivação mais nobre que pode existir em uma empreitada.

Mas tem outra razão: "nada recebendo dos gentios" (3 João 1:7b), íntegros que eram, esses irmãos contavam apenas com o suporte da igreja, não pediam e nem esperavam nada que viesse das mãos dos incrédulos, as duas coisas não podem se misturar, não existe comunhão (ofertar é uma expressão de comunhão - koinonia), "que sociedade pode haver entre a justiça e a iniquidade?" (2 Coríntios 6:14,15) mesmo porque o mundo que jaz na mentira e é governado pelo pai da mentira nunca dará suporte legítimo e aceitável para a propagação da verdade, e se o fizer, não aceite.

2 e 3 João: O equilíbrio entre a verdade e o amor (quarta parte)

1 João foi escrita para um público geral, 2 João foi escrita para uma família, 3 João foi escrita para um indivíduo.

A primeira pede que as igrejas sejam leais a verdade pela prática do amor e pela obediência aos mandamentos, a segunda pede que as famílias sejam leais a verdade e a terceira pede que as pessoas sejam leais a verdade.

João, portanto, começa num nível mais amplo, falando a todos os crentes, restringe a uma família e depois a um homem, Gaio.

O tema é o mesmo: amor e verdade.

Na primeira, a verdade obedecida e a prática do amor são o que definem um verdadeiro crente.

Na segunda, a verdade é essencial para delimitar a demonstração de amor.

Na terceira, para aquele que é sadio na verdade, esse amor deve ser praticado com requintes de esmero e excelência e nunca negado.

2 João é uma espécie de negativo: quem você não deve receber;

3 João é positivo, quem você deve receber.

Assim, juntas, temos uma visão completa de como lidar com aqueles que se dizem representantes de Cristo.

Três pessoas são citadas em 3 João:

- Gaio, que deu hospitalidade;

- Diótrefes, que recusou dar hospitalidade;

- Demétrio, aquele que devia receber hospitalidade.

Gaio era um nome muito comum na época, então as pessoas acrescentavam apelidas para facilitar a identificação.

O mesmo acontecia com o nome Simão: Simão Barjonas ou Simão Pedro (Mateus 16:17; Marcos 3:16; João 6:8); Simão, o curtidor (Atos 10:42); Simão, o zelote (Mateus 10:4); Simão, o leproso (Mateus 26:6); Simão, o cirineu (Marcos 15:21); Simão Iscariotes (João 6:71); Simão, o grande poder (Atos 8:9,10).

Esse homem, Gaio, era chamado de Gaio, o amado. Portanto, um homem conhecido e respeitado, a quem todos amavam, porque manifestava muito amor, inclusive através da prática da hospitalidade.

Ele é citado em Romanos 16:33: "Saúda-vos Gaio, meu hospedeiro e de toda a igreja.", isso aproximadamente 30 anos de João escrever essa cartinha!

Vemos portanto, que esse homem que morava em Corinto (de onde Paulo escreveu aos romanos por volta do ano 55) e um dos poucos que teve a honra de ser batizado pessoalmente por Paulo (1 Coríntios 1:14), dada a sua honra e ilustreza espiritual e social, era uma pessoa totalmente dedicada a servir ao corpo de Cristo, aos pregadores itinerantes e a causa do Evangelho.

É bem provável que fosse uma pessoa de posses, e que possuía alguma estrutura de hospedagem mais ampla, com o objetivo de ser cooperador da Verdade (3 João 1:8).

Quando Paulo, na saudação "Amado, acima de tudo, faço votos por tua prosperidade e saúde, assim como é próspera a tua alma." (3 João 1:2) deseja que Gaio tenha sucesso material e saúde, ele usa como referência o vigor espiritual de Gaio. Gaio tinha uma vida espiritual bem-sucedida.

Exercitar amor e hospitalidade com dedicação por tantas décadas, deixaram Gaio "malhado" espiritualmente, "bombado" na fé e na piedade (creio que deva ter sido esse o objetivo de Paulo em 1 Timóteo 4:8 aos comparar o exercício físico com o exercício da piedade, destacar o maior ganho em focar no exercício espiritual, sem desmerecer ou descartar o exercício físico...Paulo também deseja boa saúde a Gaio).

Paulo elogia Gaio tanto por andar na verdade  (3 João 1:3) como também pelo bom testemunho de amor que os irmãos e a igreja dão dele  (3 João 1:6); mas, primeiro elogia pela verdade...

Sem dúvida, Gaio era um bom exemplo de como ser um cristão: "Nisto conhecerão todos [testemunho público] que sois meus discípulos: se tiverdes amor uns aos outros." (João 13:35)

domingo, 1 de novembro de 2020

2 e 3 João: O equilíbrio entre a verdade e o amor (terceira parte)

O papel da Igreja está claramente definido por Deus nas escrituras:

"Escrevo-te estas coisas, esperando ir ver-te em breve; para que, se eu tardar, fiques ciente de como se deve proceder na casa de Deus, que é a igreja do Deus vivo, coluna e baluarte da verdade." (1 Timóteo 3:15)

SER COLUNA E BALUARTE DA VERDADE.

A coluna é que dá sustentação, e o baluarte é que dá abrigo.

Abrigar e sustentar a Verdade, a Igreja existe para isso.

Se a Igreja abandona a Verdade, ela deixou de ser a Igreja de Jesus Cristo.

Existimos para representar e apresentar a Verdade.

Nada é mais importante do que a Verdade, pois é na Palavra da Verdade que conhecemos o único e verdadeiro Deus revelado.

É através da Palavra da Verdade que conhecemos a mente de Deus, o caráter de Deus, os planos de Deus e, principalmente ao Seu Filho e a salvação que está disponibilizada por meio Dele.

A Palavra da Verdade é tudo o que preciso para entender o que importa.

"magnificaste acima de tudo o teu nome e a tua palavra" (Salmos 138:2)

Creio que este versículo seja suficiente para expressar a dimensão da importância da tarefa que nos foi confiada, somos dispenseiros da reputação do próprio Deus!

2 e 3 João contêm instruções de como exercitar de maneira responsável e segura a prática da hospitalidade cristã sem prejudicar a verdade.

Como já foi dito, a hospitalidade cristã do primeiro século estava em um nível muito alto, era uma virtude espiritual muito característica dos cristãos, e era um serviço essencial para o Evangelho além de ser uma maneira tangível de compartilhar o amor de Cristo.

Mas existe algo mais importante do que o exercício da hospitalidade, a integridade da Verdade.

Você não pode sustentar e abrigar a Verdade e, ao mesmo tempo, abrigar alguém que procura destruí-la.

Vejamos Romanos 16:16-18:

"Saudai-vos uns aos outros com ósculo santo. Todas as igrejas de Cristo vos saúdam. (essa é uma linda expressão de amor mas, em seguida...)

Rogo-vos, irmãos, que noteis bem aqueles que provocam divisões e escândalos, em desacordo com a doutrina que aprendestes; afastai-vos deles, porque esses tais não servem a Cristo, nosso Senhor, e sim a seu próprio ventre; e, com suaves palavras e lisonjas, enganam o coração dos incautos."

Quando existe risco para a doutrina a comunhão não é permitida, a tolerância deve ser zero, afaste-se!

Ser hospitaleiro e ter comunhão é bom, mas não as custas da verdade, temos de saber avaliar cada situação.

Essas instruções de João foram muito delicadas porque, se por um lado, o cristão é exortado a ser hospitaleiro, por outro ele é chamado a defender e sustentar a verdade:

"Não tenho maior alegria do que esta, a de ouvir que meus filhos andam na verdade." (3 João 1:4)

O que João está pretendendo com essas duas cartinhas é que tenhamos equilíbrio, bom senso, discernimento, critério.

A senhora de 2 João, provavelmente uma viúva (pois os filhos, a irmã e os sobrinhos são citados, mas o marido não), tinha boas intenções e, provavelmente existiam notícias que chegaram a João (talvez por meio de sua irmã - 2 João 1:13) que davam conta que alguns dos "muitos enganadores que saíram pelo mundo fora" (2 João 1:7) estavam tirando proveito da singeleza desta irmã. No que ela foi advertidade a respeito do valor da Verdade e do perigo da cumplicidade com o engano.

Já Gaio, de 3 João, foi elogiado por ser criterioso e lhe foi dito que a hospitalidade que ele praticava, enquanto outros a negavam (3 João 1:9,10), o tornava "um cooperador da Verdade" (3 João 1:8).

Portanto, haverá situações em que, para alguns você deve abrir a sua casa e para alguns outros não.

CRITERIOSIDADE, essa é a chave. É como Paulo ensinou em Romanos 16:19 "quero que sejais sábios para o bem e símplices para o mal.", repetindo o que Jesus havia falado em Mateus 10:16 "Eis que eu vos envio como ovelhas para o meio de lobos; sede, portanto, prudentes como as serpentes e símplices como as pombas."

Resumindo "não seja tolo" (Efésios 5:17). Ser sábio e prudente é ter critério na hora de fazer o bem, é ter percepção das coisas; e ser símplice (akeraios no grego - a = sem + keraio = mistura) é se manter puro por não se misturar.

Temos de ter discernimento de para quem estamos lançando nossas pérolas e a quem estamos entregando o que é santo...CRITÉRIO, ESSA É A CHAVE.

2 João foi escrita como um aviso a cristãos que são amorosos e hospitaleiros, mas que também são singelos e vulneráveis: nosso amor tem um limite, a integridade da Verdade.

Devemos ser tolerantes e compreensivos e amorosos com todos mas, quando a verdade é ameaçada, a tolerância tem que ser zero.

Devemos continuar andando nesse amor (2 João 1:5,6) mas,

muitos enganadores estão por aí a espreita dos incautos (2 João 1:7) então,

Acautelai-vos (2 João 1:8)

Só porque alguém usa o Nome de Jesus Cristo não quer dizer que O representa.

Feche a porta na cara deles! A melhor forma de não contribuir com o espírito do anticristo e com a propagação da mentira é não dando suporte, não dando plataforma e acolhida.

Um lembrete final:

Você pode até achar que já é firme o suficiente, que já é maduro espiritualmente e que sabe se defender...então João fecha a carta com o lembrete de que não importa o quanto você acha que saiba, você não sabe o suficiente "ainda tinha muitas coisas que vos escrever"...

Ainda temos muito o que aprender então, ninguém está imune ao engano, Satanás quer enganar "se possível, os próprios eleitos (Mateus 24:24)

2 e 3 João: O equilíbrio entre a verdade e o amor (segunda parte)

Como foi dito no post anterior, João escreveu duas cartinhas: uma para uma senhora (2 João 1:1) e outra para um cavalheiro, Gaio (3 João 1:1).

O Espírito Santo usou João para transmitir instruções e critérios a respeito da prática da hospitalidade cristã, que estava sendo abusada por pessoas mal-intencionadas e usada por Satanás para infiltrar os seus agentes de engano.

A questão da preservação da integridade da Verdade é essencial para o Evangelho e sua efetividade, pois se trata da Palavra de Deus, ou seja é a integridade do próprio Deus que está em questão:

"Senhor, Deus da verdade" (Salmos 31:5b)

"Respondeu-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida" (João 14:6a)

"o Espírito da verdade" (João 14:17a)

E mais, sem a Verdade não existe salvação, libertação, santificação nem esperança e nem armas para lutar:

"Pois, segundo o seu querer, ele nos gerou pela palavra da verdade, para que fôssemos como que primícias das suas criaturas." (Tiago 1:18) / (Efésios 1:13)

"e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará" (João 8:32)

"Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade." (João 17:17)

"por causa da esperança que vos está preservada nos céus, da qual antes ouvistes pela palavra da verdade do evangelho" (Colossenses 1:5)

"na palavra da verdade, no poder de Deus, pelas armas da justiça, quer ofensivas, quer defensivas" (2 Coríntios 6:7) / "e a espada do Espírito, que é a palavra de Deus" (Efésios 6:17)

Satanás SEMPRE lutou contra a verdade, é assim desde o Éden, quando ele se contrapôs diametralmente contra o que Deus dissera: "certamente morrerás" (Gênesis 2:17b) versus "é certo que não morrereis" (Gênesis 3:4b). 

Ele conhece o poder da Verdade e o poder destruidor que ela tem sobre o seu império (dunamis gar theou - Romanos 1:16 - dunamis é o poder que vence a resistência; dunamis é o poder em ação, o poder de realizar; dunamis é a capacidade de produzir um efeito forte), por isso o seu trabalho e empenho contínuo e constante sempre foi negar, contradizer e desacreditar a verdade, sua matéria-prima é a mentira (João 8:44).

É DISSO QUE 2 E 3 JOÃO TRATAM: O VALOR DA VERDADE, a importância da verdade, a inegociabilidade da verdade, a preeminência da verdade e o quão é mister lutar por sua integridade, alíás, devemos batalhar diligentemente por sua integridade (Judas 1:3b)

Percebemos a seriedade disso na advertência que João faz a senhora eleita: 

"Todo aquele que ultrapassa a doutrina de Cristo e nela não permanece não tem Deus; o que permanece na doutrina, esse tem tanto o Pai como o Filho. Se alguém vem ter convosco e não traz esta doutrina, não o recebais em casa, nem lhe deis as boas-vindas. Porquanto aquele que lhe dá boas-vindas faz-se cúmplice das suas obras más." (2 João 1:9-11)

A seriedade e a intransigência com que Deus trata o desvirtuamento e a rejeição de Sua Palavra são vistos em muitas outras passagens igualmente rudes e pesadas:

"Eu, a todo aquele que ouve as palavras da profecia deste livro, testifico: Se alguém lhes fizer qualquer acréscimo, Deus lhe acrescentará os flagelos escritos neste livro; e, se alguém tirar qualquer coisa das palavras do livro desta profecia, Deus tirará a sua parte da árvore da vida, da cidade santa e das coisas que se acham escritas neste livro." (Apocalipse 22:18,19)

"Nada acrescentareis à palavra que vos mando, nem diminuireis dela, para que guardeis os mandamentos do Senhor, vosso Deus, que eu vos mando." (Deuteronômio 4:2)

"Mas, ainda que nós ou mesmo um anjo vindo do céu vos pregue evangelho que vá além do que vos temos pregado, seja anátema. Assim, como já dissemos, e agora repito (só para eu ter certeza de que vocês entenderam bem o que estou avisando, porque a questão é seríssima), se alguém vos prega evangelho que vá além daquele que recebestes, seja anátema. (Gálatas 1:8,9)

"Quem me rejeita e não recebe as minhas palavras tem quem o julgue; a própria palavra que tenho proferido, essa o julgará no último dia." (João 12:48)

"como escaparemos nós, se negligenciarmos tão grande salvação?" (Hebreus 2:3a)

"do pecado, porque não creem em mim" (João 16:9)

"Ora, o aparecimento do iníquo é segundo a eficácia de Satanás, com todo poder, e sinais, e prodígios da mentira, e com todo engano de injustiça aos que perecem, porque não acolheram o amor da verdade para serem salvos. É por este motivo, pois, que Deus lhes manda a operação do erro *, para darem crédito à mentira, a fim de serem julgados todos quantos não deram crédito à verdade; antes, pelo contrário, deleitaram-se com a injustiça." (2 Tessalonicenses 2:9-12)

*(O rei Acabe passou por uma situação de entrega ao erro semelhante a essa operação do erro, por tantas vezes ter rejeitado a Palavra do Senhor por intermédio de Elias. Vide 1 Reis 22:19-23)

Todas essas passagens das Escrituras e tantas outras (*) mostram que abandonar ou rejeitar a Verdade é um erro gravíssimo, é um suicídio eterno! Mostram também que a tolerância de Deus para com tal atitude é zero!!!

(*) Caso queiram explorar um pouco mais esse assunto vide também: Provérbios 26:4; Mateus 7:6; 1 Timóteo 1:3,20; 6:3-11,20; 2 Timóteo 2:14,16; 3:5; Tito 3:10,11; Hebreus 6:6; 10:26-31; 2 Pedro 2:20-23; 1 João 5:16; Apocalipse 3:16.

Maranatha Senhor Jesus!

2 e 3 João: O equilíbrio entre a verdade e o amor (primeira parte)

 As pequenas cartas de 2 e 3 João são cartas pessoais, escritas pelo idoso apóstolo a uma senhora e a um cavalheiro respectivamente.

Ambos eram crentes ativos e operosos praticantes do Evangelho e do amor cristão, que se expressava através do serviço de hospedagem que, como veremos, era muito importante naquela época, a ponto de ser veementemente solicitado pelos escritores do Novo Testamento:

"compartilhai as necessidades dos santos; praticai a hospitalidade" (Romanos 12:13)

"É necessário, portanto, que o bispo seja irrepreensível, esposo de uma só mulher, temperante, sóbrio, modesto, hospitaleiro, apto para ensinar" (1 Timóteo 3:2)

"seja recomendada pelo testemunho de boas obras, tenha criado filhos, exercitado hospitalidade, lavado os pés aos santos, socorrido a atribulados, se viveu na prática zelosa de toda boa obra" (1 Timóteo 5:10)

"Não negligencieis a hospitalidade, pois alguns, praticando-a, sem o saber acolheram anjos." (Hebreus 13:2)

"Sede, mutuamente, hospitaleiros, sem murmuração." (1 Pedro 4:9)

No primeiro século, Jesus Cristo criou uma estratégia para divulgar a verdade do Evangelho: PREGADORES ITINERANTES.

Jesus enviou doze, dois a dois, para pregar pela Galiléia e depois enviou setenta para pregar por todo o território de Israel.

E Ele lhes deu instruções (Mateus 10:5-15; Marcos 6:7-13; Lucas 9:1-6 e 10:1-12):

"Não vos provereis de ouro, nem de prata, nem de cobre nos vossos cintos; nem de alforje para o caminho, nem de duas túnicas, nem de sandálias, nem de bordão; porque digno é o trabalhador do seu alimento.

E, em qualquer cidade ou povoado em que entrardes, indagai quem neles é digno; e aí ficai até vos retirardes.

Ao entrardes na casa, saudai-a; se, com efeito, a casa for digna, venha sobre ela a vossa paz; se, porém, não o for, torne para vós outros a vossa paz."

Ou seja, os pregadores itinerantes dependiam da hospitalidade das pessoas.

Mesmo porque, naquela época, as estalagens eram verdadeiros bordéis, onde mulheres ofereciam seus serviços aos viajantes cansados, lugares insalubres e cheios de doenças...inaceitáveis para um pregador do evangelho.

Quando a Igreja foi criada, após a morte e ressurreição de Cristo, o Evangelho passou a ser disseminado pelo mundo através de pregadores itinerantes que saíam em duplas, como Paulo e Barnabé, Paulo e Silas, Barnabé e Marcos, Áquila e Priscila...daí que a prática da hospitalidade pelos lares cristãos era uma questão muito prática e operacional. 

Daí o Novo Testamento exortar a respeito da prática da hospitalidade.

Hospitalidade em grego é philoxenos, amor pelo estranho, pelo estrangeiro, servir a estranhos e, os cristãos verdadeiros, movidos pelo espírito Santo, pelo amor aos irmãos e pelo amor ao Evangelho, praticavam essa vocação, o acolhimento de pessoas que não conheciam em seus lares. Se não podiam eles mesmos sair de forma itinerante, que participassem da expansão do Evangelho oferecendo esse suporte, afinal:

"Quem vos recebe a mim me recebe; e quem me recebe, recebe aquele que me enviou. Quem recebe um profeta, no caráter de profeta, receberá o galardão de profeta; quem recebe um justo, no caráter de justo, receberá o galardão de justo.

E quem der a beber, ainda que seja um copo de água fria, a um destes pequeninos, por ser este meu discípulo, em verdade vos digo que de modo algum perderá o seu galardão." (Mateus 10:40-42)

"Portanto, devemos acolher esses irmãos, para nos tornarmos cooperadores da verdade." (3 João 1:8)

A hospitalidade cristã atingiu um nível muito alto de testemunho público, era uma virtude espiritual muito característica, a ponto de ser percebida pela sociedade em geral.

Daí, surgiu um problema:

Essa estruturação "0800" atraiu pessoas mal-intencionadas e falsos mestres, que se apresentavam como verdadeiros pregadores itinerantes, verdadeiros representantes de Deus e, uma vez infiltrados, nas casas e nas igrejas, começavam a ensinar mentiras e a subverter a fé.

Foram essas circunstâncias que deram ensejo a necessidade de que o apóstolo João escrevesse as nossas duas cartinhas, prescrevendo instruções de como exercitar de maneira segura essa prática tão necessária para a divulgação do Evangelho, instruções essas que são válidas não somente naqueles dias, como ainda são nos dias de hoje.

Para isso João vai estabelecer um parâmetro: o equilíbrio entre a verdade e o amor. Com veremos no próximo post.

Maranatha Senhor Jesus!